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Falta de ar: o que pode ser, como agir se a criança tiver e por que acontece na gravidez

Quando o bebê ou a criança tiverem falta de ar, é importante que os pais mantenham a calma - Shutterstock
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Publicado em 02/07/2021, às 12h17 por Cinthia Jardim, filha de Luzinete e Marco


Com a pandemia, a falta de ar ganhou ainda mais atenção, mas ela nem sempre é associada a covid-19. Podendo ter várias causas diferentes, a condição acontece quando existe a dificuldade do oxigênio chegar até o pulmão. Em bebês, esse sinal merece ainda mais cuidados da família!

Quando a falta de ar acontece, é muito importante que o paciente mantenha a calma e não fique agitado, pois pode levar a uma piora do sintoma. Para tirar as principais dúvidas sobre o tema, tanto em bebês, como em crianças e grávidas, conversamos com o Dr. Eduardo Rosset, médico pediatra e pneumologista pediátrico do Instituto de Pediatria e Puericultura (IPP), pai de Sophia e Carolina, e com o ginecologista e obstetra, Marcelo Fiore Moutinho Capo, pai de Marcella e Rafael.

Como perceber que o bebê ou criança está com falta de ar

É possível notar o problema quando o bebê ou criança começa a respirar mais rápido, as costelas afundam e existe uma tosse muito constante, que não cessa. “Percebemos que ele fica realmente incomodado. Há uma força para respirar, usando a musculatura abdominal e do pescoço, além do batimento de asa de nariz. Se a família tiver em casa um oxímetro, pode ajudar bastante. Geralmente, isso acontece com mais frequência nas crianças com asma“, explica o pediatra. Saiba mais sobre asma em crianças.

Quando o bebê ou a criança tiverem falta de ar, é importante que os pais mantenham a calma (Foto: Shutterstock)

Causas da falta de ar

De acordo com o Dr. Eduardo, os três motivos mais comuns de falta de ar são: “Os vírus, os mesmo que causam as gripes e resfriados, que pode ser desde a influenza à bronquiolite, as alergias, que podem ser causadas por pó, poeira, ácaros, fungos, tabagismo passivo e contato com pelos de animais, e também quando a criança já tem diagnóstico de doença crônica, como a asma, que afeta 15% das crianças e jovens”.

Além desses fatores, é importante ficar de olho em:

Atividade física em excesso: se a pessoa não está habituada com as praticas de atividade física, é importante começar devagar para ganhar condicionamento. Além disso, o excesso de peso também pode fazer com que a falta de ar ocorro. Neste caso, é muito importante ir aos poucos para que o corpo possa se acostumar com o esforço.

Covid-19: a falta de ar é um dos principais sintomas da doença. A infecção, que pode ocorrer tanto em sua forma mais leve como grave, pode causar cansaço. Para desconfiar da condição, é possível relacionar também a dor de cabeça, mal-estar, febre alta, perda de olfato e paladar, tosse seca e dor muscular. Se o paciente apresentar o sintoma, é importante procurar um serviço de saúde para a confirmação do diagnóstico.

Objeto estranho nas vias aéreas: quem tem criança em casa sabe que todo cuidado é pouco, principalmente por causa das peças pequenas de brinquedos. Se colocadas no nariz, a falta de ar pode acontecer. Os pais podem desconfiar caso escutem sons diferentes ao respirar, ou haja dificuldade para falar ou tossir. É importante procurar um pronto-socorro para que o objeto seja removido.

Reação alérgica: seja por tomar algum medicamento ou ainda picadas de insetos ou alimentos, a falta de ar pode acontecer. Em casos como esse, é importante procurar um hospital imediatamente para reverter a situação. É possível notar manchas vermelhas pelo corpo, inchaço, coceira e lábios arroxeados.

Como aliviar a falta de ar no bebê ou criança

Apesar do momento ser desesperador, é muito importante que a família mantenha a calma para ajudar o bebê ou a criança. Por isso, peça para que ela fique o máximo possível em repouso, não corra e evite falar muito. “Se a criança já utiliza algum medicamento, é essencial que continue usando corretamente. Após isso, é recomendado fazer nebulização. Normalmente, usamos broncodilatadores. Se percebemos que o bebê ainda está com cansaço e falta de ar, é importante que ele seja avaliado em um pronto-socorro por um pediatra para ser tratado corretamente”, explica Eduardo Rosset.

Meu filho não consegue respirar

Se os pais perceberam que o bebê ou criança não está respirando, é necessário iniciar manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) até que o serviço de emergência chegue:

Como fazer RCP em crianças: apoie uma das mãos no peito da criança entre o coração e os mamilos. Em seguida, pressione o tórax apenas com uma mão e conte duas compressões por segundo até a chegada da emergência.

Como fazer RCP em bebês: posicione os dedos indicador e médio no meio do peito e conte dois empurrões por segundo até que o resgate chegue. Confira outras dicas de primeiros socorros no bebê e na criança. 

Por que a grávida fica com falta de ar?

Na gravidez, é possível que a falta de ar aconteça logo no início e acabe melhorando conforme o tempo, voltando apenas no terceiro trimestre. Segundo o obstetra, isso acontece por causa do diafragma. “Ele apresenta uma elevação fisiológica, de aproximadamente 4 cm. Isso acaba alterando as trocas gasosas, para que sejam priorizadas entre o bebê e a placenta. Quando isso acontece, a gestante desenvolve uma alcalose respiratória, que é compensada por um mecanismo fisiológico do corpo, alterando o bicarbonato sérico e isso se compensando-o depois. O resultado é uma dispneia leve. Na maioria das pacientes, isso acontece no início da gravidez e ao longo da gestação elas se adaptam ou tendem a desaparecer”.

Geralmente, nenhum tratamento é necessário, mas se a falta de ar progredir é importante conversar com o obstetra. “Quando ela é intensa ou associada a outros sintomas e sinais, como palpitações em excesso, lábios e unhas arroxeadas é preciso descartar doenças como cardiopatias“, orienta o especialista.

Próximo do terceiro trimestre da gravidez, a mulher pode ter mais dificuldades nas tarefas do dia a dia, causando a falta de ar. “Então, é importante preservar-se de esforços, não deitar com a barriga para cima, evitando a compressão da veia cava. Sempre que estiver estressada ou em situações angustiantes, é importante lembrar a paciente de se acalmar e se concentrar na respiração”, explica Marcelo Fiore Moutinho Capo.


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