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Silicone x Amamentação: saiba o que é mito ou verdade e tire suas dúvidas

As próteses não oferecem risco geralmente, mas é preciso tomar cuidado

Isabela Kalil de Lima

Isabela Kalil de Lima ,Filha de Kátia e Fabio

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(Foto: Shutterstock)

Amamentação é um assunto que costuma gerar ansiedade. Mesmo parecendo um processo natural, algumas mães precisam de um pouco mais de tempo e cuidado para aprender.  O caminho para a decisão de colocar silicone também é cheio de questionamentos. Muitas mulheres querem fazer a cirurgia plástica, mas ficam em dúvida se poderão ou não amamentar.

Mas será que quem tem silicone não pode amamentar?

Na maioria dos casos, o silicone não causa problema, nem impede a amamentação porque não costuma alterar a estrutura da mama, apenas o tamanho e o formato. Isso, no entanto, se a prótese for colocada pela base da mama ou pela axila. Se ela for colocada pelas aréolas, os ductos mamários (canais que levam o leite das glândulas até o mamilo) podem ser atingidos.

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“A cicatriz, formada ao longo do trajeto para colocação da prótese, atravessa a glândula mamária, alterando a continuidade dos ductos”, explica o cirurgião plástico Rodrigo Rosique,  pai de três filhos. Isso quer dizer que não afeta a produção de leite, mas a passagem dele das glândulas para o mamilo.

Posição para amamentar: muda pra quem tem silicone? 

A enfermeira Soyama Brasileiro, mãe de Matheus, Lucas e Marina confirma: a posição adequada é aquela em que a mãe se sentir mais confortável! Seja no estilo cavalinho, com a mãe deitada ou sentada com o bebê de frente para a mama, o importante é se sentir bem.

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A especialista, coordenadora de Aleitamento da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, faz uma observação diferente em relação a cuidados específicos que a mulher deve ter no terceiro e no quarto dia após o nascimento do bebê. Nesse período, a produção de colostro, primeiro leite, aumenta. “Por isso, a mãe deve fazer um teste e tocar nas aréolas antes de amamentar. Elas devem estar macias para o bebê pegar”, ensina.

Colocar a prótese de silicone atrás da glândula mamária pode causar dificuldade na amamentação?

Isso é um mito. A posição da prótese e o perfil (alto ou superalto, por exemplo) e o formato (cônico, redondo e oval) não interferem nos ductos mamários.

Em contrapartida, um procedimento que precisa ser analisado com cuidado por quem tem vontade de amamentar é quando o silicone é associado à mastopexia (quando se retira o excesso de pele dos seios) ou à mamoplastia redutora (redução dos seios) porque eles alteram, sim, a estrutura da mama. “Haverá alteração da anatomia e integridade da glândula mamária, além de incisão ao redor da aréola para elevá-las”, afirma o especialista. Quando maior a redução do seio ou a retirada de pele, maior a transformação e as chances da amamentação ser prejudicada.

Esses são os tipos de incisão da prótese de silicone. Nenhum deles impede a amentação (Foto: Shutterstock)

Esses são os tipos de incisão da prótese de silicone. Nenhum deles impede a amentação (Imagem: Shutterstock)

Também é preciso ficar de olho no período entre a colocação da prótese e o aleitamento por conta das possíveis complicações. Infecção e acúmulo de sangue, seroma ou leite ao redor da prótese são problemas que podem ocorrer, geralmente, após seis meses de cirurgia. “O que reforça a orientação de não associar prótese e amamentação”, acrescenta o cirurgião plástico.

A contratura, uma complicação decorrente das próteses de silicone, é uma das únicas que não aparecem nos seis primeiros meses depois da operação. É comum que nosso organismo forme uma espécie de casca em volta da prótese.

“Essa cápsula pode, com o tempo, ficar grossa e vai encolhendo e causando deformidades no seio”, esclarece o cirurgião plástico Wendell Uguetto, pai de Paola e Pietra e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. É uma situação incômoda e pode dificultar a amamentação por conta da dor, mas não influencia na produção de leite.

Se algumas dessas complicações acontecer, quais são alternativas?

Caso você não consiga amamentar o seu filho, o mais indicado é oferecer as fórmulas de leite hidrolisado, segundo a nutricionista Maria Flávia Sgavioli, filha de Cecília e Tadeu. Os leites de vaca comuns possuem um teor de proteína que organismo do bebê ainda não consegue digerir e pode causar irritações de pele, cólica e refluxo.

“A fórmula tem as proteínas do leite quebradas. Isso significa que elas já estão quase toda digeridas para facilitar o processo para o bebê”, explica a especialista da Estima Nutrição.

A quantidade que a bebida será dada vai depender da orientação do pediatra e da disponibilidade da mãe. Alguns médicos indicam amamentação por livre demanda e outros recomendam que o bebê mame de 3 em 3 horas durante o dia e de 4 a 6 horas de madrugada, ainda de acordo com a nutricionista.

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