Criança

Preocupado com a anestesia que seu filho precisa tomar?

Guia elaborado por pediatra responde às principais dúvidas dos pais

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

No trabalho diário como a coordenadora do Núcleo de Anestesia Pediátrica da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP),  Débora O. Cumino tem experiência nas dúvidas e ansiedades dos pais  Com base nisso, elaborou este guia que disponibilizamos a seguir.

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O que é anestesiologia?

       É a especialidade médica que estuda e proporciona ausência de dor ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos, como cirurgias ou exames diagnósticos.

O que faz o anestesiologista?

        Durante a cirurgia, além da função natural de retirar a sensação de dor para que o ato seja suportável ao ser humano, o médico anestesiologista tem a missão de monitorar o estado geral do paciente, seu nível de consciência, pressão arterial, pulso, respiração, estando sempre atento a qualquer alteração. É por isso que o anestesiologista é chamado de “anjo da guarda”.

Deve-se suspender o uso de medicações usadas regularmente?

       O médico anestesiologista, durante a consulta, vai orientá-lo sobre os medicamentos que serão suspensos ou mantidos antes da cirurgia. Existem algumas medicações que deverão ser suspensas até 10 dias antes da cirurgia, por aumentarem o risco de sangramento, e outras, como as medicações para asma, que devem ser tomadas inclusive no dia da cirurgia mesmo em jejum, com pequenos goles de água. Mas somente o médico anestesiologista poderá fazer estas orientações específicas.

Por que é necessário manter a criança de jejum?

       Os alimentos que engolimos, líquidos ou sólidos, não entram nas vias respiratórias porque dispomos de mecanismos de defesa que fecham sua entrada, fazendo com que eles se dirijam ao estômago. Durante a anestesia, estes mecanismos de defesa são perdidos e, na eventualidade de ocorrer vômito, o alimento poderá entrar nas vias respiratórias e provocar complicações pulmonares muito graves. Portanto não permita que seu filho(a) coma ou beba qualquer coisa, siga as orientações de seu médico anestesiologista.

Se a cirurgia for de urgência e meu filho(a) acabou de se alimentar?

       Nesses casos existem métodos que podem reduzir bastante o risco de aspiração de alimentos para o pulmão. O cirurgião é ciente deste risco e apenas indicará a cirurgia nestas condições quando julgar ser absolutamente necessária.

Na consulta prévia, é feito algum “teste” para anestesia?

       Não existe “teste” de anestesia, nem mesmo teste para identificar alergias antes da anestesia. A avaliação pré-anestésica é, de fato, um exame médico dirigido através da coleta de dados da história clínica e exame físico especifico para as necessidades do ato anestésico-cirúrgico.

É  possível que meu filho(a) seja submetido a uma anestesia sem nenhum exame laboratorial prévio?

       Crianças saudáveis, sem uso de medicações diárias, que serão submetidas a pequenas cirurgias, não necessitam de exames pré-operatórios. Porém, somente o cirurgião e o anestesiologista, após examinarem o paciente, são capazes de definir a necessidade de exames laboratoriais conforme as características individuais.

Qual o risco de uma anestesia?

       O avanço tecnológico, propiciando novas medicações e equipamentos de monitorização, assim como estudos e pesquisas clínicas, tornaram a prática moderna da anestesiologia muito mais segura do que no passado, reduzindo imensamente os riscos de acidentes ou complicações decorrentes da anestesia. É claro que o risco nunca é zero, existem fatores, algumas vezes imponderáveis, relacionados não só à anestesia, mas à própria cirurgia, às condições hospitalares e à condição clínica da criança, que podem repercutir num maior risco anestésico-cirúrgico.

Qual o tipo de anestesia que meu filho irá receber?

       Os pacientes pediátricos na maioria das vezes necessitam receber anestesia geral, que pode variar desde uma sedação (em exames diagnósticos) até uma anestesia profunda (procedimentos cirúrgicos), que proporciona que o paciente fique totalmente inconsciente e sem dor durante a cirurgia.

       Frequentemente em pediatria associamos a anestesia geral à alguma técnica de bloqueio loco-regional, que pode ser desde uma peridural até uma simples infiltração de anestésico local, estas técnicas irão proporcionar ausência de dor no pós-operatório.

Costumamos ouvir que a anestesia para crianças é só um “cheirinho”. Esta é uma anestesia mais simples e com menores riscos?

       O “cheirinho” nada mais é que o anestésico em forma de gás, inalado junto com a respiração. Essas medicações são as mesmas empregadas na maioria das anestesias dos adultos.

O que é a indução anestésica?

       A indução anestésica é o início da anestesia e acontece dentro da sala de cirurgia ou sala de exame. A indução pode ser inalatória, quando o anestésico é administrado através da respiração, ou venosa, através da administração de medicações na veia. Inicialmente o anestésico inalado, pode gerar adocicamento da boca e sensação de bem estar, as crianças podem dar risadas neste período. Após alguns minutos, o efeito do anestésico inalatório pode desencadear uma agitação psicomotora, com movimentos involuntários por poucos minutos e depois uma rápida perda da consciência, ou seja, adormecimento.

Quanto tempo dura a anestesia?

       Nas cirurgias com anestesia geral, o avanço tecnológico e farmacêutico  permite que o médico anestesiologista proporcione ao paciente uma anestesia com a mesma duração da cirurgia. O que torna possível que o paciente acorde ao final da operação.

O que é a sala de recuperação?

       Ao fim da cirurgia, a criança será encaminhada à sala de Recuperação Pós-anestésica (RPA), onde será observada de maneira contínua por pessoal qualificado, para se garantir que todos os efeitos relacionados com a anestesia administrada tenham terminado e, também, evitar  ou tratar possíveis complicações.

O que meu filho(a) irá sentir depois da anestesia?

       Depende da idade, da personalidade, da cirurgia, do tipo de anestesia e das condições de saúde da criança. Na maioria das anestesias, as crianças não sentem e não se lembram de nada depois, muitas vezes, querendo até brincar ou se alimentar no pós-operatório imediato. Apenas um pequeno número de crianças apresenta  algum tipo de reação após a anestesia, sendo mais frequente em crianças pequenas, que muitas vezes não sabem explicar ou não entendem o que estão sentindo. Estas crianças podem apresentar irritação, agitação ou choro inconsolável, na grande maioria dos casos não é necessário nenhuma medicação para tratamento.

O que as crianças podem beber e comer depois da cirurgia e anestesia?

       Nos casos onde não existem restrições alimentares no pós-operatório, o ideal é aguardar até que a criança demonstre que está com fome, neste momento deve-se oferecer um líquido sem gordura (água, chá, suco de fruta ou gelatina), após a ingestão aguardar de 10 a 15 minutos para avaliar se a criança não irá apresentar náuseas e vômitos, estes sintomas podem ocorrer depois da anestesia e cirurgia. Não havendo nenhum desconforto após a ingestão de líquidos, pode-se liberar aos poucos a dieta habitual da criança.

Como podemos colaborar para uma anestesia tranquila e segura em nosso filho(a)?

      Em primeiro lugar, seja honesto com seu filho(a), conte a verdade sobre a anestesia e cirurgia, procure uma linguagem que a criança possa compreender. Mentir, nunca ajuda, gera situações inesperadas, ansiedade e muitas vezes a ruptura dos laços de confiança entre pais e filhos, seu filho precisa do seu apoio e sinceridade.

Porque é importante a presença dos pais juntos ao filho antes e após acabar a cirurgia?

       Diversos estudos comprovaram que a presença de um dos pais acompanhando a criança no momento inicial da anestesia, ou seja na indução, traz benefícios à criança quando os pais estão calmos. Portanto, a presença de pais calmos ajuda a aumentar a colaboração de seus filhos  no momento da indução anestésica, diminui a ansiedade das crianças, assim como, reduz os riscos de agitação e alterações de comportamento ao despertar.

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