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Afogamento infantil: tudo o que você precisa saber para prevenir acidentes com crianças na água

Os afogamentos acontecem de forma rápida e silenciosa - iStock
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Publicado em 31/07/2020, às 13h10 - Atualizado às 13h12 por Redação Pais&Filhos


Quem é pai ou mãe sabe: basta se descuidar por alguns segundos para que as crianças entrem em enrascadas. Em alguns casos, o susto passa logo. Mas, em outros, essa falta de atenção pode custar caro. Isso vale principalmente quando o assunto é água.

Os afogamentos acontecem de forma rápida e silenciosa (Foto: iStock)

No Brasil, os afogamentos são a segunda causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos*. E a grande maioria deles acontece quando ignoramos os riscos e não respeitamos os limites. Como as crianças não têm maturidade e nem noção do que pode ser perigoso ou não, cabe aos pais e responsáveis orientar e supervisionar o tempo todo. Especialmente porque o afogamento nem sempre acontece só em piscinas ou praias.

As crianças, principalmente as menores, podem se afogar em baldes, bacias e até no vaso sanitário. Quando são pequenas, a cabeça e os membros superiores das crianças são mais pesados que o restante do corpo. Fica fácil perder o equilíbrio, cair e depois não saber como levantar. Por isso mesmo, todo cuidado é pouco.

“Cuidar não é só ficar olhando. É muito mais do que isso. Para tomar conta mesmo, é preciso abrir mão da diversão, do celular… Porque, depois que o acidente acontece, não tem mais volta”, alerta o pediatra Marco Antônio Chaves Gama, pai de Bruno e Gabriela e presidente do Departamento de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Consequências do afogamento

Os afogamentos acontecem de forma rápida e silenciosa. A partir do momento em que seu filho começa a se afogar, você tem, literalmente, só alguns segundos para reagir. No geral, as crianças perdem a consciência depois de dois minutos embaixo d’água. Em cinco, a oxigenação do cérebro fica comprometida e já aumentam os riscos de sequelas e problemas mais graves, como paralisia cerebral.

Meu filho se afogou, e agora?

Antes de tudo, é importante lembrar que as crianças não têm maturidade e nem experiência para sair de uma situação de emergência. Por isso mesmo, são os adultos que devem assumir a linha frente e prestar o socorro.

Se seu filho cair na água e se afogar, é preciso ter calma. O primeiro passo é retirá-lo da água e desobstruir as vias respiratórias, colocando a cabeça um pouco para trás. Não dá para perder tempo. Logo em seguida, ligue para o serviço de emergência. Tenha o número do SAMU (192) e do Corpo de Bombeiros (193) sempre à mão e salvo nos contatos do celular. Ele pode ser útil quando você menos imaginar. “O importante é ligar para os bombeiros ou para a emergência imediatamente. Eles sabem como orientar e vão dando o passo a passo do que você deve fazer”, explica Marco Antônio.

Raquel Corrêa ensina a seus alunos técnicas de sobrevivência aquática (Foto: Reprodução/Instagram @raquelcorrea_oficial)

A importância das aulas de natação

É muito comum que os pais matriculem as crianças em aulas de natação ainda muito pequenas. Um dos motivos para isso é, justamente, o medo de que os filhos se afoguem e passem por algum apuro. Esse receio tem razão de ser. Só no Brasil, pelo menos uma criança morre todos os dias vítima de afogamento*. E as aulas são uma das formas de prevenção mais efetivas.

O que muitas famílias não sabem é que os benefícios da natação vão muito além. Um estudo da Universidade de Griffith (Austrália) mostrou que crianças com menos de 5 anos que já fazem aulas na piscina têm um melhor desenvolvimento motor, cognitivo, linguístico e até matemático. Isso, é claro, ajuda na hora de uma emergência.

A dica é sempre procurar instrutores e escolas de natação especializadas. Mais do que aprender vários tipos de nado e se tornar um atleta profissional, seu filho precisa saber como “se virar” se estiver em uma situação de emergência. Foi pensando nisso que a educadora física Raquel Corrêa, mãe de Theo, resolveu mudar completamente o jeito que ensinava seus alunos.

“Dava aulas de natação em uma academia e os pais sempre me perguntavam quanto tempo demora para uma criança aprender a nadar. Só fui entender essa pergunta quando eu virei mãe. Na verdade, o que a gente quer saber é quanto tempo demora para os nossos filhos conseguirem sobreviver se eles caírem na água”, conta.

Alunos em aula de sobrevivência aquática (Foto: Reprodução/Instagram @raquelcorrea_oficial)

Hoje, Raquel desenvolve um trabalho em conjunto com os pais e ensina técnicas de sobrevivência aquática às crianças. As atividades incluem orientações, treinos de resistência muscular e simulações de queda e acidentes. Em alguns momentos, as crianças entram na água de roupa mesmo, para que aprendam a nadar mesmo com os tecidos molhados atrapalhando os movimentos.

Aparentemente, o trabalho tem dado certo. Enquanto fazia quarentena por conta da pandemia da COVID-19, uma de suas alunas estava andando de bicicleta e caiu numa piscina coberta com uma lona. Clara, de apenas 4 anos, conseguiu sair da água sem a ajuda de nenhum adulto. “A lona afundou junto com a bicicletae, mesmo assim, ela conseguiu sair. A gente não tinha ouvido nada. Tenho certeza que foram as aulas de natação que mostraram o que ela precisava fazer nesse momento de apuro”, conta a mãe Marília Melhado, em um depoimento no Instagram.

A Safe Kids Worldwide recomenda que as crianças desenvolvam algumas “habilidades de sobrevivência” na água. Segundo a ONG, se seu filho dominá-las, as chances de afogamento podem diminuir. Para isso, ele precisa saber:

1) Pular ou mergulhar, de forma que a cabeça afunde na água e ele saiba voltar à superfície;
2) Flutuar ou boiar, com a boca e o nariz para fora da água, por pelo menos um minuto;
3) Ter fôlego e resistência para nadar por pelo menos 22 metros;
4) Se movimentar em círculos, com a cabeça para fora da água, até encontrar um lugar seguro para sair dali;
5) Sair da água sem precisar usar uma escada.

Ah, e as aulas de natação não valem só para as crianças. Não adianta nada seu filho saber nadar, se você ou a pessoa que vai supervisioná-lo não sabe. Todos da família devem aprender também, para saber como agir em caso de emergência. E nunca é demais lembrar: mesmo as crianças que sabem nadar correm o risco de se afogar e precisam de supervisão o tempo todo.

Ao chegar a um lugar com piscina, lago, rio ou mar, explique ao seu filho sobre todos os riscos e oriente que nadar sozinho, sem ninguém por perto, pode ser perigoso (Foto: Getty Images)

Como evitar afogamentos

Apesar de comum, o afogamento infantil pode ser evitado com atitudes muito simples. O primeiro passo é sempre supervisionar e orientar sobre os riscos. A seguir, listamos o que você pode fazer para manter seu filho em segurança:

  • Nunca deixe crianças sozinhas dentro ou perto da água, mesmo quando estiverem de colete salva-vidas. Um adulto sempre deve estar de olho, supervisionando o tempo todo. Ele deve estar a um braço de distância, no máximo;
  • Ao chegar a um lugar com piscina, lago, rio ou mar, explique sobre todos os riscos e oriente que nadar sozinho, sem ninguém por perto, pode ser perigoso;
  • Não superestime a habilidade das crianças. Mesmo aquelas que “sabem nadar” precisam de supervisão e orientação;
  • Deixe o celular de lado. Não dá para supervisionar as crianças e responder mensagens ao mesmo tempo;
  • Tenha cuidado com boias e equipamentos infláveis. Eles podem virar ou estourar a qualquer momento. Prefira sempre o colete salva-vidas;
  • Tenha sempre um telefone por perto. Salvar os números do atendimento de emergência também pode ser muito útil (SAMU: 192; Corpo de Bombeiros: 193)

Em piscinas

  • Evite deixar brinquedos perto da piscina ou dentro d’água. Eles podem chamar a atenção das crianças e fazer com que elas se arrisquem para pegá-los. Assim que acabar a brincadeira, recolha tudo;
  • Antes de entrar na água, explique sobre os riscos de ralos e bombas de sucção. Mostre para a criança onde eles estão localizados naquela piscina. Se seu filho tem o cabelo mais comprido, prenda num rabo de cavalo ou use touca de natação;
  • Explique que brincadeiras de empurrar, pular e prender a respiração debaixo d’água não são legais e nunca devem ser feitas;
  • Se possível, instale barreiras que dificultem o acesso à piscina. Podem ser cercas, muros ou portões, que de preferência possam ser fechados com chaves ou cadeados. As capas de piscina até garantem mais proteção, mas não eliminam o risco de acidentes;
  • Para crianças menores de 6 anos, prefira escolas e creches sem piscina.

Em rios, lagos, praias, cachoeiras e represas

  • Antes de incentivar que as crianças entrem na água, tenha certeza que o lugar é seguro e que há salva-vidas por perto;
  • Ensine seu filho a respeitar as placas de proibição e a seguir sempre as orientações do guarda-vidas. Mas lembre-se sempre: o papel de monitorar a criança é sempre dos pais e dos responsáveis, o guarda-vidas está ali apenas para ajudar em caso de emergência;
  • Tenha cuidado com pedras, correntes e ondas;
  • Não abuse: respeite os limites da natureza e só vá até onde tanto você como a criança consigam ficar em pé e em segurança.

Dentro de casa

  • Mantenha cisternas, poços e reservatórios sempre trancados;
  • Deixe baldes, bacias, piscinas infláveis e banheiras fora do alcance das crianças. Depois de usar, esvazie e guarde virados para baixo, de preferência em lugares em que seu filho não tenha fácil acesso;
  • Tranque a porta do banheiro e da lavanderia por fora. A tampa do vaso sanitário deve estar sempre abaixada e, se possível, com travas específicas.

Fontes: Criança Segura Brasil, Safe Kids WorldWide, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa)

* Todos os números citados nesta reportagem são do Boletim 2020 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa)


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