Criança

ONG realiza terapias com animais para ajudar crianças em vulnerabilidade

Dani Gurgel criou a ONG Conecta que utiliza terapia em crianças com ajuda de animais - Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Publicado em 31/03/2022, às 10h15 - Atualizado em 16/05/2022, às 07h40 por Redação Pais&Filhos


A ONGConecta decidiu investir em animais como forma de terapia para ajudar crianças em vulnerabilidade. Criada em 2021 pela médica veterinária Dani Gurgel, ela vem realizando um trabalho único no Brasil, a TAA (Terapia Assistida por Animais de Fazenda).

Baseada em uma iniciativa norte-americana chamada ‘Green Chimneys’, na Conecta, situada na cidade de Itu, interior de São Paulo, os animais são parte integrante do processo de tratamento realizado por equipes multidisciplinares. “Nosso questionamento era: qual o valor, tangível e intangível, de ressignificar uma vida, especialmente na infância? Em que este processo pode ser transformador? “, disse Dani Gurgel.

O intuito da Conecta é buscar respostas para dúvidas a respeito de crianças em situação de alta vulnerabilidade social, alvos de violência, abusos, negligência ou abandono e crianças com transtornos psicológicos que comprometem o cognitivo, como depressão, TOC ou autismo, entre outras deficiências.

Formada em Relações Internacionais, Dani Gurgel começou sua vida profissional como assessora de eventos em locais de prestígio como o antigo Leopolldo, Daslu e Bar des Arts, entre outros. O casamento com um cineasta que iria fazer mestrado em Los Angeles a levou para os Estados Unidos. Embora desejasse continuar a exercer sua profissão, não podia trabalhar naquele país, pois não tinha visto de trabalho.

Dani Gurgel criou a ONG Conecta que utiliza terapia em crianças com ajuda de animais
Dani Gurgel criou a ONG Conecta que utiliza terapia em crianças com ajuda de animais (Foto: Arquivo Pessoal)

A solução foi atuar com voluntariado. “Sempre amei os animais, principalmente os de grande porte e encontrei um projeto de voluntariado no Zoológico de Los Angeles, onde fiquei seis meses e onde acabei conhecendo todos os tipos de animais”, contou. Após esse projeto Dani precisou treinar animais, como  tigres, ursos, hienas e macacos, entre outros, para participarem de filmes.

O próximo passo foi entrar na faculdade de Medicina Veterinária, que acabou interrompendo por sua gravidez e pelo desejo forte de retornar ao Brasil para proporcionar ao filho um convívio mais direto e próximo com a família. Ela lembrou: “Voltamos com meu bebê de poucos meses em dezembro de 2013. Em fevereiro de 2014, retomei meus estudos de Medicina Veterinária”.

Dani realizou alguns estágios em organizações internacionais e foi aí que despertou um desejo de criar o que hoje é a ONG Conecta. O estímulo final foi o encontro com a Green Chimneys, uma entidade subsidiada pelo governo de Nova York, que trabalha desde 1947 com interação animal naquela região norte-americana. “Conversei com o diretor da entidade e ele se mostrou muito interessado na possibilidade de alguém reproduzir seu modelo num país como o Brasil. Assim tive assessoria, monitoria e acesso a materiais técnicos que acabei incorporando ao nosso projeto Conecta”, contou.

Os animais podem ajudar no desenvolvimento de crianças em vulnerabilidade
Os animais podem ajudar no desenvolvimento de crianças em vulnerabilidade (Foto: Arquivo Pessoal)

A ONG Conecta atua de forma prática e efetiva contemplando os três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU para 2030: ODS 3 – Saúde; ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 15 – Proteger a vida terrestre. Todas as atividades são realizadas por profissionais das áreas de Saúde e Educação, com o objetivo de desenvolver e melhorar aspectos sociais, físicos, emocionais e educacionais.

Segundo sua experiência, Dani Gurgel acredita que o amor sem julgamentos e o acolhimento sem preconceitos oferecidos pelos animais ajudam na cura destas crianças, na descoberta de sua própria potência e assim, se desenvolvem. “Vamos deixar claro que os animais que fazem parte deste processo de terapia são selecionados com base em algumas características necessárias para haver a interação, que podem ser trabalhadas ou são inerentes: precisam ter resiliência, conviver bem com barulhos, aceitar toques e obedecer a comandos tanto dos tratadores como das próprias crianças”.


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