Criança

Medos mais comuns nas crianças

Ter medo é um bom sinal. É o primeiro passo para a criança se dar conta da própria existência.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

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Seu filho tem medo do lobo mau? E daquele amigo da família? Se você respondeu que sim, então fique tranqüilo. É sinal de que tudo vai muito bem com ele. Ter medo é o primeiro passo para a criança se dar conta da própria existência. E é a partir do reconhecimento de si mesma que ela vai começar a trilhar os caminhos para crescer e se desenvolver, tornando-se independente dos pais. E isso dá um medão, claro.

Os temores da criança não têm uma ligação direta com a realidade. Eles ganham sentido pelos significados que os pequenos criam. Faz parte de um processo de aprendizado. Entre os 5 e 6 meses de vida, por exemplo, o bebê sente medo excessivo de estranhos. Já está bem esperto para distinguir as pessoas amigas e as desconhecidas. Entre os 6 meses e o primeiro ano de vida, é o período em que ele se torna mais desconfiado. Teme separar-se das pessoas conhecidas, especialmente da mãe. Não se assuste com os berros. O medo significa que a família fez seu papel direitinho e possibilitou à criança perceber que ela é um ser à parte.

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Quem tem medo do pediatra?

Nessa fase a criança estranha até mesmo o pediatra. Tenta pular no colo da mãe e grita ao ser examinada. Jaqueline Santos Silva, mãe de Larissa, de 8 meses, levou o maior susto no retorno à médica da filha. “Ela queria se jogar da mesa”, conta. O terror cessou apenas quando terminou o exame. “A conquista da criança depende da paciência do pediatra com a situação”, diz o dr. Francisco de Fiore, pai de Rosa Helena, Eduardo, Rodrigo e Maria Lúcia, do alto de sua expe-riência de 50 anos na pediatria.

A criança de 1 ano pode se atemorizar com objetos que se movam repentinamente ou façam barulhos altos. Abrir um guarda-chuva ou ligar o aspirador de pó pode resultar em sobressaltos. Um cão latindo alto, então… Relaxe, está tudo certo. É importante respeitar o medo do seu filho para não aumentá-lo ainda mais.

Entre o primeiro e o segundo ano, a criança pode se assustar com o banho. Se ela tiver medo de entrar na banheira, não a obrigue. Forçar nunca é uma boa solução. Por um tempo, arrume outras formas de limpá-la, como uma esponja molhada ou chuveirinho. Deixe-a brincar com água dentro de vasilhas até se acostumar. Comece, então, a encher a banheira com apenas dois dedos de água, retirando-a do banho antes de esvaziar.

Entre 2 e 3 anos, quando as crianças desenvolvem diversas habilidades, muitas vezes não conseguem distinguir os objetos que têm vida. Ao começar a tirar a fralda, ela pode se mostrar assustada com a saída brusca da água do vaso sanitário. Se seu filho se recusa obstinadamente a se sentar, dê um tempo para ele se acostumar. Tenha paciência. Muita e sempre.

Quero a minha mãe!

O maior temor mesmo, o campeão, é o de se separar da mãe. Geralmente a criança não faz objeção quando ela está fora, porém, quando a mamãe retorna, pendura-se nela e fica apavorada com a possibilidade de ser deixada novamente. A ansiedade cresce na hora de dormir, sinônimo de separação por várias horas. Aparecem também as primeiras preocupações com a morte. “A criança não teme a morte em si, mas perder a mãe de vista, já que ela se guia mais pela expressão dos pais do que pela realidade para saber se está correndo risco ou não”, explica o psicanalista Homero Vetorazzo Filho, pai de Sofia e Beatriz.

Aos 3 anos, a imaginação da criança chega a um grau em que ela pode se sentir em perigo mesmo estando em perfeita segurança. “Nos últimos tempos, a minha filha Rafaela, de 2 anos e meio, ao entrar no avião quando viajamos de João Pessoa a Curitiba, onde está a minha família, começa a chorar totalmente apavorada, mesmo estando acostumada à viagem”, conta Giovanna Gondim Montingeli.

Superproteção

Dos 3 aos 4 anos, a curiosidade surge fortemente. Os temores são comuns em crianças cuja imaginação foi estimulada por histórias fantásticas ou que recebem cuidados excessivos dos pais e acabam tendo dificuldade para desenvolver a sua independência. Assistir a TV ao lado dos filhos explicando que aquilo não é realidade também é muito importante, diz a psicanalista Elizabeth Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco.

Se seu filho tiver medo do escuro, tente tranqüilizá-lo e não caçoe dele. Respeite. Você sabe que o monstro não existe, mas o medo dele é bem real. Dê a segurança de que tem a certeza de que nada de mau vai lhe acontecer. É a hora do abraço apertado e o momento para ouvi-lo. “Os pais precisam conversar sobre o medo e fortalecer a criança para enfrentá-lo. Mostre que, mesmo estando longe, ela é lembrada por quem a protege”, afirma o dr. Homero.

Aos 4 anos, surge na criança o medo de que seus desejos de raiva contra os pais se realizem. É importante os pais conversarem e tentarem amainar a ira e a culpa do filho, dizendo saber que ele está zangado, mas confirmando que o amor entre eles não foi abalado. Ele está crescendo e, aos 5 anos, os medos começam a se relacionar mais com a realidade. Um medo cada vez mais comum é o de não ver os pais mais juntos. “Se o casal briga, o filho já pergunta se vai se separar”, constata Elizabeth Monteiro.

Aos poucos, a criança distingue fantasia e realidade. Entre 6 e 7 anos, seu filho torna-se mais independente de você. Os medos se intensificam e ficam mais específicos: do fracasso escolar, medo de errar, de perder as pessoas queridas. Medos, afinal, que a gente também tem, vai dizer que não?

Veja quais são os medos mais comuns na infância:

6 MESES A 1 ANO

– Separação das pessoas conhecidas;

– Perda de apoio;

– Quedas Animais;

– Visitas ao pediatra;

– Medo de dormir;

– Ruídos fortes;

– Luzes brilhantes.

2 ANOS

– Estranhos;

– Animais;

– Descargas;

– De separar-se dos pais

3 ANOS

– Escuro;

– Cães;

– Barulhos;

– Monstros;

– Primeiras preocupações com a morte

4 ANOS

– Animais;

– Monstros;

– Situações novas;

– Temem que desejos de raiva contra os pais se realizem

5 ANOS

– Fracasso escolar;

– De se perder;

– Abandono

6 ANOS

– Pessoas deformadas (temem que o problema aconteça com elas);

– Chegar atrasado à escola;

– Ser esquecido na escola;

– Fracasso escolar;

– Medo do erro;

– De perder as pessoas queridas;

– Da rejeição social

7 ANOS

– Escuro;

– Seres sobrenaturais;

– De passar por ridículo;

– Fracasso escolar;

– Medo de errar