Recém-Nascido

Furar ou não a orelha do bebê?

Perfuração deve ser feita por médico ou enfermeiro capacitado

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

brinco em recem-nascidos

(Foto: Shutterstock)

Se você é mãe de uma menina, provavelmente já deve ter tido alguma dúvida em relação a brincos: Furar ou não a orelha do bebê? Qual a melhor idade para isso? Que tipo de acessório usar e quais são os cuidados necessários?

Segundo Cinthia Calsinski, mãe de Matheus e Bianca, enfermeira especialista em obstetrícia, antigamente acreditava-se que o bebê não sentia dor na realização deste procedimento, mas hoje se sabe que eles também sentem.

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Não tem uma idade ideal que seja um consenso na recomendação dos especialistas. Existem, no entanto, algumas restrições para fazer o furo na orelha do bebê. “Em prematuros, a gente espera pelo menos um mês e meio de vida e atingir 3,5 quilos, porque às vezes a orelha ainda não está bem formada”, diz Cinthia.

Andrea Alencar, mãe de Rafaela, pediatra da clínica Dr. Família, explica que o furo é seguro se for feito com cuidado e com critério para escolher o local. Embora a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) libere que o furo seja feito também em farmácias, ela não recomenda essa prática para recém-nascidos. “O ideal é seja feito por um enfermeiro capacitado ou médico”.

A médica diz que, na perfuração, deve-se usar a própria peça ou uma agulha descartável. As melhores opções são os brincos de ouro maciço ou aço inoxidável, esterilizados.

“Às vezes, eu faço os furos com a bebê dormindo e algumas nem acordam. A gente passa uma pomadinha à base de lidocaína ou um anestésico tópico, própria para procedimentos na pele”, comenta a enfermeira. Andrea explica que o uso ou não do anestésico fica a critério da família e não tem contraindicação.

A decisão

No caso de Nina, de um ano e cinco meses, filha de Fernanda Barros Sene, o momento ocorreu aos três meses de idade e foi tranquilo, ela nem chorou. A mãe chamou uma enfermeira para ir a casa delas. A profissional usou um brinco de ouro e passou uma pomada anestésica. Não houve qualquer problema durante a cicatrização. “Como eu sempre tive orelha furada, resolvi furar para ela acostumar. Se você fura um pouco mais tarde, a criança pode se incomodar ou achar estranho”, relata.

Nina

Nina furou a orelha aos três meses (Foto: Arquivo pessoal)

Mas há também quem não concorde com a realização desta intervenção no corpo antes de saber se é mesmo a vontade da filha. Algumas pessoas preferem esperar a criança crescer e decidir se vai querer usar o acessório.

Diva Nunes é mãe de Dharma, de três meses, e decidiu não colocar os brincos. “Pensamos que deve ser uma escolha dela. Muitas vezes os pais furam para mostrar que é menina, mas não vemos necessidade em marcar esta diferença em bebês”. Ela afirma que irá aceitar o pedido caso a menina o faça quando crescer, explicando como é o procedimento.

Dharma

A mãe de Dharma decidiu não furar sua orelha (Foto: Arquivo pessoal)

“Na nossa cultura, é comum as meninas usarem este tipo de adorno desde pequenas. Enquanto outros países não têm este costume, no Brasil ele é bem aceito, mas depende do que os pais preferem”, argumenta Cinthia, que também fura a orelha de crianças maiores.

Cuidados necessários

Se optar por colocar o brinco enquanto bebê, não se esqueça de limpar a orelha da criança usando cotonete e álcool 70%, sempre depois do banho, até cicatrizar. A enfermeira também recomenda girar o acessório uma vez por dia. Você ainda deve se atentar na hora de tirar e colocar a roupa, para não enroscar na peça. A cicatrização costuma demorar por volta de 45 dias.

Caso os cuidados não sejam tomados, a orelha pode infeccionar. Se isso ocorrer, você notará sinais como vermelhidão, presença de crostas ou saída de secreção. Ao observar qualquer um desses sintomas, não decida tirar o brinco por conta própria. Antes disso, é melhor consultar o pediatra para que ele avalie o caso.