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7 conversas para ter com o seu filho durante o jantar em família antes dele completar 10 anos

Você quer receber mais do que ‘tudo bem’ quando pergunta ao seu filho como foi o dia dele. Para isso, uma dica boa é começar a conversa contando sobre o seu próprio dia - Getty Images
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Publicado em 26/04/2022, às 07h20 por Redação Pais&Filhos


Jaime Alter, uma mãe que mora em Chicago, nos Estados Unidos, sabe que pode ser quase impossível fazer seus dois filhos, de 7 e 9 anos, se abrirem. “Costumava ser que eu perguntava a eles ‘Como foi seu dia?’ e então vinha a resposta padrão: ‘Foi bom’”. Ela queria ter conversas mais profundas com os filhos, mas não sabia como. Se essa situação te soa familiar, Sarah J. Lynn, Ph.D., e psicóloga licenciada que trabalha no Livingston Center for Enrichment, uma clínica especializada em Nova Jersey, sugere fazer uma pergunta mais direta do que apenas ‘como foi seu dia?’.

Em vez disso, pergunte: ‘o que te deixou feliz ou te fez rir hoje?;’ E lembre-se: a consistência é a chave. “O horário consistente das refeições em família podem fornecer segurança e também criar oportunidades para interações positivas entre pais e filhos, e a família de modo geral”, diz Dra. Lynn. “Se o jantar durante a semana não for conveniente, encontre outro horário como o café da manhã ou nas refeições juntos no fim de semana”.

Depois de encontrar o melhor momento em família, certifique-se de ouvir o que seu filho tem a dizer. “Mostre a ele que você está ouvindo ao que ele está te contando, e você pode demonstrar isso ao fazer perguntas ou refletindo sobre o que ouviu”, diz Dra. Lynn. “Se ele tiver alguma preocupação ou problema, não diga imediatamente o que dele deve fazer. Incentive-o a encontrar algumas soluções por conta própria primeiro. Em seguida, sugira outras opções se estiverem tendo dificuldade em descobrir a melhor maneira de lidar com a situação”.

Você quer receber mais do que ‘tudo bem’ quando pergunta ao seu filho como foi o dia dele. Para isso, uma dica boa é começar a conversa contando sobre o seu próprio dia (Foto: Getty Images)

Você também pode tentar iniciar uma conversa sem fazer perguntas. Comece compartilhando as atividades do seu dia, incluindo aqueles momentos que te fizeram rir ou sorrir. “Você quer que seus filhos se sintam bem nesses momentos familiares”, diz Patricia Harte Bratt, Ph.D., e diretora da Academia de Psicanálise Clínica e Aplicada (ACAP). “Não é o momento de trazer problemas, críticas ou forçar alguma coisa. Quanto mais você puder modelar uma atitude curiosa e exploradora, mais seu filho se sentirá seguro se revelando a você”.

A mãe do início da reportagem contou que teve respostas muito mais detalhadas de seus filhos quando mudou sua abordagem para iniciar conversas. Agora que você sabe como fazer seu filho falar, aqui estão algumas conversas que são importantes para ter em família. E lembre-se, nenhum tópico deve ser considerado ‘zona proibida’.

Notícias do mundo

Dra. Lynn diz que alguns assuntos podem ser assustadores, mas é provável que seu filho seja exposto a eles em conversas com seus colegas, ao ouvi-los na TV ou assisti-los nas redes sociais. Em geral, se seu filho perguntar sobre tópicos de notícias como incêndios, acidentes ou tiroteios em escolas, por exemplo, mantenha a conversa alinhada aos níveis de desenvolvimento dele. Pergunte o que ele ouviu e se tem alguma preocupação. Lembre-se de reforçar ao seu filho de que ele está seguro e protegido, mesmo que não tenhamos todas as respostas.

Mudanças climáticas

Quando se trata de mudança climática, discuta todas as coisas que vocês podem fazer em família para ajudar o meio ambiente. Pense em maneiras de economizar energia, como desligar as luzes ao sair de uma sala, por exemplo. Sugira escolher garrafas de água reutilizáveis para limitar os plásticos de uso único. Coloque uma lixeira em sua cozinha para encorajar seus filhos a reduzir o desperdício. Se identificarmos maneiras de resolver um problema, isso pode ajudar as crianças a se sentirem de alguma forma no controle e que estão fazendo a diferença.

Necessidades especiais e deficiências

“Ao considerar crianças com necessidades especiais, muitas vezes nos concentramos no que os torna diferentes de nós, ao invés de no que nos torna todos iguais,” diz Dra. Lynn. “Ajude seu filho a ver como ele mesmo é semelhante àqueles com necessidades especiais. Conectar essas semelhanças ajuda seu filho a desenvolver empatia pelos outros”.

Veja 8 conversas para ter com o seu filho durante o jantar em família antes dele completar 10 anos
Veja 7 conversas para ter com o seu filho durante o jantar em família antes dele completar 10 anos (Foto: iStock)

Morte e luto

“Use palavras simples, ouça e seja reconfortante”, diz Dr. Bratt. Você pode falar sobre funerais e rituais. Dê ao seu filho a chance de expressar seus sentimentos sobre a pessoa que faleceu. Se um parente, amigo ou animal de estimação morreu recentemente, peça ao seu filho para falar sobre seus sentimentos. Peça que ele lembre o que havia de tão especial nessa pessoa ou animal de estimação. Crianças pequenas não entendem a permanência da morte. Uma das melhores maneiras de explicar nesse caso, é assistir ao episódio da Vila Sésamo sobre a morte do Sr. Hooper. Isso pode iniciar a discussão sobre o assunto.

Bullying

“Nem todos os tópicos são fáceis de falar”, diz Dr. Bratt. Se você suspeita que seu filho tenha sofrido bullying, entenda que ele pode ter vergonha de falar sobre isso. Diga a ele que pode contar, e que peça ao agressor de uma forma clara e calma para que ele pare. Se isso for muito difícil ou não ajudar, diga ao seu filho para se afastar do agressor e encontrar um professor que possa intervir. Você também deve explicar que o bullying de modo geral é algo ruim e que ele deve parar. Então, se ele vir alguém sendo intimidado, peça que ele chame um professor para impedir. Você não quer que seu filho se machuque, mas ele pode calmamente encontrar um professor para acabar com a situação. Se seu filho é quem está intimidando outras pessoas, explique a ele que suas ações podem ferir profundamente os outros colegas. Se continuar, considere a possibilidade de seu filho conversar com um conselheiro na escola.

Saúde mental

Além de perguntar às crianças ‘como foi seu dia?’, os pais devem perguntar também ‘como você está?’, para que elas saibam que não tem problema em falar sobre seus sentimentos. Quando se trata de discutir saúde mental, as crianças em idade pré-escolar precisam de menos informações e menos detalhes do que as do ensino fundamental. O que funciona para ambos é comparar a saúde mental a uma doença física. Seu filho deve ser capaz de expressar sentimentos como tristeza, estresse ou depressão da mesma forma que pode dizer se está com dor de cabeça ou com dor de barriga.

Se você quiser explicar uma doença ou sintoma específico, faça uma pesquisa por conta própria primeiro e, em seguida, use palavras simples. Você pode dizer ao seu filho que uma pessoa com essa doença ou condição pode estar triste, ansiosa, com raiva ou pode ter problemas para controlar as próprias ações. Tanto a Dra. Lynn quanto o Dr. Bratt aconselham que você explique os tratamentos e soluções para o seu filho também. As crianças sabem que você vai ao médico quando está com gripe. Deixe seu filho saber que também existem médicos e medicamentos especiais para ajudar a tratar problemas de saúde mental.

Consentimento e limites

Todas as crianças devem aprender sobre o que é ou não apropriado quando se trata de tocar ou ser tocado. Dos 2 aos 5 anos, seu filho deve aprender sobre os limites. Ignore os detalhes explícitos e concentre-se em jogos simples baseados em toque – peça permissão para fazer cócegas nele e, em seguida, peça que diga a você quando parar. Explique que ele deve avisá-lo quando não for confortável e enfatizar que ele pode falar com você se alguma vez sentir que foi tocado de forma inadequada. Para crianças de 6 a 10 anos, estabeleça regras sobre como falar com estranhos, compartilhar fotos online e “se virem algo que as incomode online ou pessoalmente, converse com você”, diz o Dr. Bratt.


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