Família

Empresária no ramo de hotelaria em Fernando de Noronha fala como conciliou a maternidade e a carreira: “Empreender no Brasil é desafiador”

Dona de pousadas em Fernando de Noronha, Kátia Peixoto conta história no empreendedorismo. A mãe dela foi uma forte inspiração, a foto foi tirada no aniversário de 85 anos dela, um mês antes de falecer - Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Publicado em 08/09/2022, às 14h04 - Atualizado às 18h57 por Andressa Simonini, Editora-executiva | Filha de Branca Helena e Igor


Katia Peixoto, mãe de Maria Eduarda e Maria Cecília, dona de uma loja de revestimentos e de pousadas em Fernando de Noronha fala sobre a própria história e influência da maternidade na carreira e vida pessoal. Se você nunca esteve nessa ilha que é um verdadeiro paraíso nacional, fica como dica para você programar sua próxima viagem, tanto em família quanto com amigos. Durante o bate-papo, ela ainda destacou a importância das filhas, mãe e companheiro de vida para chegar aonde chegou. Confira tudo o que ela disse nessa entrevista à Pais&filhos.

Há alguns dias tive o prazer de conhecer Fernando de Noronha, mas além das atrações que o próprio lugar oferece, o destaque principal é a estrutura que vivenciamos da Pousada Morena, que tem uma vista espetacular para o Morro do Pico e de presente uma piscina com borda infinita para o mar.

Dona de pousadas em Fernando de Noronha, Kátia Peixoto conta história no empreendedorismo
Dona de pousadas em Fernando de Noronha, Kátia Peixoto conta história no empreendedorismo. A mãe dela foi uma forte inspiração, a foto foi tirada no aniversário de 85 anos dela, um mês antes de falecer (Foto: Arquivo Pessoal)

Pais&Filhos: Como funciona a estrutura dos negócios?

Kátia Peixoto: Toda a minha estrutura de apoio é aqui em Recife. Então, aqui em Recife eu tenho toda parte do escritório, de compras, do financeiro, controller, RH. Nós montamos realmente uma estrutura aqui, porque hoje nós temos três pousadas em Fernando de Noronha, que é a Pousada Morena, a Colina Pousada e Spa e a Paraíso Noronha e estamos construindo mais uma, que vai ser em primeira mão, ninguém está sabendo ainda que vai ser Hamares.

P&F: E é tudo ali onde fica Morena ou é em outros lugares da ilha?

KP: É bem perto, tem uma vista linda também para a praia da Conceição e para o Morro do Pico. Eu acho que o primeiro ponto que deve se preocupar com a estadia em estar em Noronha é a vista, que é o que a gente tem de mais bonito da ilha.

P&F: Então, eu posso ir mais duas vezes, três vezes para Noronha para eu conhecer outros hotéis de vocês? (rs)

KP: Exatamente. A gente tentou fazer quatro produtos diferentes, sabe? A Morena é uma pousada bem focada em serviço. Porque Noronha é uma ilha, então, como todo destino de ilha, tudo é muito difícil, passando por toda a parte de insumos e de manutenção. Geralmente, nos hotéis de Noronha você não encontra muitas áreas de convivência. Já a Morena tem muita área de convivência, onde a gente tem restaurante, uma loja, porque é interessante você ter mais esse espaço para oferecer para o cliente. Temos a parte de piscina, a área de spa, a parte de academia, uma parte relax. Então a gente se preocupou em realmente criar uma hospedagem que oferecesse tudo isso. Por exemplo, por lá existe o tronco dos desejos, que é uma ideia minha, que eu vi lá na Europa, em uma Igreja, e achei que tinha muito a ver. Em agradecimento a você ter ido visitar a ilha, o tronco concede um desejo, pode pedir que ele faz. Então, todas essas histórias compõem a experiência do hóspede.

P&F: Todas as suas pousadas atendem a família completa?

KP: A Morena recebe crianças, casais, família e grupo de amigos. A Colina é uma pousada diferente, uma pousada mais exclusiva. Eu só tenho 13 quartos, eu não recebo crianças. É uma pousada realmente para casais. Isso é para quem quer curtir um ao outro, cada bangalô tem uma piscina exclusiva. A Paraíso é a mais nova, descolada, um nível intermediário, mas muito bem montada, com tudo, um café da manhã maravilhoso. Então a gente tem muito cuidado com todos os detalhes.

P&F: E todas essas têm uma vista muito bonita?

KP: A Morena e a Colina têm vistas maravilhosas. A Paraíso, não. A Paraíso é uma pousada que tem uma área de convivência interna. Ela fica bem localizada, é para o público mais jovem. Mas todas atendem a melhor experiência que o hospede precisar.

A Pousada Morena tem uma vista Fernando de Noronha de tirar o fôlego
A Pousada Morena tem uma vista Fernando de Noronha de tirar o fôlego (Foto: Ed Wanderley)

P&F: E a nova pousada promete o quê?

KP: Essa pousada vem trazendo toda a nossa experiência na hotelaria com Noronha, vai ter ainda com mais detalhes e com mais recurso do que as outras, porque são 20 apartamentos, 12 vilas, onde cada vila vai ter uma piscina e todos os quartos são voltados para a Praia da Conceição e para o Morro do Pico. Pensamos em uma área de spa, para cuidar do corpo e da mente. Noronha tem um clima, acho que você conseguiu captar isso, tem uma energia maravilhosa que a gente só consegue ter ideia do que é vivenciando isso. Então acho que a gente precisa criar ambientes que façam com que você tenha essa percepção ainda melhor, tanto de toda a área de beleza da ilha quanto também dessa energia. Essa também irá receber crianças.

P&F: É bastante coisa que você faz. Como dá conta?

KP: Eu acho que mulher consegue ser tudo isso. A gente consegue se dividir. É lógico que eu tenho um apoio muito grande das minhas filhas. Eu acho que isso é muito importante. E um apoio muito grande do meu marido. É uma pessoa que está sempre comigo.

P&F: Eu queria que você contasse brevemente sobre de onde veio, onde você começou

KP: Eu nasci em Recife, tenho 56 anos, tenho duas filhas, Maria Eduarda e Maria Cecília. E é assim, eu sempre trabalhei muito e desde pequena. Sempre quis ser arquiteta. Na minha vida fiz arquitetura, trabalhei por muitos anos, tive escritório e apareceu a oportunidade de abrir a loja, a Pleno. Em seguida veio a hotelaria. A minha família não tinha hotelaria. Então surgiu a oportunidade de entrar como investidora. Estamos com mais dois projetos em outra praia, Milagres – Alagoas. Meu pai e minha mãe sempre disseram que, o que sempre daria para gente, era educação. Então fomos uma família muito baseada nisso, em educação e princípios. A isso, eu sou muito grata aos meus pais. E eu acho que é o que eu tento passar para minhas filhas. Hoje está cada dia mais difícil você criar, educar, porque a vida não está fácil.

Kátia Peixoto, mãe de duas meninas, fala sobre os desafios e prazeres do empreendedorismo materno
Kátia Peixoto, mãe de duas meninas, fala sobre os desafios e prazeres do empreendedorismo materno (Foto: Arquivo Pessoal)

Os valores hoje estão muito deturpados, então a gente precisa passar isso para nossos filhos, valores de família. Isso é muito importante e muito forte. Aqui a gente sempre procura se basear nisso. Sempre trabalhei, desde os nove, entrei na faculdade. As minhas filhas trabalham comigo e eu tenho as duas muito próximas. A gente tenta estar sempre juntas. Eu acho que isso é importante, participar da vida delas. Hoje eu tenho a minha filha mais velha casada, mas mora perto de mim. Então eu tento também estar presente no dia a dia delas e curtindo um pouco isso. E nessa loucura, a gente vai conseguindo conciliar também com o lado empresária, porque eu acho que isso é o que também nos faz feliz.

P&F: Com certeza, não é? Tem que pensar nesse lado. Com quantos anos você teve a sua primeira filha?

KP: Com 26.

P&F: Você sempre sonhou em ser mãe? Como você chegou na decisão de ser mãe aos 26 anos?

KP: Eu casei com 21 e eu demorei um pouco a engravidar, eu tinha ovário policístico, então acho que isso retardou um pouco. Engravidei e tive Maria Eduarda, aos 26 anos. E também logo depois eu tive Maria Cecília. É uma diferença de um ano e cinco meses de uma pra outra. Amei ser mãe e amo ser mãe de meninas. Elas foram muito próximas. Isso foi muito bom para conduzir as duas. Elas são super amigas, companheiras e eu acho que quando você é feliz, quando você está feliz, quando você está satisfeita, quando você é leve, a vida flui. Eu sempre trabalhei muito, quando as meninas estavam com dois meses, eu já retornei a ativa no escritório de arquitetura, porque eu tinha meus projetos para entregar e eu tinha muita responsabilidade. Criei minhas filhas trabalhando e, ao contrário, acho que eu nunca passei para elas a falta. Elas sempre sentiram orgulho. Eu acho que isso é muito importante. E eu me lembro que Maria Cecília, ficava meio assim num determinado momento porque todas as amigas dela, a maioria das mães, não trabalhavam. Chegou um momento que eu pensei: “Aí será que ela sente falta da mãe?”.

P&F: Veio aquela famosa culpa, não é?

KP: É, exatamente. Aí ela olhou pra mim e disse: “Mãe, a mãe dessas meninas não fazem nada, passam o dia aqui no colégio se metendo nas nossas coisas”. Isso pra mim foi muito tranquilizador, ela tinha orgulho.

P&F: Em algum momento, por causa dessa culpa, você pensou em parar de trabalhar, em tirar um tempo?

KP: Nunca. Eu acho que essa minha culpa durou dois dias, nunca.

P&F: Como e quando você entrou para empreender em Fernando de Noronha? Por que você parou lá?

KP: Por acaso, um amigo nosso nos convidou para investir numa pousada, ser investidor apenas. Como eu estava como arquiteta, fazendo o projeto junto com o amigo meu, eu assumi a obra e assumimos também a operação da pousada.

P&F: O que a família pode encontrar de melhor em Noronha?

KP: A ilha tem um visual fantástico. Eu acho que, como natureza, você tem praias belíssimas. Você tem uma natureza que lhe abraça, que vale as vistas e imagens lindas. Você volta renovado. É um lugar extremamente seguro. É um lugar do Brasil que você anda à vontade. Você se energiza lá.

P&F: O que você indicaria para a pessoa que vai a primeira vez, o que ela não pode perder?

KP: Quando você chega na ilha, você já sente que é um lugar especial. Então, eu acho que você deve fazer um guia turístico. Você deve dar uma passada, entender um pouco que a ilha é pequena. E depois eu acho que você deve parar e contemplar.

P&F: Até quem trabalha eu senti que está na mesma sintonia, porque a hora que dá o horário de trabalho, acabam se encontrando turistas, moradores e trabalhadores da ilha no mesmo lugar, por exemplo, no Bar do Cachorro

KP: Exatamente. Está todo mundo ali com a mesma finalidade, de relaxar, de aproveitar, é um momento despojado.

P&F: Eu queria que você passasse uma mensagem, você é uma mulher que é empreendedora, criou seus próprios negócios junto com a maternidade, sempre trabalhou dessa maneira, para as mulheres que estão empreendendo. Qual é a maior dica que você pode dar das vantagens do empreendedorismo mesmo? E os desafios que o empreendedorismo traz?

KP: Os desafios são grandes. Você empreender no Brasil é desafiador. Como mulher, empreender é desafiador. Mas eu acho que é aquilo que a gente comentou, quando você faz o que gosta os desafios lhe satisfazem. A gente não tem que ter culpa porque trabalha. Temos que trocar a falta que a gente faz no dia a dia para os filhos, pela admiração que podemos gerar.

P&F: Você falou da importância da família desde a infância… O seu pai também. Como eles te marcaram?

KP: Meu pai se chama Altamir. Ele teve muita influência na parte de arquitetura, porque ele sempre gostou disso, apesar de não ser arquiteto. A minha mãe já faleceu, eu perdi minha mãe tem três meses e o nome dela é Naíde. É muito recente, uma pessoa que fazia muito parte do meu dia a dia. Ela começou a morar perto da gente. Então, é um laço diferente de mãe para filho e da gente para os pais. É um momento que realmente você analisa um pouco. É como se você estivesse em um outro patamar da sua vida.

P&F: Eu acho que esse luto começa a trazer para você, por exemplo, que você era filha e agora você é mãe

KP: Exatamente. Você vai passando por fases na vida. Eu acho que tem um momento que a gente inverte. Sua mãe é muito nova, mas vai ter o momento que você vai começar a cuidar dela. Eu acho que a gente passa por isso, é filha, a gente vira mãe e depois a gente vê os filhos crescendo, os papéis vão se invertendo e vão se acomodando.

P&F: E pra finalizar, a pergunta Pais&Filhos: família, é tudo pra você?

KP: Eu acho que família é muito importante, é a base de tudo, mas eu preciso de várias coisas que me completem para que eu seja e consiga colaborar para a minha família, dar felicidade pra minha família.

Assista agora ao POD&tudo, o podcast da Pais&Filhos, com a jornalista Izabella Camargo!


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