Criança

Falta de educação ou personalidade da criança? Saiba quando interferir no comportamento do seu filho

Você deve ser o exemplo que o seu filho precisa! - iStock
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Publicado em 03/10/2023, às 06h22 - Atualizado em 05/10/2023, às 08h31 por Fernanda de Andrade, filha de Débora e Marcos


“Os pais são o caminho”, diz Silvia Lobo, psicanalista, psicóloga, socióloga e mãe de Adriana, Suzana e Maurício. Antes de falar qualquer coisa sobre a educação das crianças, é necessário lembrar que elas são um espelho do que presenciam no dia a dia, ainda mais das maiores referências que elas têm: a família. Proponho um desafio logo de início para você: olhando para trás, quais manias e trejeitos você herdou dos seus pais? O seu filho também está te espelhando.

Eu mesma consigo dizer alguns traços que “puxei” dos meus pais. O “só um minuto” no telefone herdado desde criança da mãe secretária, e o costume de sempre deixar os animais cheirarem a mão antes de fazer carinho, aprendido pelo pai amante dos bichos (dessa forma, eles não ficam com medo e aceitam a ação). Além dessa reflexão, ao falar da educação das crianças, algo mito importante vem á tona: você esperaria essa ação de um adulto?

No processo de criar bons hábitos para o seu filho, é sempre importante separar quais são as atitudes resultantes da personalidade da criança e quais são mau comportamento de fato. Revisitaremos alguns comportamentos listados na matéria “É falta de educação, sim!”, publicada na edição 435, em junho de 2006. Será que 17 anos depois, eles ainda são considerados falta de educação?

Você deve ser o exemplo que o seu filho precisa! (Foto: iStock)

Não dar beijo

“Dá um beijo na sua tia!” ou “dá um beijo no vovô!” é algo que sempre escutamos na infância. É carinhoso? Sim, sem dúvidas. Mas você dá um beijo em todas as pessoas que pede para o seu filho? Beijar não é necessariamente uma norma social, como dar bom dia, boa tarde, pedir desculpas ou por favor, então por que seria um sinal de má educação? Christian Dunker, psicanalista, Professor Titular do Instituto de Psicologia da USP, coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia a e Psicanálise e pai de Nathalia e Mathias explica: “É importante que a criança tenha em mente que existem coisas que fazemos porque todos fazem. Mas nesse caso não se incluem as demonstrações de afeto. Cumprimentar é uma coisa, beijar, abraçar e mostrar uma emotividade maior do que seria a vontade da criança é outra. Isso não dá certo porque não se aplica ao adulto”.

É normal “culpar” a timidez em casos de resistência, mas o especialista explica que não há motivo: “A timidez não é uma patologia, ela é um traço de caráter. O que pode acontecer, muitas vezes, é ser confundida com um transtorno de personalidade ou uma fobia social […] Se a família é muito fechada, é possível que se produza uma timidez. Você vai encontrar uma timidez que é, no fundo, o reflexo de um choque de civilizações”. Então, não, o seu filho não precisa dar um beijo em alguém para ser educado. É importante ouvir e respeitar as vontades da criança, e deixar que essa demonstração de afeto seja sempre algo natural.

Não dividir brinquedo ou doce

Aprender a dividir é algo essencial para conviver com outras pessoas, e deve ser algo enraizado desde o início. Tenha em mente, contudo, que é algo natural da criança, então não precisa se preocupar achando que o seu filho será um egoísta quando crescer! Junior Cadima, Psicopedagogo Mestre em Educação, especializado em Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, e filho de Paulo Cesar e Silvia Antonia, conta que isso é algo comum durante essa fase: “Não querer dividir pode ser uma fase natural do desenvolvimento, especialmente em crianças pequenas que estão começando a entender o conceito de posse. No entanto, se persistir, pode ser um sinal de insegurança ou de não ter tido oportunidades suficientes para praticar a partilha”.

Mas como inverter essa situação? Dunker relembra a afirmação de Silvia no começo do texto, e explica que para as crianças serem mais generosas, os pais devem se mostrar mais generosos também. Já Cadima afirma que diversas negociações podem ser feitas: “Dividir é uma habilidade que se aprende com o tempo e com as experiências. Os pais podem começar praticando jogos em que cada criança espera a sua vez. Elogie a criança quando ela compartilhar. Outra técnica é o uso de um ‘timer’ – por exemplo: uma criança fica com o brinquedo por 5 minutos, depois é a vez da outra”.

Christian Dunker ressalta que essa técnica deve ser feita com atenção: “Negociar é muito importante, mas exercer autoridade com prudência e com justeza é tanto quanto”. Ou seja, não é porque é algo natural que os pais não devam “entrar em ação” para que o filho divida!

A birra é um processo normal da infância, e significa um desenvolvimento saudável! (Foto: Getty Images)

Falar alto, “dar show”

O seu filho até pode ser extrovertido, mas esse é um costume que não pode ser encorajado. Christian Dunker ressalta que esse tipo de comportamento é reprovado tanto entre crianças quanto entre adultos: “Os adultos não são responsáveis pela felicidade e ocupação das crianças. Muitas vezes é hora deles lerem um livro, assistirem a um filme”.

Fora isso, ele conta que não se deve criar um “palanque” para as crianças, como se todos devessem sempre prestar atenção ao que está sendo feito naquele exato momento: “Essa ideia de que a criança tem um lugar especial por ser criança, então a gente tem que acolher o que ela fala, quando ela diz, é profundamente equivocada. Há crianças que acham que só porque elas estão falando, existe uma prerrogativa atencional de que todo mundo devia dar atenção a elas simplesmente porque são elas”.

Jogar lixo no chão

É um papel de bala aqui, um outro ali… Nicole Berndt, embaixadora do Instituto Lixo Zero Brasil, fundadora da Casa Sem Lixo, colunista da Pais&Filhos e mãe de Theo e Nina, comenta que (mais uma vez), o exemplo deve ser você: “Gosto da frase ‘o exemplo arrasta’. Ele realmente tem esse poder […] Acredito muito na importância da informação. Ela precisa chegar a todos quando o tema é ‘lixo’. Entender o que é, para onde ele vai, como ele vai, e que no final das contas, tudo o que geramos continua de certa forma por aqui”. 

Para fazer com que a mudança saia do papel e se torne realidade na sua casa, Nicole se aprofunda no fato de que a informação seja respectiva com a idade da criança, e que os pais se mostrem mais engajados com o assunto: “As crianças precisam ver os pais recusando, repensando, separando, higienizando e envolvendo os filhos neste processo”.

Não saber dividir é algo natural da criança, mas os pais devem ensinar e estimular a partilha (Foto: Getty Images)

Não ter hora para dormir

As crianças têm uma energia de dar inveja, não é? Mas isso logo passa quando são 3h da manhã de uma quarta-feira e o seu filho ainda não pregou o olho. Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil e mãe de Ariel e Alicia, conta que diversos fatores podem contribuir para essa falta de sono, como um dia muito corrido e sonecas que não foram bem feitas.

A especialista também conta que é fundamental que exista uma rotina antes de dormir, para que ela consiga perceber uma previsibilidade do que vai acontecer e que possa coincidir com a sua necessidade:  “A medida que ela vai ficando com sono, vai tendo uma sequência de atividades, sempre repetitivas, de forma que ela mesma comece a se preparar para relaxar e acalmar”.

Dizer tudo o que pensa

Honestidade é bom, mas é muito importante ter um filtro! Nem sempre as crianças vão falar algo por maldade, porém, ensinar a censura é essencial para evitar conflitos. Junior Cadima explica essas situações indesejadas: “As crianças são naturalmente egocêntricas em seus primeiros anos de vida e ainda não desenvolveram completamente a teoria da mente, que é a capacidade de entender que outras pessoas podem ter perspectivas ou sentimentos diferentes dos seus”.

Silvia Lobo complementa que dá para estimular a sinceridade das crianças de forma educada mas sem encorajar a desonestidade: “Há uma diferença entre mentira e omissão. Não dizer tudo tem a ver com intimidade, privacidade, respeito. Distinguir o que, onde e com quem falar. Podemos silenciar em certas ocasiões sem mentir. Faz parte do jogo da convivência humana saudável”.

Comer pouco, não comer, comer só o que quer

O paladar da criança está sempre em desenvolvimento, e o que ela gosta um dia, no dia seguinte pode ser que já não a agrade mais. Além disso, é comum que os pais preparem o prato dos filhos com a mesma quantidade de um adulto! Dra. Renata Buzzini, nutricionista e mãe de Carlos Alberto e Maria Luiza, conta que é possível colocar o suficiente para o seu filho no prato: “As referências das mãos podem ajudar muito, procurando colocar no prato 1 palma de mão de cada item, incluindo proteínas, carboidratos, vegetais, legumes e leguminosas. Cada tamanho de mão corresponde a um tamanho de corpo, idade e caria mais simples entender esse processo de forma prática”.

Além disso, ela ressalta a importância de respeitar a saciedade da criança: “Não forçar a criança a comer mais do que ela aceita naquela refeição é fundamental para todo esse processo, respeitar os limites individuais é o que realmente vale a pena no sentido de ensinar e criar um bom relacionamento com o alimento. O apetite da criança será autorregulado com a introdução adequada dos alimentos, sendo, sim, importante evitar intervalos maiores que 3 horas sem fazer a ingestão de algum alimento”.

Existe uma linha tênue entre falta de educação e personalidade da criança (Foto: Getty Images)

Corrigir seu filho e se atentar ao comportamento dele é essencial, e lembre-se que o exemplo deve sempre vir de casa: “O aprendizado da convivência é educação, da partilha espontânea, do reconhecimento do que se recebe não é automático, ‘natural’. Mas fruto dos exemplos que se recebe de pessoas que são significativas. Os pais mostram no cotidiano, ensinam para serem seguidos e exigem, no que for importante”, relembra Silvia Lobo. Isso não quer dizer que todo comportamento “ruim” da criança necessariamente vem de casa, mas, sim, que, antes de cobrar o seu filho de algo, pense se ele tem no que se espelhar!

5 estágios da birra

  • 1- Raiva: Comportamentos como gritar e jogar objetos geralmente;
  • 2- Tristeza: Normalmente manifestada por choramingos e choros;
  • 3- Acalmando: Se ainda existem sinais de raiva, não tente acalmá-lo nesse momento,  a criança tende a recusar ajuda;
  • 4- Precisando de carinho: ofereça abraços e beijos. A sua presença importa muito mais do que as suas palavras
  • 5- Seguindo em frente: crianças mudam de sentimentos e situações mais rápido do que os adultos. Rapidamente, ele deve partir para outra.

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