Especiais

Deixe de lado a culpa de ser uma mãe de segunda (ou terceira) viagem

Veja como se adaptar no momento que a família cresce

selo_seminario_oficial
Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

(Foto: Shutterstock)

Quando as visitas forem ver o bebê, peça a eles para dar atenção para a criança mais velha primeiro (Foto: Shutterstock)

Um centro americano de pesquisa relacionado a bebês revelou que 94% das mães sentem-se culpadas pelos mais diversos assuntos, sendo um deles a quantidade de tempo que passam com os filhos. “É natural que as mães se preocupem em não ser capazes de dedicar tempo e atenção suficientes aos seus outros filhos com a chegada de um bebê”, afirma Ralli McAllister, médica familiar em Lexington, EUA.

Leia também

Chegou a hora de voltar ao trabalho após a licença-maternidade. E agora?

Anúncio

FECHAR

Vídeo: 7 coisas que aprendemos quando nos tornamos mães

Sem culpa de colocar cedo na creche

De acordo com McAllister, a transição pode ser especialmente difícil para mães que estão tendo o segundo filho. “Os pais têm uma relação única com apenas uma criança. Uma vez que um segundo filho chega à família, o primeiro torna-se irmão mais velho e a dinâmica da relação entre pai e filho muda drasticamente. Essa é uma mudança boa, mas o ajuste emocional pode ser desafiador, especialmente para os pais”, afirma a especialista.

Já deu para perceber que você não é a única mulher no mundo a sentir essa culpa, certo? Dividir o que você sente com outras mães pode ajudar a perceber que não está sozinha e a aliviar essa sensação.

Prepare previamente

“O quão melhor seu filho se ajustar ao novo bebê, menos culpa você vai sentir”, afirma Jennifer Malone, que dá aulas intituladas “Mães Pela Segunda Vez”, um cadeia de centros que oferecem aulas de pré-natal, sediada em Boston. Então conversar sobre a chegada do bebê pode ser uma boa ideia.

Malone sugere deixar seus filhos (inclusive os meninos) a cuidar de uma boneca com a qual vocês dois possam interagir. Existem também diversos livros sobre esse momento de ganhar um novo irmãozinho, que podem te ajudar.

Rebecca Guinn, ginecologista e obstetra do Hospital Metodista do Texas, nos EUA, acrescenta que garantir que o seu filho mais velho tenha objetos de posse que não terão que ser compartilhados após a chegada do bebê, pode ajudá-lo a sentir que o novo irmão não está tomando seu espaço. “Isso é especialmente verdade para um brinquedo favorito, um cobertor e a cama. Se o seu filho ainda está dormindo no berço que vai ser usado pelo bebê, garanta que você faça a mudança para a cama várias semanas antes da chegada do irmão”, explica a especialista.

Faça um “boas vindas” feliz

A chegada em casa do hospital é uma ocasião especial. Quando chegar, deixe que o pai carregue o bebê, para que você possa abraçar e cumprimentar o seu outro filho, sugere Lisa Noll, psicóloga infantil no Hospital Psicológico Infantil do Texas, nos EUA. Quando as visitas forem ver o bebê, peça a eles para dar atenção para a criança mais velha primeiro. “Lembre-os também de que o seu filho pode querer conversar sobre algo além do novo irmãozinho”, explica Noll.

Entenda a importância da amizade entre mães de primeira viagem

A culpa de quem não trabalha

Foque na qualidade, não na quantidade

Nos primeiros dias em que você tiver um recém-nascido em casa, as chances de que você tenha um tempo limitado para o filho mais velho são grandes. Mas ter momentos sozinhos não precisa ser um grande evento, pode simplesmente ser alguns minutos juntos. “Tente guardar um pequeno período de tempo para passar com cada um individualmente”, diz Manisha Parihk, ginecologista obstetra do Hospital Metodista do Texas, nos EUA. Isso fará com que ele se sinta especial.

“Eu tento passar quinze minutos sozinha com cada um dos meus filhos uma vez por dia”, declara Chelsea Gladden, mãe de cinco e cofundadora do site BreezyMama,com. “Isso pode soar impossível, mas funciona. Enquanto dois estão na escola, eu passo tempo com o de 2 anos, enquanto os gêmeos dormem. Quando os gêmeos e o de 2 anos tiram uma soneca, eu tenho tempo para o meu de 5 anos, que sai da escola antes do de 7 anos. Eu caminho pelo quarteirão com o mais velho ao final da tarde. Quanto aos gêmeos, eu tenho tempo com um quando o meu marido está com o outro ou quando eles tiram cochilos em horários alternados”.

Mantenha a rotina

Um recém-nascido pode alterar a rotina da família muito rapidamente, mas é importante voltar para a agenda normal – para o bem de todos, afirma Jessica LeRoy, fundadora e diretora clínica do Centro de Psicologia de Mulheres, em Los Angeles, nos EUA. “Crianças esperam por consistência e a sua vida vai ser mais fácil se todos souberem o que esperar de cada dia”.

Se você tiver dificuldade nas primeiras semanas, não se preocupe. Apenas mantenha os rituais importantes, como a rotina da hora de dormir e refeições em família. Não se esqueça de envolver o pai. “Os pais podem ajudar as mães e os outros filhos a se ajustarem ao novo bebê sendo disponíveis, flexíveis e dando o apoio necessário “, diz McAllister. Ele pode manter todo mundo na rotina – especialmente quando as crianças precisam ir para a escola durante a semana – assim como ajuda com o novo bebê, então a mãe pode passar tempo com os outros filhos. “Lembre-se de não criticar o trabalho dele. Duas pessoas não fazem as coisas da mesma forma e não é porque não está exatamente do jeito que você faria, que está errado”, afirma Guinn.

(Foto: Shutterstock)

Você pode envolver os outros filhos, o que servirá como um modo para todos passarem mais tempo juntos e também ajudará a criar laços com o novo bebê (Foto: Shutterstock)

Peça ajuda

Não caia na síndrome da Mulher Maravilha e pense que tudo precisa cair em seus ombros. “Meu melhor conselho seria nunca sentir culpa de precisar que alguém te ajude”, afirma Coco Peate, mãe de quatro e fundadora do VidaCoco, um site de estilo de vida para mulheres latinas, da Califórnia, nos EUA. “Isso é muito difícil para mães que acabaram de ter bebês, porque elas sentem a necessidade e o desejo de fazerem tudo sozinhas. Se você tem membros da família ou amigos por perto que querem e oferecem ajuda, coloque-os na jogada”.

“Não se sinta culpada por aceitar ajuda, jamais”, concorda LeRoy. “Se alguém está oferecendo fazer algo para você, é porque ele quer fazê-lo. Ajudar também faz com que o outro se sinta bem”, completa Peate.

Você pode envolver os outros filhos também, o que não só servirá como um modo para todos passarem mais tempo juntos, mas ajudará a criar laços com o novo bebê. “Criar formas para que eles se conectem será importante por toda a vida”, diz Carolyn Bates, uma Conselheira Pessoal Certificada. “Deixe as crianças mais velhas brincarem um pouco de alimentar, dar banho, empurrar o carrinho e apresentar o irmão para as outras pessoas. Você quer criar a noção de que essa é a família e que, sendo assim, uns se dedicam aos outros”.

Pense positivo

Mães tendem a focar demais nas coisas que não conseguem durante o dia – como terminar de lavar a roupa ou fazer com que os filhos comam os vegetais na janta – e deixam de lado aquilo que deu certo, diz Malone. “Mães precisam se policiar. Se você teve que pular a hora do banho hoje e serviu misto quente na janta, tudo bem. Contanto que as crianças saibam que estão seguras e que são amadas, tudo vai ficar bem”.

“Quanto estou com meus filhos, eu foco em me divertir com eles, jogar, rir, ler, ouvir e se mãe”, explica Hilary Bates, mãe de dois, de Columbus, nos EUA. “Claro, isso significa que às vezes minha casa fica a maior bagunça, mas quem liga?”. Peate concorda: “Dê um pouco de crédito a si mesma por tudo o que faz: balanceia muitas agendas, cuida da casa, cozinha, limpa, lava e tudo o que entra no meio. As muitas incríveis e inspiradoras mães que conheço me mostraram que ser uma ótima mãe pode ter muitas formas e nenhuma delas significa perfeição”.

Quando você se sentir culpada após um dia particularmente estressante, você pode escrever em um caderno três coisas que deram certo nesse dia. Podem ser apenas três pequenas sentenças que tomam apenas alguns segundos para serem feitas, mas podem fazer você se sentir melhor instantaneamente.

Conheça os palestrantes do Seminário Internacional Mãe Também é Gente

Contando até dez quantas vezes for necessário

Não se esqueça do tempo para si mesma

“As companhias aéreas recomendam que coloquemos a máscara de oxigênio em nós mesmos antes de tentar ajudar outras pessoas, porque não somos bons para ninguém se estivermos desmaiados”, afirma Lombardo. “O mesmo vale se você está completamente estressado. Tirar um tempo para si mesmo vai te ajudar a ser mais feliz, se estressar menos, ser mais saudável e se sentir muito melhor como mãe!”.

Pergunte a si mesma o que você amava fazer antes de ter o bebê: dançar, caminhar, desenhar, cozinhar, cantar. Programe um horário fixo na agenda para se dedicar a essas atividades que te ajudam a lembrar quem você era e que fazem você se sentir viva, diz Renee Trudeau, Conselheira Pessoal Certificada. “Não apenas vai fazer com que você se sinta mais relaxada, paciente e generosa em relação aos outros depois de realizar essas atividades para si mesma, mas também fará você perceber que sua culpa é injustificável”.

Missy Cheatam, mãe de três, de Colleyville, nos EUA, garante que tem um pouco de tempo para trabalhar em si mesma. “Eu gosto de correr e às vezes tenho que fazer isso à noite depois que as crianças dormiram, ou meu marido e eu temos que nos revezar em turnos para que um de nós possa malhar e o outro olhar as crianças. Eu tenho que me exercitar. Isso faz eu me sentir melhor comigo mesma e me dá uma grande saída para o estresse, ambos fazem me sentir uma mãe melhor para meus filhos”.

Não importa qual atividade você escolha, apenas tenha certeza que seja algo que você goste – correr até o mercado para comprar fraldas não conta.

O tema “Culpa não!” será abordado por Betty Monteiro no nosso Seminário Internacional “Mãe também é gente”, que ocorrerá dia 15 de maio no WTC (World Trade Center São Paulo), na zona sul de São Paulo. Inscreva-se aqui.

rodapé novo correto