Gravidez

Trombofilia na gestação: Saiba o que é e como diagnosticar

A doença é uma predisposição à trombose, problema que pode afetar as gestantes

Tanara de Araújo

Tanara de Araújo

trombofilia (1)

Projetos de lei pedem obrigatoriedade do exame preventivo por meio do SUS

Você está grávida? Fez todos os exames para investigar sua saúde e do bebê? Se o de prevenção à trombofilia faltou, reveja sua lista. A trombofilia se caracteriza por alterações – hereditárias ou adquiridas – que fazem o sangue ficar em permanente estado de hipercoagulabilidade. Com essa “solidificação” sanguínea, aumentam os riscos de trombose, levando ao entupimento de artérias e veias.

A anomalia pode trazer complicações a qualquer pessoa. Na gestação, porém, as chances se multiplicam. “As gestantes, por já estarem submetidas a um estado de hipercoagulabilidade típico da gravidez, têm a ameaça de fenômenos trombóticos elevada em muitas vezes”, esclarece o ginecologista e obstetra Morvan Eluf.

A rapidez no diagnóstico faz toda a diferença – quanto mais cedo a descoberta, mais cedo o tratamento. O especialista explica que ele é feito à base de anticoagulantes prescritos conforme a necessidade do paciente. No caso das futuras mães, deve ser feito de modo injetável (jamais oral) e respeitado com rigor.

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Se esses cuidados forem prorrogados ou ignorados, podem gerar problemas graves para a mãe e o bebê. O risco é que os coágulos obstruam os vasos sanguíneos, causando o entupimento das veias dos pulmões, coração e cérebro materno, além de bloquear a circulação na placenta.

É fundamental que o ginecologista esteja atento a sinais importantes da paciente. “Desconfiamos que a gestante possa ter algo relacionado quando ela apresenta histórico de abortos de repetição, mais de uma gravidez complicada com hipertensão, restrição de crescimento fetal, descolamento de placenta, entre outros distúrbios”, diz Eluf.

Detecção do problema que inspirou projetos de lei

Para detectar se há algum tipo de trombofilia, o médico deve pedir uma complexa investigação laboratorial, que é feita por meio de uma série de exames de sangue. No entanto, os custos costumam ser elevados e nem todos os laboratórios o oferecem.

Em função disso, atualmente tramitam na Câmara Municipal de São Paulo e na Assembleia Legislativa do Estado projetos de lei que exigem exames preventivos da trombofilia via SUS.

No primeiro caso, o Projeto de Lei 320/2015, de autoria da vereadora Patrícia Bezerra (PSDB-SP), exige a obrigatoriedade pelo SUS de exame e tratamento da trombofilia em mulheres. O projeto já foi aprovado em primeira discussão e espera agora por uma segunda votação.

Na Assembleia, o projeto de lei 1094/2015, da deputada Beth Sahão (PT-SP), também busca tornar obrigatório o exame para verificar a trombofilia em postos de saúde e hospitais da rede pública de São Paulo. O projeto está atualmente em análise na Comissão de Finança, Orçamento e Planejamento.

Eluf ressalta que não é possível evitar a condição de trombofilia, por isso a importância do diagnóstico precoce de modo a se antecipar às complicações geradas em função dela. “Sou totalmente favorável aos projetos que facilitam o acesso aos exames de rastreio das trombofilias, mas seguindo protocolos de atendimento que racionalizem seu uso a quem realmente precise.”

 

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