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Exames de rotina da família: importância e como ficam durante a pandemia

Realizar o check-up da família é fundamental para manter a saúde de todos em dia - Shutterstock
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Publicado em 25/04/2021, às 05h07 - Atualizado em 21/05/2021, às 14h41 por Yulia Serra, Editora | Filha de Suzimar e Leopoldo


Não é novidade para ninguém que manter a saúde em dia deve ser uma prioridade para toda a família. Não são apenas os adultos que precisam realizar check-ups periódicos, esse deve ser um hábito iniciado desde os primeiros dias de vida do bebê, ou melhor dizendo, desde a descoberta da gestação. Porém, com a chegada e propagação do coronavírus no Brasil, a população foi orientada a ficar em casa e, seguindo essa recomendação, muitos não foram a um hospital ou centro de saúde por medo de se infectar.

Realizar o check-up da família é fundamental para manter a saúde de todos em dia (Foto: Shutterstock)

Segundo um estudo do Trocando Fraldas em junho de 2020, pelo menos 61% dos brasileiros deixaram de ir a uma consulta médica desde que a pandemia começou. Outra pesquisa mais recente, de novembro, constatou que 63% da população do país ainda tem medo de contrair covid-19. Diante do cenário atual, a Dra. Cristiane Mayra Adami, otorrinolaringologista especialista pela Sociedade Brasileira de ORL e médica colaboradora do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, mãe de Mateus e Lucas alerta: “As consultas de rotina não podem ser canceladas na pandemia, mas adiadas”.

A especialista defende que é na primeira infância que o indivíduo irá se formar, tanto física quanto intelectualmente, por isso o acompanhamento com o pediatra deve ser uma rotina, já que ele será capaz de delimitar o que é normal e o que não é normal. “Os exames de rotina funcionam como uma triagem para descobrir alterações, tratá-las e curar as pessoas”, aponta, e o tempo é precioso nesse sentido.

A Dra. Ludmila de Freitas Ventura Simões, Coordenadora do Berçário e UTI Neonatal e Vice Diretora Clínica do São Cristóvão Saúde, mãe de Gustavo, reforça esse posicionamento: “Quanto mais cedo algum problema for identificado e o tratamento iniciado, maiores serão as chances de sucesso e de a criança ter uma vida normal”. Através dessas consultas, serão monitorados pontos importantes como o desenvolvimento físico, neuropsicomotor e intelectual.

Pensando no futuro

A médica destaca a importância de confiar no médico que escolheu para cuidar do seu filho, uma vez que embora existam protocolos, é necessário oferecer um serviço especializado. “Cada criança e cada família são únicas e, portanto, devem ser tratadas de maneira individualizada”, acrescenta. Ela também opina que frequentemente os exames de rotina parecem ter um certo “efeito tranquilizador” para os pais, mas ao mesmo tempo devem ser muito bem indicados e acompanhados pelo pediatra responsável.

A Dra. Caroline Peev, pediatra e alergista, médica plantonista e chefe de plantão do Sabará Hospital Infantil, filha de Eliana e José Luiz, levanta essa bandeira e justifica: “Temos que realizar uma orientação adequada para não expormos desnecessariamente a criança a dor e traumas”. Mas com o acompanhamento consciente e especializado, a alergista dá algumas dicas aos pais para não perderem nenhum prazo e se organizarem, como ter uma agenda com as datas programadas, um calendário ou caderneta da criança para agendar a próxima consulta ao sair do atendimento daquele dia e fazer os cuidados no dia a dia.

Esse cuidado fará diferença não apenas neste período de vida, mas para o futuro, uma vez que ela garante que a avaliação periódica cuidadosa na primeira infância é fundamental para formar adultos saudáveis. Embora pareça distante, é hoje, quando ainda são pequenos que você irá construir esse terreno. A Dra. Daniela Piotto, consultora em pediatria do Fleury Medicina e Saúde, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, mãe de Júlia e Laura, pontua: “O check-up infantil não se resume a apenas exames, mas sim consultas regulares com pediatra, justamente para avaliar a criança como um todo. Os pediatras têm o desafio de garantir a qualidade de vida aos adultos que irão chegar até os 100 anos”.

A médica destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para um bom prognóstico e o indivíduo crescer saudável. Acima de tudo, ela volta a retomar a necessidade de não cancelar as consultas de rotina. “É importante que os pais tenham chance de conversar com o pediatra, muitos estão acessíveis virtualmente nesse momento de insegurança”, diz. “A telemedicina nos deu oportunidade de atender pacientes que nunca teriam contato com o especialista, ou demorariam um ou dois anos para conseguir um atendimento”, acrescenta a especialista que já atendeu pessoas no norte, nordeste e sul do Brasil estando em São Paulo.

Online e offline

Durante a pandemia, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) liberou a utilização da telemedicina em caráter excepcional, “como meio de evitar o trânsito de pessoas e oferecer assistência a pacientes em situação de isolamento social, conforme preconizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Ministério da Saúde”. A publicação diz que o pediatra deve se valer do bom senso e visão crítica para oferecer o diagnóstico e tratamento adequados, seguros e eficazes, nos seguintes moldes:

  • Teleorientação: permitindo que os médicos orientem e encaminhem à distância o paciente que se encontra em isolamento;
  • Telemonitoramento: que consiste no monitoramento à distância dos parâmetros de saúde  e/ou doença;
  • Teleinterconsulta: garantindo a possibilidade de troca de informações e opiniões entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Daniela supõe: “As consultas de telemedicina ajudaram muito e acredito que vieram para ficar”, mas afirma que sempre recomenda, após uma consulta online, que a próxima seja presencial. A Dra. Fernanda Moura, médica pediatra do Hospital da Criança Rede D’or São Luiz, mãe de Fabrício, completa: “O atendimento para as consultas de rotina deve ser mantido, porém é adequado que seja elaborado e respeitado um novo fluxo de atendimento com o objetivo de oferecer assistência segura para todas as famílias, que deve ser constantemente reavaliado conforme a evolução do cenário”.

Não deixe para depois

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, para um acompanhamento seguro, o número de visitas ao pediatra varia conforme a idade da criança, além de também sofrer alterações com as necessidades específicas para cada caso. A recomendação é de três consultas para os bebês entre 5 a 30 dias de vida, uma vez por mês entre 2 e 6 meses de idade, bimestral a partir dos 7 meses, trimestral após 2 anos, semestrais depois de 6 anos e anuais dos 7 aos 18 ou 19 anos.

Cuidar da saúde da família precisa ser uma prioridade, que vai além do coronavírus (Foto: Getty Images)

“Não deixe de levar seu filho ao pediatra!”, pede Fernanda. Para ela, esse acompanhamento linear com o médico de confiança também permite descobrir a necessidade de aumentar ou reduzir a quantidade de consultas. Por exemplo, alguma predisposição genética ou alteração nos exames de rotina pode levar a um acompanhamento mais frequente e até prescrever novos testes e análises. É o que expõe a Dra. Natasha Slhessarenko, pediatra e diretora médica do Alta Diagnósticos do Delboni, mãe de Marina e Maria Eduarda. “Nesses casos, é necessário um olhar mais atento e curioso”.

Desde o início da vida, nos famosos mil dias (período que soma a gravidez e primeiros dois anos da criança) é preciso atenção, uma vez que é essa fase é essencial para o pleno desenvolvimento do potencial humano. Por isso, a diretora finaliza: “É importante consultar o pediatra em qualquer situação, seja ela presencial ou online, mas acima de tudo é necessário garantir que esse check-up aconteça”.


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