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Hiperidrose: conheça a doença do suor excessivo que pode provocar vergonha e ansiedade

A hiperhidrose atinge aproximadamente 5% das crianças - Getty Images
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Publicado em 21/11/2018, às 15h05 - Atualizado em 27/04/2021, às 08h11 por Jennifer Detlinger, Editora-chefe | Filha de Lucila e Paulo


Mesmo que o dia não seja de temperaturas altas, algumas crianças podem sentir muito calor e ficar com a pele oleosa. Parece estranho, né? O nome disso é hiperidrose, uma doença caracterizada pelo suor excessivo que atinge aproximadamente 5% das crianças.

Trata-se de uma condição em que as glândulas sudoríparas trabalham mais do que o necessário e provocam suor excessivo. Dessa forma, as crianças podem transpirar muito, até mesmo em repouso. Existem diferentes causas para o surgimento da doença, como estresse, alergias e genética.

O suor é uma substância composta por água e pequenas quantidades de sais minerais, produzido pelas glândulas sudoríparas que ficam nas camadas internas da pele. Sua função é ajudar a regular a temperatura corporal. É normal suar quando se está calor, durante a prática de atividades físicas ou em situações específicas, como momentos de nervosismo, raiva ou medo. Mas a sudorese excessiva acontece mesmo sem a presença de qualquer desses fatores.

Comum nas mãos, axilas e pés, a hiperidrose normalmente começa a incomodar a partir da pré-adolescência e segue até vida adulta. Além disso, o estresse típico dessa fase entre as crianças pode contribuir para o aumento do suor — em um período onde aparecem grandes responsabilidades, controlar a ansiedade é importante para diminuir a atividade das glândulas. “Por ser uma condição genética, a hiperidrose acomete as crianças logo nos primeiros anos de vida, mas piora na adolescência”, explica Dra. Ana Célia Xavier, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, mãe de Rafael e Laura.

Sintomas

Apesar de não ser grave, a doença pode trazer complicações para a autoestima do seu filho e atrapalhar a vida social. Isso porque, além do suor evidente, as roupas também podem ficar amareladas. “A transpiração só se torna um problema quando é excessiva. Quando a criança vai escrever e precisa segurar um lencinho ou não pode andar de chinelo porque escorrega, por exemplo”, diz a especialista.

Caso seu filho já tenha passado por alguma dessas situações, é muito importante dar valor ao impacto psicológico e social da hiperidrose na vida de um paciente. Segundo especialistas, há casos de crianças que não conseguiam ser alfabetizadas, por não conseguirem segurar um lápis e escrever, além do estresse que representa ir à escola, enfrentar colegas e professores. Entre os adolescentes, há quem não consiga estabelecer relacionamentos e evita se aproximar de outras pessoas.

Tratamento

Para os casos mais leves, são indicados sabonetes adstringentes, que ajudam a evitar complicações bacterianas. Se a situação for mau cheiro nas axilas e manchas amareladas de suor na roupa, o problema é chamado de bromidrose (suor com cheiro desagradável).

Muitas mães acreditam que fazer esfoliação nos filhos pode diminuir o problema. Mas na verdade, essa prática pode causar irritação e machucar a pele da criança. “Tudo que deixa a pele ressecada é ruim”, explica Dr. Ana. O uso de perfumes também não é indicado, assim como desodorantes de adultos.

Em casos mais graves, é indicado o uso de toxinas ou cirurgias. “Apesar de simples, o tratamento com a toxina é uma aplicação dolorosa e com durabilidade pequena. Já a cirurgia é indicada após os 17 ou 18 anos de idade, até a formação completa da criança”, explica a especialista.

Por se tratar de uma situação complicada para o paciente e a família, é importante avaliar e discutir todas as opções possíveis com seu filho. Para te ajudar, listamos a seguir os três tipos de tratamento disponíveis:

  • Simpatectomia

É uma cirurgia de baixo risco e feita de forma minimamente invasiva. “O paciente é internado no mesmo dia da cirurgia, passa pelo procedimento cirúrgico e normalmente costuma receber alta no dia seguinte”, explica o cirurgião torácico da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Mauro Tamagno. No pós-operatório o paciente pode voltar às atividades normais, apenas ficando afastado de esforços físicos por dez dias.

  • Toxina botulínica

Também conhecida como botox, a toxina botulínica serve para diminuir a ação das glândulas sudoríparas, o que diminui temporariamente a sudorese. Apesar de ser um procedimento simples, feito de forma ambulatorial, deve ser repetido a cada seis meses. Pode ser aplicado nas axilas, mãos ou pés.

  • Medicamentos

É possível tratar a hiperidrose com medicamentos anticolinérgicos, que vêm de plantas e substâncias sintéticas. O lado ruim é que eles podem causar alguns problemas na visão noturna, além de boca seca, tontura e problemas com a micção. Mas são boas opções quando o tratamento cirúrgico não é indicado.


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