Criança

Seu filho ronca? Leve-o ao médico

Apneia Obstrutiva do Sono atinge até 3% das crianças e pode requerer cirurgia

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

04/10/2012

Por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi

Quando você coloca o seu filho para dormir, já prestou atenção se ele ronca? Ronco noturno, paradas respiratórias, sono agitado e respiração bucal são sintomas da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), que costuma afetar de 0,7% a 3% das crianças, sendo mais comum entre os 3 e os 6 anos de idade. A principal causa do problema nesta faixa etária é a hipertrofia (aumento) das amídalas e da adenóide. Mas não são só os sintomas noturnos que preocupam. Invariavelmente, essas crianças têm sinais de cansaço e irritação frequentes, olheiras, alteração de crescimento, são difíceis para comer, têm déficit de atenção e problemas de relacionamento por irritabilidade constante. Uma descrição que bate com minha caçula, Babi, com quase 4.

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Quando o ronco está presente no sono é preciso investigar se as vias aéreas estão obstruídas e, por isso, está ocorrendo um esforço respiratório por obstrução das vias aéreas superiores. Agora, se você ouve seu filho roncando mesmo quando ele está no quarto dele e você no seu, não tem dúvida que tem algo errado. Quando minha filha do meio, Duda, caía no sono, ouvíamos o barulho da sala. A passagem do ar causa um som característico, para os médicos, claro, e constante. Por orientação médica, fizemos raio X da face e… bingo!: A adenóide aumentada não deixava quase espaço para que o ar passasse pelo nariz. O otorrino confirmou: ela iria precisar entrar na faca. Com 4 anos, operou adenóide e ouvido. As amídalas estavam bem: ela só tinha tido uma infecção de garganta na vida. Já na noite em que voltou do hospital, estranhamos o silêncio. Íamos de meia em meia hora ao quarto nos certificar de que estava respirando!

Os médicos explicam que, quanto mais esforço respiratório seu filho faz maior a intensidade do bloqueio. O ronco é sinal de que algo está errado na respiração noturna, porém o que mais preocupa são as pausas respiratórias e/ou a respiração com esforço durante a noite. Minha caçula vive de nariz entupido, herdou a rinite do pai, extremamente alérgico. A pediatra recomendou que trocássemos o leite de vaca pelo de soja e, num primeiro momento, a respiração melhorou muito. Mas, de uns tempos pra cá, ela adormeceu na minha cama e pude notar pequenas pausas na respiração, a tal da apneia, e até algumas retrações no tórax (peito), demonstrando esforço. Outros sintomas são suor, sono agitado com movimentação excessiva na cama e enurese (o famoso xixi na cama), que ela até faz, mas muito raramente. Pode acontecer também de a criança dormir em determinadas posições que melhoram a respiração: sentadas ou com o pescoço estendido para trás.

Culpa da rinite

A obstrução nasal é o principal fator que leva à respiração bucal e ao ronco. As causas mais comuns de obstrução na infância são a rinite alérgica e /ou aumento das amídalas e adenóide. Numa primeira avaliação, o pediatra pode tentar contornar a situação com medidas como trocar o leite e higienização nasal constante (vivo limpando o nariz da Babi com soro fisiológico), mas o efeito disto deve ser imediato e permanente, pois não podemos esperar muito tempo porque a fase de crescimento é importante e deve seguir seu curso regularmente, me explicou o dr. Levon Mekhitarian Neto, membro da Sociedade Panamericana de Otorrinolaringologia e especialista no tratamento dos distúrbios respiratórios do sono. Ou seja: já estamos com consulta agendada no otorrino para ver, de novo, se é caso de cirurgia.

Durante as fases 3 e 4 do sono, o hormônio GH ( crescimento ) tem seu maior pico. Portanto, se a criança apresenta apneia do sono, pode haver prejuízos na evolução, como crescimento e aumento de peso. “Quando os resultados das medidas adotadas pelo pediatra não estão aparecendo, o otorrinolaringologista deve ser procurado o mais breve possível”, recomenda.

Por muito tempo a indicação cirúrgica esteve baseada no número de infecções por ano que a criança apresentava ( mais de 4 ou 5 episódios de dor de garganta ). “Atualmente, em minha prática diária, quando a criança apresenta ronco e apneia e todas as medidas para melhora foram realizadas sem o efeito desejado, indico o tratamento cirúrgico”, diz.

Muitas alterações podem ocorrer na criança com ronco e apneia constantes: alterações na face, aumento do volume da língua, do céu da boca e da úvula (“campainha"). As crianças podem apresentar baixo rendimento escolar, hiperatividade e agressividade, irritabilidade e enurese noturna. O peso e a estatura devem ser sempre acompanhados de perto, alterações no tórax ( pectus excavatum) podem ser observadas. De fato, Babi tem tórax um pouco fundo. “Além de tudo, a criança respiradora bucal se não tratada será o adulto com Síndrome da Apneia do Sono com todas as suas consequências para a saúde, portanto uma vez diagnosticado o problema na infância o quanto antes ele deve ser tratado”, diz.

Consultoria: Levon Mekhitarian Neto , pai de Felipe, Caio e Marina, otorrinolaringologista, distúrbios respiratórios do sono, especialista pela AMB, responsável pelo setor de Medicina do Sono do Hospital Ruben Berta. E-mail: levonotorrino@gmail.com

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