Criança

Seu filho está ouvindo bem?

Detectar precocemente a perda da audição é importante para não prejudicar o desenvolvimento da criança

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

 

Se seu filho parece não se incomodar com barulhos altos, tem dificuldade para entender o que você diz ou não fala de forma apropriada para a idade dele, pode ser que o problema esteja na audição. “Podemos começar a suspeitar de dificuldades quando, desde pequenininhas, as crianças não se assustam ou não reagem a sons altos demais”, alerta Marcella Vidal, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.

Quando a criança está na idade de começar a falar, se ela não ouve bem, geralmente não consegue reproduzir bem os sons. “A audição tem papel vital no desenvolvimento da linguagem e da fala, importantes na comunicação e na interação social da criança”, explica a fonoaudióloga.

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Alguns motivos que podem causar a perda de audição são: baixo peso ao nascer (menos de 1,5kg) ou nascimento prematuro (antes da 32ª semana de gestação), mal-formações na orelha ou no cérebro, meningite, acidentes, infecções repetidas no ouvido e alguns medicamentos antibióticos ou diuréticos.

É muito importante que o diagnóstico da perda de audição seja feito precocemente, para garantir que o desenvolvimento da criança não seja prejudicado. Se isso não acontecer, no período escolar, por exemplo, a deficiência auditiva pode trazer dificuldades na aprendizagem e no convívio em sala de aula. Também pode acarretar em outras limitações, como timidez e problemas de relacionamento.

Para os pais de crianças maiores, pode ser um pouco mais fácil de perceber a dificuldade de ouvir. Se seu filho assiste à televisão com volume muito alto, não presta atenção no que você fala com frequência e é muito disperso nas aulas, fique atento.

Tipos de perda de audição

Segundo Natasha Slhessarenko, pediatra do Delboni Medicina Diagnóstica, existem dois tipos de perda auditiva: condutiva e neurossensorial. A primeira acontece se a passagem de sons ao cérebro está reduzida ou bloqueada. Ela pode ser parcial, completa, temporária ou permanente, dependendo da causa (acúmulo de cera, infecções no ouvido, ou rigidez de pequenos ossos dentro do crânio, por exemplo). Já a segunda acontece devido a problemas no ouvido interno (cóclea) ou nas vias nervosas que vão do ouvido interno ao cérebro.

Na maioria dos casos, é possível resolver com o uso aparelho auditivo, implante ou cirurgia. Caso seu filho apresente sintomas de perda de audição, procure um pediatra ou otorrinolaringologista, pois o especialista é quem deve orientar e indicar o melhor tratamento, de acordo com a causa.

Teste da orelhinha

Para os casos em que a criança já nasce com déficit auditivo, o exame da orelhinha é essencial para a detecção. Desde 2010, é obrigatório que os hospitais e as maternidades do país realizem o teste, gratuitamente, nas crianças nascidas em suas dependências.

O exame, que deve ser feito ainda no primeiro mês de vida, é simples. Ele consiste em colocar um aparelho eletrônico no ouvido do bebê que emite sons em diferentes volumes, para que o médico ou fonoaudiólogo monitore se a criança está ouvindo normalmente. Se durante o teste algum problema for detectado, o especialista deve indicar exames mais completos e elaborados.

 

Consultoria: Dra. Natasha Slhessarenko, pediatra do Delboni Medicina Diagnóstica, mãe de Marina e Maria Eduarda.

Marcella Vidal, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.