Colunas / Família: fábrica de gente

Superproteção desprotege, sabia?

Getty Images
Getty Images

Publicado em 29/08/2019, às 14h49 por Regina G Politi


(Foto: Getty Images)

Superproteção, proteção ou desproteção? Eis a questão!

Quando nos tornamos pais e mães, temos uma questão importante a observar no cuidado aos nossos filhos.  Quanto proteger? Proteger é cuidar, mas superproteger ultrapassa a medida do cuidar. Então, qual a medida mais próxima da necessidade dos filhos?

As perguntas que habitam nas mães é mais ou menos assim: “Será que estou superprotegendo meu filho, impedindo que ele tenha mais liberdade para experimentar, mesmo que se machuque, e algo pior aconteça? Será que deixo ele subir a escada mesmo que venha a cair? O quanto devo proteger meus filhos das frustrações da vida? O quanto devo deixar ele se frustrar e se aborrecer?”.

Em geral, superprotegemos ou desprotegemos – polos opostos, e dificilmente vamos acertar na dose protetiva. Até porque, só se torna pai e mãe no exercício da função e não antes disso acontecer, pois é um processo de desenvolvimento relacional. Antes da vivência prática propriamente dita somos apenas “teóricos” e idealistas demais na expectativa da função parental.

Infelizmente ou felizmente vamos replicar e atuar – o que quer dizer que vamos repetir ou fazer o oposto – a partir dos modelos que tivemos com nossos pais, que são a nossa matriz de identidade familiar. Infelizmente, quando a experiência não foi saudável e, felizmente quando as coisas foram na medida suficiente.

A maior dificuldade dos pais e mães é avaliar a real necessidade biopsicossocial dos próprios rebentos. Sem dúvidas temos uma relação intensa e profunda com nossas crias, o que nos impede, por princípio, de visualizar e autoidentificar os excessos e faltas da relação.

Somadas às dificuldades acima colocadas, que são modelo da matriz familiar herdada + relação simbiótica (que se refere à ligação inicial emocional com os filhos) não é difícil imaginar o desafio dos pais – principalmente em relação ao primogênito, que é filho da inexperiência parental. É muito frequente que os primogênitos sejam superprotegidos.

Isto posto, é necessário que se entenda essas variáveis que influem enormemente no seu perfil de proteção filial. E, através de uma conscientização, ir calibrando para mais ou para menos a relação com seu filho.  Já que filhos superprotegidos são uma lástima em termos de desenvolvimento emocional, afetivo, funcional e filhos desprotegidos também serão sequelados pela vida inteira. Uma das principais fontes da autoconfiança e da autonomia dos filhos passa pela qualidade e nível de proteção e controle dos pais.

Mães suficientes, já ouviram falar?

A medida da proteção mais claramente definida, a meu ver, foi feita pelo Dr. D W. Winnicot*, que apresentou cientificamente o conceito da “mãe suficiente”. De uma forma mais resumida, é claro, a melhor situação para o desenvolvimento do seu filho é ter pai e mãe suficientes.

Ele nos mostra que mãe “demais” atrapalha tanto quanto mãe “de menos”. Ou seja, mães que exageram e superprotegem, criam filhos inseguros, problemáticos, são os filhos das ‘mãezites’ (mãe “infectada” pelo excesso de proteção). Assim como a mãe insuficiente, que acaba negligenciando ou até rejeitando (mesmo que inconscientemente) as necessidades dos filhos, por questões severas no histórico de vida da própria mãe e/ou pai na relação com seus progenitores.

Existem várias maneiras de avaliação e reconfiguração do nível de proteção e cuidado parental para que seja suficientemente boa. Por isso, minhas recomendações são:

  • Grupo de mães e/ou de pais: são grupos com periodicidade mensal ou quinzenal, com pautas escolhidas pelo próprio grupo, que discute dificuldades com os filhos;
  • Aconselhamento familiar: os pais marcam um diagnóstico com um psicoterapeuta familiar, que poderá, em conjunto, construir tarefas e metas de desenvolvimento do papel genitorial;
  • Entre outras maneiras especializadas, que são ferramentas disponíveis para cada situação em particular.

Perguntas, dúvidas, reflexões serão sempre bem-vindas e podem ser feitas pelo e-mail: [email protected]

Acesse também meu site para conhecer minha carreira e experiência clínica com crianças, adolescentes, pais, mães e famílias em geral: www.reginapoliti.com.

Leia também

Dia dos Pais: e a cadeira do papai, está vazia?

Birra é o seu filho dizendo: “Não sei lidar com isso sozinho, me ajuda!”

Autonomia x superproteção: como encontrar o caminho do meio


Palavras-chave

Leia também

Foto: Reprodução/Instagram

Família

Paula Fernandes revela estar com doença: "Tenho apenas alguns dias de vida"

Gisele Bündchen e Joaquim Valente - Reprodução: Instagram

Família

Gisele Bündchen termina namoro após piada do ex-marido

Nahim e a filha não se falavam desde 2019 - (Foto: Reprodução/ Instagram)

Família

Entenda o motivo da filha de Nahim ter sido proibida de ir ao velório do pai

Ex-esposa do cantor falou qual a real causa da morte de Nahim - (Foto: Reprodução/ Instagram)

Família

Ex-esposa de Nahim fala qual foi a verdadeira causa da morte do cantor

Os nomes japoneses femininos são lindos, fortes e possuem significados encantadores - Getty Images

Bebês

Nomes japoneses femininos: 304 opções lindas para você conhecer

O momento da escolha do nome é superespecial e deve ser vivido com muito carinho pela família - Getty Images

Bebês

210 nomes masculinos para bebês: ideias fortes (e lindas!) para você chamar o seu filho

Se você procura um nome de menina, aqui estão 180 ideias diferentes - Pexels/Moose Photos

Bebês

180 nomes femininos diferentes: ideias de A a Z para você chamar a sua filha

De A a Z: confira os nomes femininos americanos para te inspirar - Getty Images

Bebês

Nomes americanos femininos: mais de 1000 opções diferentes para você se inspirar