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O que aprendemos com pais franceses sobre alimentação das crianças

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Nossos filhos tem um paladar diferente do nosso, ok, mas isso não significa que não podem comer o que nós comemos. Muito pelo contrário. Assim como quando você mostra seus valores para seu filho através dos exemplos que dá, quando se alimenta bem e de forma equilibrada mostra para a criança que isso é parte do dia a dia, sem crise. Ou seja, se para jantar tem arroz, feijão, salada, cenoura e peixe, para o seu filho o cardápio não precisa ser diferenciado.

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No livro Crianças Francesas Não Fazem Manha, a autora Pamela Druckerman explica que na França, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, as crianças estão acostumadas com alimentos frescos e que nos restaurantes não há menus diferenciados para adultos e crianças. O exemplo não precisaria atravessar fronteiras internacionais, pense em quantos restaurantes você foi recentemente que tinham opções só para as crianças, o chamado menu kids, e outro, completamente diferente, para os adultos.

Segundo a autora, na França as crianças também comem batatas frita e hambúrguer quando vão a um restaurante do tipo fast food, mas esse não é o único tipo de alimento que agrada ao paladar delas. “A frescura extrema que se tornou normal nos Estados Unidos e na Inglaterra parece aos pais franceses um perigoso distúrbio alimentar, ou, no mínimo, um péssimo hábito”, diz Pamela.

E as consequências são importantes. Enquanto na França 3,1% das crianças entre 5 e 6 anos são obesas, nos Estados Unidos o número sobe para 10,4% em crianças de 2 a 5 anos. O segredo? Nenhum. O que acontece é um conjunto de fatores e ações. Por exemplo, em campanha, o governo francês lembra a população de comer pelo menos cinco porções de frutas, verduras e legumes por dia. Além disso, para os pais franceses é quase uma missão  que os filhos conheçam e apreciem legumes e verduras, que conheçam o gosto de cada alimento e que saibam diferenciá-lo. Para estes pais, ensinar a comer faz parte da educação que devem aos filhos, da mesma forma como ensinam a dizem bom dia e obrigado.

Da mesma forma, as crianças são estimuladas a pensarem no cardápio e a prepararem o alimento. A comida não é assunto proibido, muito pelo contrário: os pais estimulam que os filhos falem sobre o que gostam e o que não gostam. O paladar da criança não é ignorado, mas também não é uma subestimação sobre o que as crianças gostam ou não de comer. Além disso, sobremesas e doces tampouco são cortados do cardápio das crianças. “O açúcar exite. E os pais sabem. Eles não tentam eliminar todos os doces da alimentação dos filhos. preferem encaixar os doces dentro do cadre [limite]”, explica a autora. Ou seja, para a criança o doce tem seu lugar.

Claro que cada país tem seus costumes e tradições. No Brasil, por exemplo, nos assimilamos aos pais americanos em alguns aspectos e aos franceses em outros. Mas o interessante é entender quais desses costumes nossos valem a pena serem mantidos o que podemos aprender com os pais franceses sobre alimentação.

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