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Será que o glúten é mesmo o vilão do emagrecimento?

Essa proteína tem causado polêmica, mas nem sempre faz tão mal assim

Redação Pais&Filhos

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(Foto: Shutterstock)

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Quando o assunto é alimentação dos nossos filhos, a gente está quase sempre atrás de saber o que tem de melhor e mais novo na indústria alimentícia. Vira um corre-corre para descobrir o que é bom e o que é ruim. Nos últimos meses (ou anos), você com certeza já leu, ouviu ou assistiu algum conteúdo falando sobre o glúten. Acusações de um lado, defesas do outro, ele vem sendo manchete, especialmente quando a discussão envolve uma dieta gluten free (sem glúten) – bastante adotada por celebridades em busca do corpo perfeito. Aí nos perguntamos: afinal, ele é vilão ou mocinho?

Segundo essa dieta, eliminar os alimentos que contenham o glúten ajuda na redução de gorduras, além de trazer bem-estar e leveza. Mas, para começo de conversa, o que é esse nutriente? Devemos realmente tirá-lo da mesa da família? Todo mundo deve fazer essa dieta gluten free? Bom, vamos lá…

O glúten é composto pela mistura de duas proteínas chamadas gliadina e glutenina, que são encontradas naturalmente na semente de muitos cereais como trigo, cevada (também no subproduto da cevada, o malte) e centeio. Normalmente, não pensamos muito sobre isso, mas grande parte do que consumimos possui o famoso glúten, especialmente quando falamos de produtos que são feitos com farinhas, como pães, macarrão e bolachas.

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A ONG americana Kids Health enumera alguns dos pratos que contêm essa proteína – e, ao observarmos, percebemos que estão bastantes presentes em nosso cotidiano – como caldos prontos, alimentos empanados, bolos de farinha, batatas fritas, alguns molhos de carne e tomate, carnes processadas (os embutidos), molhos para salada, condimentos, alguns chás de ervas e cafés aromatizados, chocolates e até alguns iogurtes. Nem a hóstia entregue aos fiéis durante as missas da Igreja Católica escapa da lista: sim, ela tem glúten!

Quando ingerimos algum alimento que contenha glúten, ele será digerido apenas no intestino delgado, ou seja, é uma proteína de difícil absorção. Em uma pessoa sem intolerância, esta proteína é inofensiva, contudo, naquelas pessoas que apresentam problemas, pode acabar desencadeando uma inflamação. “Caso haja um quadro de celíaca ou sensibilidade, o glúten pode acabar achatando as vilosidades (dobras) do intestino, ou seja, atrapalhando a absorção de nutrientes e alterando o sistema imunológico da pessoa”, explica a nutricionista Aline Hippólito, filha de Luizio e Dayse.

Segundo a nutricionista, em caso de doença celíaca (intolerância) diagnosticada pelo médico, a exclusão do glúten da dieta deve ser imediata, uma vez que, com o distúrbio inflamatório permanente, podem acontecer desordens à saúde como diarreia crônica, desnutrição com déficit do crescimento em crianças, anemia não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (que é a barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição e, em casos mais graves, até câncer intestinal. Mas essas regras não são gerais, a recorrência dessa doença atinge 1% da população mundial.

Restrição para quem?

Já deu para perceber que há muitas acusações sobre o trigo – ou glúten – sobre supostos malefícios e, por isso, recomendam-se novos hábitos, às vezes bem radicais. Entretanto, o glúten não é vilão para quem não é celíaco. Afinal, ele é a parte proteica do trigo. Mas se ele não faz mal, aparece a pergunta: por que todo mundo emagrece quando corta esse nutriente do cardápio?

“As pessoas acabam consumindo alimentos de um grupo só. Quando você retira o pão, também acaba deixando de consumir, por exemplo, os frios, que são calóricos e têm bastante sódio. Obrigatoriamente, a pessoa vai ficar com uma alimentação mais saudável”, explica a nutricionista da Abitrigo e Presidente da Associação Paulista de Fitoterapia, Vanderli Marchiori, tia-avó de Fernando, Catarina e Maria Clara.

Pensando nisso, fica claro que a dieta gluten free nunca deve ser feita sem uma avaliação prévia para detecção de alergia ou hipersensibilidade à substância – e deve ser acompanhada por médicos e nutricionistas.  Então, nada de sair por aí excluindo nutrientes. “Não é todo mundo que é atingido por este problema e, portanto, não serão todos que se beneficiarão da exclusão do glúten”, enfatiza a nutricionista do HC-FMB/UNESP, Natália Baraldi Cunha, filha de Gilberto e Mariluci.

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