Criança

Vacinação infantil tem menor índice dos últimos 16 anos. Mas você sabe o porquê?

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Publicado em 20/06/2018, às 15h07 - Atualizado em 22/06/2018, às 13h42 por Jennifer Detlinger, Editora-chefe | Filha de Lucila e Paulo


A vacinação de crianças atingiu o nível mais baixo no Brasil em 16 anos. Esse dado preocupante foi divulgado pelo Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde. Houve redução de cobertura de doenças graves como poliomielite, sarampo e meningite. E mais:  nos últimos 2 anos, a meta de imunizar 95% das crianças também não foi alcançada. A vacina menos dada é a tetra viral, que atingiu cerca de 70% de imunização, e previne doenças como caxumba, catapora e rubéola.

Por trás dos números

Há algumas causas que justificam o fato dos pais estarem deixando de levar os  filhos para tomar a vacina. A pediatra Melissa Palmieri, membra da Sociedade Brasileira de Imunizações e coordenadora médica de vacinas do Grupo Hermes Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria, conta a primeira delas: “As vacinas são vítimas do próprio sucesso”. Para ela, conforme as doenças são eliminadas, a população se esquece das ferramentas de prevenção e ganha uma falsa sensação de segurança. “Temos uma geração de adultos que se beneficiaram do Programa Nacional de Imunizações no passado e agora estão negligenciando esse direito aos filhos”. Além disso, muitas famílias também enxergam a vacina como cura e não prevenção, e só vão atrás da imunização dos filhos em casos mais graves.

A segunda razão é a dificuldade no acesso aos postos de saúde. “Em algumas regiões do país, os postos só funcionam em horário comercial. Com isso, alguns pais não têm tempo de levar os filhos para serem vacinados. Grande parte deles simplesmente não podem deixar de ir ao trabalho”. Uma boa solução para o problema, segundo Melissa, seria uma maior implementação de vacinação nas escolas das crianças — proposta que já está sendo estudada pelo Ministério da Saúde. Outro caminho seria um melhor diálogo entre o Ministério da Saúde e do Trabalho. “As empresas poderiam começar a aceitar uma espécie de atestado oficial, reconhecido pelos ministérios. Assim, o pai que perdeu um dia de trabalho por precisar levar o filho para ser vacinado, não receba nenhum tipo de punição”.

Por último, surge um motivo ainda distante, mas bem grave: os movimentos antivacina. Fortes no exterior, eles ainda não têm muita expressão por aqui, mas são responsáveis por grande parte das fake news e informações erradas que invadem as redes sociais.  Prova disso é o baixo nível de cobertura vacinal contra a febre amarela no Brasil, provocado por boatos alarmistas sobre os efeitos colaterais da vacina. O ideal seria que pelo menos 80% da população estivesse vacinada, mas o número atual é de 55%.

Sem medo da vacina

Vamos sempre bater na tecla da importância da vacinação. Essa queda histórica precisa levar à uma reflexão sobre o porquê dos pais não estarem cumprindo com a obrigação de proteger os filhos por meio da vacina. Deixar de imunizar as crianças na época adequada é ilegal no Brasil, já que esse é um direito assegurado há 28 anos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Enquanto é pequeno, seu filho não tem o poder de escolha sobre a vacinação e depende exclusivamente de você. Imunizar a família toda também funciona como um ato coletivo. Pense que, para uma doença conseguir sobreviver e se propagar, é preciso que outras pessoas estejam infectadas. Quanto mais gente protegida, o ciclo de um vírus ou bactéria se encerra e a doença pode ser erradicada. “Exceto para as doenças com exposição de risco individual, como o tétano e a febre amarela, a vacina funciona como uma arma coletiva da redução de circulação do agente infeccioso”, explica Melissa. O Brasil tem o maior programa público de vacinação do mundo — não faz sentido deixar que doenças erradicadas há décadas voltem a aparecer como ameaça.

Como qualquer remédio, as vacinas também podem ter reações adversas. Para evitar isso, um profissional da saúde faz um questionário a fim de descobrir possíveis reações da criança de acordo com o quadro clínico dela. Se o risco da vacina for maior que os benefícios, ela não será aplicada. O médico que a acompanham, deve sempre ser consultado para uma orientação segura. Mas, no geral, as reações às vacinas são bem menos prejudiciais se comparadas aos efeitos da doença em uma criança não imunizada. Então, pode vacinar seu filho sem medo.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe foi prorrogada e termina nesta sexta-feira (22). Mais de 9,5 milhões de pessoas que fazem parte do público-alvo da campanha ainda não se vacinaram. Destes, 4,4 milhões são crianças menores de 5  anos. Se você ainda não imunizou seu filho, que tal começar levando ele ao posto de saúde mais próximo?

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