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Transtorno bipolar tipo maníaco é o mais comum em crianças

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Publicado em 30/03/2018, às 16h13 - Atualizado em 03/04/2018, às 13h26 por Redação Pais&Filhos


Transtorno bipolar parece ser coisa de adulto, mas pode afetar seu filho também.  Essa doença, caracterizada por uma desregulação no funcionamento do sistema nervoso, é capaz de alterar o comportamento da pessoa em dois extremos (por isso o nome “bipolar”): ou ela fica depressiva ou acelerada. “Mas não é apenas o humor que muda, é mais complexo que isso”, alerta Diego Tavares, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo e filho de Sonilda e Wasthon.

Há dois tipos de transtorno bipolar. O mais comum em crianças é o denominado Tipo I Maníaco, que altera completamente o comportamento, deixando o indivíduo muito acelerado. No entanto, nem sempre as crianças ficam eufóricas, ranzinzas, explosivas ou agressivas, o que dificulta ainda mais o diagnóstico.  Por isso, é preciso estar atento a todas as mudanças de conduta. Até porque há o risco de suicídio em crianças a partir de 8 anos, pois, a partir dessa idade, começa-se a entender situações não  visíveis, como a vida e a morte.

Conheça os dois tipos de transtorno bipolar

Tipo I Maníaco: É mais raro, ocorre em apenas 1% da população e tem uma herança hereditária maior. A pessoa tem crise maníaca e se altera totalmente. “Fica acelerada, ‘ligada no 220 volts’ por uma desregulação da cabeça. Não dorme durante o dia, fica falante, agitada, com o humor desinibido, conversa com pessoas estranhas, passa por situações vexatórias, tem compulsão por gastos,  sexo, jogos, drogas, álcool”, explica o psiquiatra. Esse perfil é muito reproduzido em livros e filmes.

Tipo II: É mais depressivo e comum.  Atinge 8% da população e demora de 10 a 14 anos para ser diagnosticado. Se diferencia da depressão clássica pelo fato de ser uma doença de altos e baixos. O indivíduo fica anos com quadro de  depressão e melhora muito rápido. Ao contrário da própria depressão que é mais constante e demora mais tempo depressivo para a pessoa melhorar.

Transtorno bipolar X depressão

É comum confundir transtorno bipolar e depressão. Isso ocorre porque as duas alterações afetam “os impulsos e o nível de energia, fazendo as pessoas se sentirem dispostas ou cansadas”, acrescenta Diego. Mas há diferenças: “na depressão, os impulsos sofrem uma queda, por isso a pessoa fica mais desmotivada. Já no transtorno pode acontecer o oposto, ou seja, a pessoa fica muito acelerada, toma decisões impulsivas”, completa o especialista.

Outro ponto distinto é a velocidade e a quantidade de pensamento. Na depressão, há uma redução; transtorno, acelera. “A pessoa pensa muito mais, se sente agitada, acelerada, tem menos concentração, dificuldade de memorização, não consegue dormir, troca o dia pela noite. Tem gente que passa o dia dormindo e a noite acordado”, diz.

Diagnóstico

Para ter um diagnóstico precoce, você tem que ficar ligado ao comportamento do seu filho. Se ele gosta de esporte, de se arrumar, sair e agora não quer mais, fica tímido (e não por ser da personalidade), mais irritado. Ele não vai saber identificar porque está se sentido daquele jeito e pode ficar ainda mais confuso. Pode perder a vontade de viver, por isso é importante conversar abertamente sobre todos os tipos de problemas, para estimular seu filho a se abrir.

Se um dos pais ou os dois são diagnosticados com transtorno bipolar pode facilitar o diagnóstico porque é uma doença genética. “Mas pode acontecer dos pais não saberem que têm transtorno bipolar.”

O tratamento, segundo Diego, é com uso de reguladores\estabilizadores de humor e psicoterapia. “É assim que a pessoa vai aprender a identificar as próprias alterações de humor e comportamento e presumir consequências negativas na própria vida.” A doença bipolar não escolhe idade, sexo, raça, orientação sexual, profissão, nível socioeconômico. É uma realidade e precisa de atenção.

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