Criança

O que quer dizer quando seu filho escolhe ser o vilão ou o herói?

Na hora de brincar, ele sempre quer bancar o cara mau. Ou então, prefere salvar o mundo todos os dias. Mas o que isso revela sobre a personalidade do seu filho?

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

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As crianças começam a separar seus brinquedos entre “vilões” e “heróis” assim que passam a conseguir construir histórias a partir dos personagens que imaginam, por volta dos 4 anos de idade. Quando as crianças começam a brincar juntas, logo decidem quem vão ser os policiais, quem vão ser os ladrões, quem será a princesa, quem será a bruxa e a maioria delas parece já saber que papel quer interpretar em cada uma das brincadeiras.

“Brincar fingindo ser outro personagem é uma das atividades preferidas das crianças pequenas e é natural para elas explorar os conceitos de bom e mau em suas fantasias”, diz TJ Gold, um pediatra de Nova York. Descubra porque a imaginação do filho é dividida entre o que é errado e o que é certo e como você pode lidar com essa nova fase.

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Você provavelmente tem algumas regras estabelecidas desde sempre para seus filhos seguirem. Mas conforme eles vão crescendo, outras regras vão aparecendo, tanto dentro de casa quanto na escola. “Quando a criança começa a assimilar essas regras, brincar de ser o vilão ou o herói é natural”, diz Margret Nickels, diretora do Centro para Crianças e famílias no Chicago’s Erikson Institute. Colocar bandidos na cadeia ou salvar os animais de um incêndio serve para uma coisa: seu filho usa as brincadeiras para entender melhor todas essas regras complicadas.

Mas por que os dois extremos – bem ou mal – e não alguma coisa mais realista? Precisamos levar em consideração que a criança está começando a entender a diferença de um e de outro e ainda não consegue ver as nuances do que é bom e do que é ruim.

“Para uma criança de 3 ou 4 anos, ou você é bom ou você é ruim, ou você está certo ou você está errado”, diz Adiaha Spinks-Franklin, pediatra de desenvolvimento comportamental no Hospital de Crianças do Texas, nos Estados Unidos. “Ela ainda não entende que existem pessoas legais que algumas vezes fazem coisas que não são tão legais assim”.

Bancando o cara mau

É comum que as crianças mais bem comportadas queiram brincar de serem os vilões. “Existem muitas frustrações na vida de uma criança de 3 ou 4 anos”, diz Margret Nickels. “Bancar o vilão é uma forma segura de expressar alguns sentimentos de frustração e raiva”.

Mas se seu filho só quer brincar de ser o vilão, encorage-o a trocar de papeis de vez em quando. “Isso vai ensinar para seu filho uma coisa importante: ele pode se redimir mesmo quando fizer uma coisa ruim”, explica a pediatra.

Salvando o dia

Ser o herói com certeza também tem uma grande vantagem. “Isso dá às crianças um aumento na autoestima”, diz Kathy Hirsh-Pasek, professora de psicologia na Temple University. Se seu filho pede para você capturá-lo e colocá-lo em uma cela para que ele mesmo escape usando seus superpoderes, significa que ele se considera um super-herói, ou seja, alguém que pode salvar o dia!

Para os especialistas, o importante mesmo é deixar seu filho brincar, mesmo que ele se suje ou bagunce um pouco a casa. Mas preste atenção se as brincadeiras não estão se tornando desculpas para a criança se tornar agressiva com os amigos. Se isso acontecer, converse e explique que brincadeira não combina com chute, tapa ou briga.

Por volta dos 6 anos, as brincadeiras tendem a mudar um pouco. Enquanto isso, não tenha medo de deixar seu filho imaginar o que quiser, porque não importa em que lado da justiça seu filho está, o personagem vai servir de apoio para ela reafirmar o que é certo e o que é errado e se tornar uma criança mais confiante.