Criança

“Eu não quero enterrar minha filha”, diz mãe de menina de 10 anos que tentou suicídio por bullying

SWNS/Reprodução
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Publicado em 14/11/2018, às 08h53 - Atualizado em 11/01/2021, às 09h01 por Jennifer Detlinger, Editora-chefe | Filha de Lucila e Paulo


A britânica Jess Brown, de 27 anos, levou a filha Lilly-Jo ao hospital Worcestershire Royal, na Inglaterra, na noite desta segunda-feira (12), depois da menina se recusar a comer e tomar comprimidos, em uma tentativa de suicídio, na noite de seu aniversário de 10 anos. “Minha filha está lutando por sua vida por causa do bullying”, contou a mãe em entrevista ao Worcester News.

A menina começou a estudar em uma escola nova no mês de setembro e depois de algumas semanas, sua mãe percebeu que ela estava agindo de uma forma estranha. Jess revelou que a filha sofreu bullying de outra aluna da escola.

“Eu percebi que Lilly não estava bem na segunda, pois não comia e parecia muito cansada. Foi quando ela admitiu que tomou algumas pílulas e eu a levei correndo para o hospital. Pensei que minha filha fosse morrer”, contou Jess.

(Foto: SWNS/Reprodução
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A mãe ainda fez um desabafo sobre o descaso da escola com o problema da filha. “Eu disse à escola que ela estava sendo intimidada, mas eles não fizeram nada para ajudar. Ela está com medo de voltar para lá”.

Em um vídeo de oito minutos, gravado antes da tentativa de suicídio, Lilly compartilhou todo seu sofrimento: “Tem uma criança na escola que está me provocando desde que eu entrei lá. Ela puxou meu cabelo, me empurrou, me deu um tapa e fechou a porta do armário na minha cabeça. Eu chorei e ela saiu rindo”, desabafou. Segundo a mãe, a menina ficou triste e muito decepcionada pela posição da escola de não levar o bullying a sério, mesmo após várias tentativas de contar aos seus professores.

(Foto: SWNS/Reprodução
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“Ela ficou me encarando nos vestiários e me chamando de gorda, estou com muito medo. Toda vez que eu tento contar para a escola, elas não me escutam. Ela me avisou que, se eu não mudar de escola, vai continuar me provocando até eu ficar com raiva. Eu não quero me matar”, desabafou a menina.

Em uma tentativa de alertar outros pais sobre os perigos do bullying, Jess postou fotos da filha no hospital em seu perfil no Facebook. “Você nunca espera ver sua própria filha em seu décimo aniversário no hospital depois de uma tentativa de suicídio. É de partir o coração”, desabafou a mãe.

No dia seguinte à overdose de Lilly, a mãe foi até os pais da menina que praticou bullying com sua filha e mostrou as fotos que havia tirado no hospital. “Eu queria mostrar para eles o impacto das palavras de sua filha, mas eles apenas riram de mim e me xingaram”.

“Nós não vamos mandá-la de volta para a escola, não vale a pena o risco. O médico disse que se tivéssemos deixado a Lilly lá por mais duas semanas, ela estaria morta. E eu não vou enterrar minha filha”, concluiu Jess.

Saiba como identificar se se filho está sofrendo bullying

Bullyingdepressão parecem ser coisas só de adolescente, mas, segundo Livia Marques, psicóloga e mãe da Maria e do Miguel, acontece na infância também, principalmente entre crianças de 5 a 7 anos. “É quando começam a desenvolver discernimento, conviver com colegas e a colocarem para fora o que pensam.”

Já Luciana Brites, psicopedagoga, uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber e mãe de Helô, Gustavo e  Maurício, explica que entre 1 e 7 anos, a criança está em um processo que chamam de egocentrismo então “a capacidade de empatia é muito restrita”. Por isso, costumam maltratar o amigo, não ter paciência, brigar, mas não por maldade, mas não chega a denominar isto como bullying.

Mas como perceber e saber diferenciar? Através de mudanças no comportamento do seu filho, se ele gostava de brincar e agora fica quieto, ou fica muito agitado, não come, não dorme, não quer mais se relacionar com os amigos, ir à escola, fica agressivo… Luciana explica que “tudo isso pode ser sintoma que precisa ser levado em consideração”.

E o seu papel é, antes de tudo, conversar e ouvir o que seu filho tem a dizer. E se detectar que é preciso interferir, marcar reunião na escola, entender o que está acontecendo, questionar para que o problema não cresça e nem atinja outras crianças. Dependendo do caso, trabalhar em conjunto com a escola e com um terapeuta, “para as crianças viverem com mais tranquilidade e que saibam respeitar um ao outro”, completa Livia.

Não é comum, mas crianças menores podem pensar em suicídio, sim. Livia comenta que “hoje em dia é muito fácil ter acesso a muitas informações muito rápido, então sabem o que é suicídio”. Não se discute muito sobre os casos até porque, segundo Luciana, muitos são notificados como acidentes ao invés de suicídio, “existe todo um cuidado na notificação de suicídio”.


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