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Coronavírus: estudo sugere que ter anticorpos da doença não garante imunidade

Ter anticorpos contra o coronavírus não provam imunidade à Covid-19, apenas que a pessoa foi exposta à doença - Reprodução/Getty Images
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Publicado em 17/05/2020, às 07h06 - Atualizado às 07h18 por Marina Paschoal, filha de Selma e Antonio Jorge


Ter anticorpos contra o coronavírus não provam imunidade à Covid-19, apenas que a pessoa foi exposta à doença (Foto: Reprodução/Getty Images)

Um estudo feito por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostrou que ainda não se sabe se os anticorpos específicos contra o coronavírus garantem proteção contra a doença, segundo O Globo. Ou seja, eles não provam imunidade à Covid-19, apenas que a pessoa foi exposta à doença.

“Só os anticorpos não explicam a resposta do sistema imunológico à Covid-19. Mortos pela doença tinham anticorpos e nem por isso sobreviveram”, explicou Daniel Tabak, oncologista e hematologista, à reportagem. Ele faz parte da comissão de especialistas do governo do Estado do Rio no combate ao coronavírus.

Para se ter ideia, a pesquisa, que analisou resultados de testes de 648 pessoas e 1.536 amostras, chegou à conclusão de que a maioria das pessoas que tiveram a doença só vão desenvolver os anticorpos específicos após 20 dias dos primeiros sintomas.

Os números de testes avaliados, segundo Orlando Ferreira, professor de imunologia e um dos coordenadores do Laboratório de Virologia Molecular (LVM/UFRJ), onde são feitas as análises, este é um dos estudos mais expressivos do mundo.

Segundo Amílcar Tanuri, virologista e também coordenador do laboratório, apenas 30% das pessoas analisadas e que apresentavam os anticorpos estavam realmente protegidas da doença – e isso porque para oferecer proteção, o anticorpo precisa impedir que o vírus entre na célula e somente alguns fazem isso.

Os testes de sorologia existentes no mercado hoje não conseguem diferenciar os tipos de anticorpos – se eles conseguem impedir o vírus de entrar ou não. Estudiosos do mundo todo tentam desenvolver esse tipo de exame.

E tem mais: o estudo também mostrou que 40% das pessoas continuam positivas em testes moleculares mesmo depois de 15 dias do início dos sintomas, o que pode demonstrar que elas continuam contagiosas mesmo sem os sintomas. E o dado serve de alerta, pois atualmente o prazo de quarentena para pessoas com a doença é de 14 dias.

Segundo a reportagem,  os cientistas estão convencidos de que a imunidade celular é muito importante, mas ainda não é possível saber quem é imune e quem é vulnerável.

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