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Transtornos psicológicos: cuidar agora para garantir a saúde mental da família no futuro

Não dá para deixar a saúde mental para depois - Reprodução
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Publicado em 02/06/2020, às 14h30 por Yulia Serra, Editora | Filha de Suzimar e Leopoldo


Não dá para deixar a saúde mental para depois (Foto: Reprodução)

Não está tudo certo. O trabalho em casa é uma correria, os filhos têm aula à distância, bate saudades da rede de apoio, algumas dúvidas sobre o futuro continuam sem respostas. A rotina mudou e não é um problema assumir que está sendo difícil, cada um com a sua realidade. De acordo com Dr. Pablo Vinicius, médico psiquiatra, neurocientista e pesquisador, filho de Sebastião e Mariazinha, esse retrato enfatiza a necessidade de investirmos na saúde mental: “Para que depois que tudo isso passar, continuemos nossas vidas saudavelmente”.  

O especialista comenta que enquanto não se desenvolve vacina ou medicamentos eficientes, a principal forma de combate é o isolamento social. “Porém, ao mesmo tempo em que ele faz parte da solução, é fator de risco para o adoecimento emocional”, alerta. Antes de tudo, uma questão precisa ficar clara. Garantir a saúde mental não é fingir que nada está acontecendo e colocar um sorriso no rosto, muito pelo contrário. Trata-se de reconhecer e respeitar seus pensamentos e sentimentos frente à todas as mudanças e lidar com eles da melhor forma. 

Transtornos, quem? 

De acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 89,2% dos especialistas entrevistados ressaltaram o agravamento de quadros psiquiátricos nos pacientes por conta do covid-19. O mesmo levantamento apontou que 47,9% dos consultados aumentaram a frequência de atendimento após o início da pandemia. Dr. Pablo esclarece que o primeiro sintoma desses transtornos é a alteração de comportamento: “Tanto adultos quanto crianças tornam-se mais irritadas, impacientes, entristecidas, sem ânimo para realizar as atividades habituais e sem prazer nas atividades que antes eram prazerosas”. Com o passar do tempo, aparecem outros como alterações de sono, apetite e produtividade

O especialista explica que os perfis de transtornos mais comuns nesse período são os ansiosos, depressivos e a insônia. Veja o que ele diz sobre cada um deles:

Ansiedade patológica:É caracterizada pela falta de capacidade de relaxamento na maior parte do dia. A pessoa passa a maior parte do tempo irritada, tensa e com preocupações excessivas. Muitas vezes o apetite aumenta, com o consequente ganho de peso. Nesse quadro patológico é muito comum ouvir as pessoas dizerem: ‘Dr, minha a cabeça não para’, principalmente na hora de dormir. Além disso, sintomas físicos são comuns como palpitações, sudorese, queda de cabelo e diarreia”.

É importante entender os motivos de você estar assim para conseguir se cuidar (Foto: iStock)

Depressão:É uma tristeza profunda, na maior parte do dia. A pessoa perde a capacidade de se alegrar diante das situações prazerosas. Os pensamentos ficam extremamente pessimistas, chegando a ideias de morte em casos mais graves. Desesperança, falta de energia e desmotivação são bastante comuns”.

Insônia:É a dificuldade para iniciar ou manter o sono. Nas situações de muito estresse a qualidade do sono fica muito prejudicada. As queixas mais comuns são sono não reparador, sono superficial com múltiplos despertares, e dificuldade para ‘pegar no sono’”.

Não esconda, enfrente

O primeiro passo para garantir a saúde mental é justamente entender o que te motivou a estar assim. Alguns fatores como a pandemia, estão fora do seu alcance, mas outros podem ser repensados e alterados. Dr. Pablo Vinicius destaca a importância de manter a rotina mais próxima do “normal”, ou seja, seguir os horários de acordar, dormir, trabalhar estudar, fazer as atividades de lazer. Você é o principal exemplo para o seu filho e adotando essas medidas irá colaborar para que os demais em casa também adotem. 

É preciso manter/reorganizar a rotina para garantir a saúde mental (Foto: iStock)

“As crianças sofrem mais com alterações da rotina, apresentando mais sintomas comportamentais, pois não apresentam ainda maturidade para lidar com mudanças abruptas e significativas em suas vidas”, acrescenta. Por isso, o foco agora deve ser investir o máximo em qualidade de vida. Alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares, sono de qualidade são quesitos fundamentais para alcançar não apenas a saúde mental, mas física nesse período, segundo o médico. 

Caso suspeite de algum transtorno emocional o especialista alerta: “Nunca tome um medicamento sem prescrição médica. Os psicotrópicos são medicamentos controlados exatamente pelo risco de desenvolverem dependência física e psicológica nas pessoas”. Procure sempre um profissional da área e siga as recomendações indicadas. É fato que esse momento do mundo nos convidou a parar e refletir

“Aqui temos dois destinos para a humanidade. O caos ou a transformação. Se não fizermos nada, continuarmos acreditando que a competitividade é melhor que a cooperação, que a vaidade é melhor que a simplicidade, estaremos perdidos. Será um caos emocional. Nesse caso, a pandemia dos transtornos emocionais será muito maior que a pandemia do vírus, inclusive na letalidade. O segundo caminho é a transformação. Nesse grupo de pessoas, estão aqueles que vão sair mais fortes que entraram. Elas estão, neste momento de isolamento e intenso sofrimento, refletindo sobre a própria vida. Analisando o passado. Percebendo onde estavam errando. O que havia de excesso. O que estava faltando. À medida que percebem essas questões em suas vidas, elas começam um processo de transformação interna”, finaliza.

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