Criança

Eu não quero ir pra escola!

A fobia escolar pode ser associada à ansiedade de se ver longe dos pais. Bem diferente de birra: é uma dificuldade que tem de ser cuidada

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Você se lembra dos seus primeiros dias de aula? De angústia de ter que enfrentar uma escola ou uma classe nova? A sensação de medo misturada com curiosidade sobre como serão as coisas, como as pessoas vão te receber?  Momentos em que temos de lidar com situações novas causam ansiedade. Felizmente, passados os primeiros dias, em geral a gente vai se acostumando e se tranquiliza. Mas, para algumas pessoas, o medo inicial não se evapora — até piora com o passar dos dias.  Começa a se manisfestar em sintomas que indicam que a coisa está difícil. Pode ser uma transpiração incomum, uma vontade de chorar entalada na garganta, ânsias e, até, dores de cabeça. 

Pois isso também pode acontecer com as crianças. A primeira experiência na escola exige um período de adaptação, no qual pais e filhos percebem esse novo espaço e se adaptam a ele. Mas, em alguns casos, fatores emocionais e dificuldades pessoais podem fazer com que a adaptação não seja tão simples, podendo até virar o que se chama de fobia escolar. 

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Muito mais que medo

Uma fobia assim se origina do medo extremo de ir à escola. “O medo é algo inerente ao ser humano, uma proteção para perigos reais”, explica a psicóloga da Clínica Maia Prime, Regiane Rocha, filha de Moacir e Ester. “Mas, para alguns, ele paralisa: isso é a fobia, que é um dos chamados Transtornos de Ansiedade”.

As origens da fobia escolar podem ser uma fantasia de que a criança vai se ser separada dos pais para sempre, uma predisposição genética ou outras questões que a criança esteja lidando e que podem acabar projetadas na escola. A psicóloga Danielle Wolff, filha de Ararê e Elair, explica que começar a ir à escola representa uma primeira materialização de situações em que a criança vai estar por sua conta e risco.

Como identificar

A fobia escolar se manifesta de diversas maneiras. Os pais devem se atentar a comportamentos recorrentes, como o choro que vem na hora de sair para a escola, uma recaída em fazer xixi na calça, e sintomas físico com náuseas e diarreia. É precisam entender quando não é birra ou manha: se vários desses sintomas começam a aparecer em conjunto, associados à escola, é necessário uma atenção específica.

Tudo vai dar certo

A parceria entre pais e escola — importante sempre! — passa a ser absolutamente fundamental para superar o quadro de fobia. E quem perceber primeiro — a escola ou os pais — a extensão da questão deve procurar a outra parte. “Não dá para atribuir à instituição a responsabilidade exclusiva de resolver o problema. Esse é um fato que depende da ajuda de ambas as partes”, explica a diretora pedagógica, Monica Mazzo, mãe de Marcell e Ricardo.

É importante que os pais sigam transmitindo para o filho sua confiança e retomem muitas vezes porque é legal ir para a escola. Crianças em idade de educação infantil ainda tendem a se ver como o centro das atenções: a novidade de ter que dividir as coisas, de se iniciar na compreensão do coletivo, um  dos eixos importantes da educação infantil, é especialmente desafiadora para algumas crianças. O papel de todos é ajudar a vencer esta etapa fundamental para seu desenvolvimento pessoal e social.

O diagnóstico de um Transtorno de Ansiedade pode ser confirmado com o pediatra – que poderá indicar outros especialistas ou tratamentos para os sintomas apresentados. Recorrer a  um psicólogo também pode ser útil: o especialista poderá ajudar a pensar em estratégias para aliviar a tensão da criança.  

Consultoria: Regiane Rocha, filha de Moacir e Ester, é psicóloga da Clínica Maia Prime; Danielle Wolff, filha de Ararê e Elair, é psicóloga mestre em educação infantil e CEO do CEDUC, empresa especializada em gestão de creches corporativas; Monica Mazzo, mãe de Marcell e Ricardo, é diretora pedagógica do colégio AB Sabin.