Gravidez

Poder de decisão na gravidez: mulheres que se informam mais optam por parto normal

O Brasil é o país que mais realiza cesáreas na América Latina - Shutterstock
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Publicado em 25/07/2023, às 02h00 - Atualizado às 08h35 por Victoria Raissa, filha de Ângela e Clóvis


Após 9 meses de espera, chega o momento mais aguardado pela gestante: o parto – e com ele surgem as dúvidas, pressões e medos. Entender qual o melhor tipo de parto para cada realidade nem sempre é uma tarefa fácil. O receio da dor, a falta de informação, a pressa ou até mesmo a “agilidade” da cesariana são só alguns exemplos que contribuem para que o parto por vias naturais nem chegue a ser apresentado para as mães.

Em consequência disso, temos um cenário em que gestantes são submetidas a procedimentos cirúrgicos sem necessidade. No Brasil, as taxas de cesarianas excessivas têm sido preocupantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que elas não ultrapassem 15% dos partos, pois o procedimento deve ser reservado para casos em que há indicação médica ou necessidade de intervenção urgente.

O Brasil é o país que mais realiza cesáreas na América Latina (Foto: Shutterstock)

É sempre importante destacar que a cesariana é uma possibilidade de nascimento, e que em muitos casos salva vidas de gestantes e bebês. Porém, a decisão sobre por qual via de nascimento o bebê chegará ao mundo deve ser tomada com base em informações, respeitando a vontade da mãe e as recomendações médicas.

Cesariana pode ser necessidade, mas não uma regra

De acordo com dados do Ministério da Saúde, as taxas de cesariana no país têm aumentado significativamente nas últimas décadas. Em 2010, cerca de 52% dos partos realizados por aqui foram dessa forma. Esse número diminuiu ligeiramente nos anos seguintes, mas ainda permaneceu alto. Em 2022, aproximadamente 57,7% dos partos no Brasil foram cirúrgicos – bem acima do aconselhado pela OMS.

Por ser uma cirurgia, ela envolve riscos maiores do que um parto vaginal, como infecções, complicações respiratórias e problemas de recuperação pós-operatória. Além disso, estudos mostram que a realização desnecessária do procedimento pode aumentar os riscos para o bebê e dificultar o início da amamentação.

Mulher se preparando para o parto
Entender a própria realidade é fundamental para ter um parto saudável (Foto: Freepik)

Para a Dra. Ana Jannuzzi, que é médica com pós em pediatria, escritora, palestrante, CEO da Jannuzzi Educação e mãe de Romana, Clarice e Rebecca, os altos números do procedimento no Brasil estão ligados à cultura do país. “Isso é uma questão cultural. Acho que a nossa medicina falhou ao não acompanhar e tentar frear”, avalia ela que também ministra cursos com o objetivo de levar informação e autonomia para as famílias sobre gestação, parto e puerpério.

“Hoje a gente tem uma lógica em que se entende ser completamente normal agendar nascimento”, reflete. “É uma cirurgia que, principalmente quando agendada, se torna um procedimento extremamente confortável em termos de agenda”, iniciou ela, que concorda que essa pode ser uma necessidade, mas não deve ser uma regra. “Às vezes a gente precisa ter um nascimento agendado mesmo, pois precisaria de uma indução por exemplo, mas o que a gente vê são nascimentos agendados sem nem saber o porquê”.

O medo da dor

Quando uma mulher tem acesso a informação ela muda a própria realidade, isso não seria diferente na hora do nascimento. Nutrir-se com conteúdos adequados e confiáveis pode ajudar gestantes a ter autonomia e escolher a forma mais confortável para dar à luz.

Eliza Lima, mãe de Victor e Guilherme, considerava fazer cesariana antes de engravidar mas com muita informação adquirida a partir de conversas com a obstetra e com o esposo ela logo entendeu qual seria a melhor via para a chegada do primeiro filho. “Decidimos o parto normal principalmente na primeira gestação. Pensando na recuperação pós-parto, minha mãe já falava que a recuperação era mais fácil, e considerei ser menos invasivo para a mulher”, pontuou ela, que só pensava na cesariana se ela ou o bebê estivessem em risco.

O medo da dor no parto normal assusta a gestantes que não conhecem as possibilidades de medicamentos
O medo da dor no parto normal assusta gestantes que não conhecem as possibilidades de medicamentos (Foto: Freepik)

Na visão da médica, a escolha imediata pelo parto cirúrgico está diretamente ligada a uma memória de um passado violento. “Olhamos para cesariana como a salvadora de vidas e para o parto normal como uma coisa horrorosa que você tem que evitar a qualquer custo e isso não vem do nada. Isso vem de uma realidade de violência obstétrica e de partos cheios de intervenção. Diante de um parto que poderia ser violento versus uma cirurgia que era vendida como salvadora, extremamente segura e indolor, embora tenha outras questões envolvidas, muitas pessoas acabam optando pela cesariana e vangloriam esse tipo de nascimento em detrimento de outro.”

Outro ponto fundamental que afasta as gestantes da via natural é a temida “dor do parto”. “A gente vê também muito medo da dor, mas as pessoas já buscam estratégias, farmacológicas ou não, e mesmo que não se tenha uma analgesia farmacológica, tem várias estratégias para reduzir a percepção da dor do trabalho de parto”, assegura a Dra. Ana.

É importante ressaltar que o parto natural não deve ser resumido pela famosa dor. Informações como a de que o bebê é exposto a bactérias benéficas presentes no canal de parto da mãe, que fortalecem seu sistema imunológico e reduzem o risco de desenvolver problemas respiratórios também devem ser levadas em conta.

Outro ponto importante é sobre a recuperação mais rápida da mulher, uma vez que o corpo já está preparado para aquele momento e possui mecanismos para facilitar o processo. E por ser um processo natural, que geralmente não requer intervenções médicas ou cirúrgicas, quando comparado a uma cesariana, esse tipo de parto também apresenta um menor risco de infecções, complicações respiratórias e lesões cirúrgicas.

Informação liberta

Uma pesquisa realizada pelo curso “Gestação, Parto e Puerpério”, ministrado pela Dra. Ana Jannuzzi, aponta que 98,5% das participantes relatam uma experiência de parto normal muito mais saudável e respeitosa depois que passaram a estudar e entender de forma consciente qual a melhor via dentro da realidade de cada uma para dar à luz. O estudo mostra também que ao iniciarem o curso, as mulheres avaliavam o conhecimento delas sobre parto como 3,93 em uma escala de zero a dez. Após a jornada de aprendizado, a nota saltou para 9,27.

Uma gestante bem informada sobre seu parto é uma mãe mais tranquila e autônoma na hora do nascimento. Isso vale também para a rede de apoio que a acompanha nesse processo. “É o conhecimento que vai fazer você partir da situação onde está e buscar o melhor parto possível. Com o entendimento do que é um trabalho de parto e quais são as fases dele, eu consigo chegar no hospital no momento adequado, não muito cedo nem muito tarde… se eu não conheço, pode ser que o momento de chegada seja um pouco diferente do ideal”, exemplificou Dra. Ana Januzzi.

A informação é decisiva na hora de escolher o melhor parto
A informação é decisiva na hora de escolher o melhor parto (Foto:Freepik)

Muitas vezes a crença popular de que só a rede privada possui assistência necessária para o parto natural acaba colaborando para o aumento da dúvida e do medo nas mães que não possuem condições de custeá-lo. Porém, tal crença não se aplica à realidade, tendo em vista os números alarmantes de cesarianas realizadas na rede particular, que variam entre 85% e 90%. Em contrapartida, na rede pública as taxas ficam entre 50% e 55% dos nascimentos.

“Essa realidade vem mudando, mas essa mudança é lenta. Reflita se não há um hospital público, mesmo não tendo a melhor hotelaria, uma banheira só pra você, que tenha um atendimento multidisciplinar, com enfermagem obstétrica para o nascimento de baixo risco, o que aumenta a chance de parto normal e diminui a intervenção [cirúrgica]”, diz Ana, que reconhece que o atendimento público ainda necessita de melhorias.

Apesar dos benefícios do parto normal, ele não deve ser mais uma pressão para a gestante, que durante todo o desenvolvimento gestacional já lida com uma série de preocupações e cobranças. Cada gravidez é única e precisa ser tratada como tal. Idealizar esse momento único faz parte, mas compreender que imprevistos podem acontecer é essencial para manter a calma. 

O melhor nascimento é aquele que respeita a mãe o bebê (Foto: Pexels/Vidal Balielo Jr.)

“Nossos filhos merecem um nascimento seguro e feliz dentro das nossas possibilidades. Isso impacta diretamente no início da vida dele e da nossa vida em conjunto”, ressalta a médica. “A dica que eu dou para todas as gestantes é: estudem! Por qualquer conteúdo que tiver, o que tiver pela frente e que seja de qualidade. A gravidez abre um novo mundo de sonhos e expectativas para as mulheres, o tão sonhado parto pode se tornar um momento ainda mais especial quando vivido com qualidade. Buscar fontes seguras de informação é caminho para o autoconhecimento”.

Ela finaliza dizendo que é importante pesquisar sobre o assunto desde o início da gestação, seja por meio de indicações médicas, relatos de parto ou estudos. “Esse é um investimento de tempo e vai ser isso que muda a vida do seu bebê. Se ele tem um body caro ou barato, se ele tem um berço x, y, z ou se é um berço simples, de segunda mão… não é isso que muda a vida dele. Mas se ele nasceu de uma forma respeitosa, se você teve um parto respeitoso, é o que impacta diretamente todo o seu puerpério e a relação de vocês”.

Veja também: De pecinha em pecinha

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