Criança

Dislexia não é um bicho de sete cabeças: entenda o transtorno que afeta 10% da população mundial

Definida de forma simples, dislexia é a dificuldade de anexar letras aos sons da linguagem falada - Freepik
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Publicado em 17/03/2023, às 12h00 - Atualizado em 21/03/2023, às 08h38 por Redação Pais&Filhos


Esas fasre rpretesena a viãso de uma posesa com dxiseila. Não entendeu a frase anterior? Erramos de propósito, para que você possa ter a ideia de como um disléxico se sente ao ler um texto. Ali no começo está escrito “Essa frase representa a visão de uma pessoa com dislexia”, pode conferir, todas as letras estão ali, mas é difícil de ler, quase impossível.

Segundo dados estatísticos, a cada dez alunos em sala de aula, dois têm dislexia em algum nível. O problema está no diagnóstico, que muitas vezes não é realizado. A criança disléxica que não passa por acompanhamento profissional acaba sendo taxada como preguiçosa, burra e até chega a sofrer bullying dos colegas de sala. Mas a dificuldade é genuína e merece atenção.

“Descobri que o Luiz tem dislexia no começo da idade escolar, na época da alfabetização, no terceiro ano. Ele começou a apresentar dificuldades na escola, de leitura e escrita”, conta Alessandra Cartolano, mãe de Luiz e Ana Luisa. Antes mesmo de o menino apresentar essas dificuldades, ele já demonstrava sinais de ser uma criança de risco, como são denominadas aquelas que podem vir a ser disléxicas. Esses sintomas aparecem desde cedo e alguns sinais podem ajudar a identificar o transtorno de aprendizagem. Quando a criançaem fase pré-escolar é muito dispersa, tem pouca atenção, sente dificuldade em aprender rimas ou canções, possui fraco desenvolvimento da coordenação motora, falta de interesse por livros, pode significar que ela tenha algum grau de dislexia.

Obviamente, apresentar esses sintomas não qualifica um diagnóstico claro, há outros fatores a serem observados, mas certamente essa criança precisa de mais estímulos e atenção na hora do aprendizado. Além disso, nós, pais, somos responsáveis por observar os sintomas, mas quem deve avaliar é o médico. Sempre!

Cada quadro é um caso

Como explica a dra. Maria Angela Nico, mãe de Alessandra, Andrea, João Cristiano e Luiz Rodrigo, fonoaudióloga, psicopedagoga clínica, que atuou como presidente científica da Associação Brasileira de Dislexia, existem três níveis diferentes de dislexia. Em um quadro leve, a criança consegue ser alfabetizada, exigindo apenas um maior esforço. A dislexia média na maioria das vezes não permite que a criança se desenvolva sem um acompanhamento, precisando de ajuda profissional. Já nos casos severos, não são capazes de aprender a ler ou escrever. Além disso, existem três tipos de quadro. A dislexia visual, que resulta na troca de letras visualmente parecidas, como “b” e “d”, e acontece por causa de problema com a orientação espacial. Já nos casos auditivos, a troca se dá entre fonemas próximos, ou seja, aquelas letras que soam muito parecidas, como “m” e “n”. Por fim, existem os casos mistos, com um quadro visual e auditivo.

A dislexia, que é responsável por 80% a 90% de todas as deficiências de aprendizagem, também tem um componente genético, portanto, filhos de pais disléxicos têm maior probabilidade de desenvolver a deficiência
A dislexia não é uma doença e muito menos uma deficiência, é um transtorno de aprendizagem, um funcionamento diferente do cérebro (Foto: Getty Images)

Quem pode ter dislexia?

A dislexia não é uma doença e muito menos uma deficiência, “é um transtorno de aprendizagem, um funcionamento diferente do cérebro. Disléxicos são muito quietinhos e costumam se sobressair em alguma área”, explica a dra. Maria Angela. Apesar da dificuldade na hora de aprender, quem tem dislexia geralmente é bastante inteligente, já que possui um enorme potencial em diversas áreas do conhecimento. Outra coisa importante que você deve saber sobre a dislexia é que é um transtorno genético, costuma ser passado entre gerações. Se o pai tem dislexia, provavelmente o filho terá e o neto também. A vantagem nesse processo é que a família não é pega desprevenida, sabendo como tratar e acompanhar o caso.

Tratamento diário

Esse distúrbio de aprendizagem não tem uma cura. Quem nasce disléxico permanecerá assim para o resto da vida, mas calma: se seu filho for diagnosticado com dislexia e fizer o acompanhamento e os tratamentos disponíveis, a melhora chega a ser de até 90%. Por isso, quanto antes for identificada, melhor será para a criança. Normalmente, o quadro começa a ser percebido na fase da alfabetização, quando a criança tem o primeiro contato com a leitura e a escrita. O tratamento pode ser iniciado com uma fonoaudióloga, que vai lidar com a formação dos sons. Depois, o acompanhamento pode ser feito com o pedagogo ou até o psicopedagogo, tudo de acordo com o quadro apresentado e o nível de dislexia da criança.

Apoio institucional

No Brasil, existe a lei nº 14.254/21 que prevê o acompanhamento integral de estudantes com dislexia, Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem. A partir dela, escolas das redes pública e privada devem garantir acompanhamento específico a esses estudantes, direcionado à dificuldade e da forma mais precoce possível. Segundo Juliana Amorina, Diretora Presidente do Instituto ABCD, fonoaudióloga e mestre em saúde da comunicação humana, a lei tramitou durante treze anos na Câmara e no Senado.

“O projeto prevê que as escolas garantam aos professores da educação básica, a capacitação adequada para identificar os primeiros sinais relacionados aos transtornos de aprendizagem, assim como para o atendimento educacional escolar dos estudantes. A nova legislação garante a perspectiva do atendimento integral ao educando com dislexia. Antes da lei, a condição estava vinculada ao diagnóstico e ao tratamento ou à inclusão escolar. Agora, a lei une os dois lados e é fundamental que seja assim, porque o indivíduo funciona de forma integrada”, explica. Hoje, alguns estados e municípios brasileiros têm legislação específica para garantir os direitos da pessoa com dislexia e outros transtornos da aprendizagem: Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro são alguns deles. Somente no estado do Mato Grosso são sete leis em torno do tema.

(Foto: Getty Images)

Parceria entre família, professores e escolas

De acordo com Juliana, o professor é um importante aliado no processo de identificar os primeiros sinais da dislexia. “Identificar o risco de dislexia é fundamental porque o cérebro da criança pequena ainda é mais plástico e isso permite que ela se beneficie mais de uma intervenção. Além disso, a cada ano que passa, a criança fica mais atrasada e precisa compensar milhares de palavras não lidas para tentar alcançar seus colegas”, defende.

A conversa sobre a dislexia e outros transtornos de aprendizagem sempre levanta dúvidas sobre como a escola deve lidar com alunos, que podem apresentar dificuldades em matérias e provas: o aluno pode reprovar de ano, por exemplo? “Quando falamos em inclusão na atualidade, é necessário analisar o impacto da condição diagnóstica na vida da pessoa para verificar as barreiras e os facilitadores presentes na sociedade e o quanto elas interferem positiva e negativamente na participação e no exercício de atividades. Cabe à equipe que acompanha o aluno, incluindo o professor de sala de aula, apontar as adaptações que a Instituição de ensino adotará para atender as necessidades educacionais do aluno. Assim como qualquer aluno, um disléxico pode sim ser reprovado de ano, desde que observadas e atendidas suas necessidades educacionais”, explica Juliana.

Não desanime

O papel dos pais não se restringe à busca de especialistas no caso, tratamentos e suporte da escola. A autoestima da criança disléxica fica muito abalada e cabe aos pais ajudá-la a superar e enfrentar. “Cuidar da autoestima é muito importante, porque fica abalada. Você vê que é uma criança esperta, inteligente, mas tem dificuldade”, nos conta a mãe de Luiz, ao relatar que o maior problema não está na aceitação da família e dos colegas, mas dele mesmo em relação à sua dificuldade de aprendizagem. Os pais devem sempre estar atentos, e não é fácil. Procure sempre exaltar as qualidades do seu filho, para que ele saiba o quão inteligente é e tudo o que pode conquistar com suas qualidades e habilidades.

Apoio institucional

No Brasil, não existe uma escola específica para crianças com dislexia, mas a maioria está preparada para receber esses alunos. Como não tem uma lei específica para regulamentar as exigências, cada um lida de uma forma. Entretanto, não pense que esse quadro é desculpa para corpo mole! “Alunos com dislexia podem, sim, repetir de ano. Mesmo sendo muito inteligentes, precisam de ajuda, mas são extremamente capazes, só têm que se esforçar mais que os outros colegas”, defende a dra. Maria Angela. Hoje em dia, disléxicos já conseguem inclusive passar em vários vestibulares. As provas são feitas em salas individuais, com o auxílio de profissionais capacitados, que leem as questões para o aluno.

Todo mundo participa

O maior esforço deve partir da criança, afinal, é ela que precisará aprender a ler e escrever apesar de suas dificuldades. Porém, os pais devem estar sempre presentes, sendo positivos, pacientes, perseverantes e, principalmente, atentos. Com essa combinação de fatores, a dislexia deixa de ser um grande bicho de sete cabeças e passa a ser uma pequena montanha a ser escalada.

Atenção

Os tipos de letra que facilitam a vida de uma criança com dislexia são “Arial 11” e “Times new Roman 12”. Além disso, as avaliações escolares podem ser complementadas com desenhos e provas orais.

1+1: O disléxico tem muita dificuldade em aprender outras línguas, por causa da grafia e dos sons. Assim como na matemática, a dificuldade está na compreensão de problemas. Além disso, eles enfrentam problemas com a memória, ou seja, tabuada e operações de divisão se tornam mais complexas.


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