Criança

Medo do escuro, quem nunca teve? Só não dá para o seu filho viver assim!

A gente te ajuda a encontrar a melhor maneira de lidar com isso

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

Monstros, fantasmas, escuro… Quem nunca temeu todas essas coisas na infância? Muitas vezes pode não parecer, mas o medo é positivo em vários aspectos. “É um mecanismo de defesa, um instrumento que o ser humano tem para se proteger. Em doses equilibradas ele é saudável e nos mantém vivos”, explica Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil, mãe de Ariel e Alicia.

Na prática, ele evita que nós nos coloquemos em situações de risco. Se você não tem medo de se queimar, colocaria a mão no fogo, por exemplo. Ou seja, se seu filho tem medo, não significa que há algum problema com ele. Para o pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum, pai de Patrick, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, faz parte do desenvolvimento e é um alarme do cérebro para alertar que existe um perigo.

É normal que seu filho sinta um desconforto na hora de dormir, principalmente no escuro. Deborah explica que o medo só se torna um problema quando interfere nas relações sociais e no dia a dia de forma excessiva, fazendo com que a criança se torne refém desse sentimento. Então não se preocupe com temores pontuais, mas fique atento àqueles que atrapalham a vida.  

Anúncio

FECHAR

Quando muito pequenas, as crianças ainda não sabem diferenciar realidade de imaginação. Por isso, quanto menor for seu filho, mais provável é que ele tenha um medo originado da imaginação. Na medida em que ele cresce, os temores passam a ser mais concretos.

A primeira coisa que você deve considerar é que, na fase da fantasia, não adianta dizer que monstro não existe. É a mesma coisa que falar para alguém que tem medo de filme de terror que aquilo é um set de filmagem. Com as crianças, o ideal é usar recursos lúdicos. Deborah conta que seu filho Ariel tinha medo de um desenho de monstros quando era pequeno. Para lidar com isso, ela entrou na imaginação junto com ele.

Enquanto ele tinha medo de que um monstro entrasse no apartamento, ela dizia: “Quando o monstro chegar, o porteiro vai interfonar e perguntar se o Ariel convidou o monstro. Aí a gente vai falar que não e ele vai voltar para a casa dele. Depois, a mãe dele vai ficar muito brava porque não se vai à casa dos outros sem ser convidado”. Isso funcionava para que o menino ficasse mais tranquilo.

De acordo com a neurocientista Mônica Salomão, filha de Inalda e Luiz, os medos mais relatados pelas crianças pequenas são os causados por seres imaginários, como monstros e fantasmas, animais, na maioria das vezes devido a um episódio de acidente, medo de ficar sozinho e de se machucar. Você, provavelmente, pode reconhecer um desses no seu filho.

O medo sempre vai fazer parte da vida, o que muda é a intensidade, o tipo de receio e nossa forma de lidar com ele. Por isso, sem dúvidas, é bom saber que tem um adulto acolhendo e levando a sério sua angústia. Crianças precisam se sentir protegidas e amparadas para se desenvolverem de maneira saudável.

Uma medida que você pode adotar é contar para seu filho os temores que você tinha na idade dele. Esse compartilhamento causa identificação e passa a sensação de que ele não está sozinho e que alguém o entende. Mostrar que você passou pelo mesmo que ele e superou dá a ideia de que a fragilidade não é uma coisa exclusiva dele.

*Por Rafaela Carrilho, filha de Joana e Alfredo

Leia também:

7 dicas para ajudar as crianças a perderem o medo de ir ao médico

9 dicas para ajudar as crianças a perderem o medo de Matemática

10 coisas que não devemos ter medo de dizer aos filhos

Pais&Filhos TV