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Amizades

A felicidade somente é plena quando ela é compartilhada

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Muitos acham que a vida no mar é uma vida solitária, diferente da cidade, onde a vida social é ativa e as amizades são diversas. Em poucos dias por aqui pudemos provar o contrário.

No dia seguinte que chegamos na Marina já percebemos um movimento no barco colado ao nosso. Logo, os franceses Sylvian e Isabel vieram se apresentar.

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O casal é muito experiente no mar. Há mais de 20 anos costuma passar longos períodos a bordo velejando e trabalhando do barco. Já cruzou o Atlântico, rodarou o Caribe e pretende ir para o Pacífico em breve.

A amizade foi imediata. Eles foram super simpáticos, prestativos e muito nos ajudaram nos nossos primeiros 15 dias a bordo. Visitamos o barco deles e lá aprendemos muito sobre organização e provisionamento. O barco, inclusive, é impecável, extremamente organizado. Do Sylvian, vieram várias dicas de ancoragem e manutenções preventivas.
A vida no mar é curiosa. Tudo é mais intenso. Cada dia de convivência vale por meses. E em poucos dias parecia que éramos amigos de muitos anos. Fizemos um churrasco brasileiro para eles no Itacaré e eles fizeram um jantar francês para nós no Oxygen – do jeito tradicional como um jantar francês deve ser: entrada, prato principal, queijos, sobremesa e muito vinho. Foi uma delícia.

Em pouco tempo eles seguiram viagem rumo as ilhas da Venezuela (Los Aves e Los Roques). As crianças sentiram – apesar do pouco tempo, elas também tinham criado vínculo. Passaram a semana seguinte um pouco tristinhos dizendo que não tinham amigos e até mencionando que gostariam de voltar para o Brasil.

Nessa hora que a gente precisa se desdobrar para dar mais atenção a eles e se dividir com as tarefas diárias que a vida a bordo exige. Mas aos poucos eles vão se adaptando e percebendo que por aqui será assim: novas amizades a cada dia, intensas, e que vem e vão… Às vezes, rápido demais.

Na semana seguinte estávamos atracados em um Pier na entrada do canal aqui em Curaçao quando dois barcos cruzaram nosso lado com umas bandeiras lindas verde e amarelo na popa. Nossa reação foi expontânea: “Brasiiilllll!!!!”, gritamos para eles em coro.

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Os barcos Gentileza e Arthi – vindos de Bonaire (uma ilha próxima a Curaçao) chegaram para dar mais movimento e alegria aos nossos dias. Foi uma festa!! É incrível como ficamos carentes de amigos e de companhia.

Os meninos arrumaram duas amiguinhas de 5 e 13 anos e ficaram felizes da vida. Já fizemos churrascos, jantares, caminhadas, e assim nossos dias ficaram mais agitados. O vai e vem das crianças de um barco pro outro é como a vida normal na cidade dentro de um condomínio. A diferença é que nossa casa boia.

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Estamos planejando a nossa saída de Curaçao para as próximas semanas quando iremos para Bonaire. Será nossa primeira travessia em família e os meninos não vêem a hora de encarar o mar aberto.
Com certeza novas amizades nos esperam pois a vida no mar é assim – e a felicidade somente é plena quando ela é compartilhada.
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