Criança

Entenda como diminuir as chances de criar um filho mimado

Algumas medidas ajudam a evitar o problema

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Redação Pais&Filhos

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criança mimada

Christina Ali admite que o seu filho Issac, 7, é mimado. E ela sabe exatamente o porquê: Quando Issac estava no jardim da infância, Ali, que mora em Cooperstown, Pennsylvania, fazia faculdade enquanto também cuidava de seus gêmeos, que estavam na quinta série. Com o tempo, ela começou a realizar cada desejo de Issac numa tentativa de evitar as birras dele. Mas o seu comportamento já estava fora de controle.

“Nas lojas, ele sempre tinha que ganhar presentes ou então gritaria e espernearia. Em casa, tínhamos que cozinhar a comida dele separadamente porque ele não comia o que todos comiam”, ela conta. O resultado: “Eu percebo agora que eu não deveria ter desistido da situação, mas eu estava exausta e tentando, simplesmente, não enlouquecer”.

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Todos os pais buscam por razões bem-intencionadas. Nós gostamos de satisfazer nossas crianças e criar momentos felizes. Nós queremos oferecer de viagens a lojas e restaurantes para sermos agradáveis e nos livrarmos de problemas. E permitir é mais fácil do que dizer não. Muitas mães e pais se sentem culpados pelo tempo que passam longe de seus filhos, seja pelo trabalho, por precisar sair para comprar algo ou por sair com outros adultos. Isso tudo é compreensível.

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“Quando você tem somente poucas horas no dia para passar com os seus filhos, você não quer que eles estraguem esse momento”, diz o psicólogo Louis J. Lichtman, Ph.D e escritor.

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Pais cedem aos mimos da criança por se sentirem culpados (Foto: Shutterstock)

Contudo não há nada errado em comprar, ocasionalmente, um brinquedo para o seu filho numa ida ao supermercado ou levá-lo ao zoológico em um dia especial. Você aumenta as chances de criar um filho mimado se fizer tudo isso somente quando ele pedir insistentemente.

Mas fazer sempre pode resultar naquilo que você deseja evitar. Em uma pesquisa da revista norte-americana “Parents”, 42% dos leitores admitiram que seus filhos são mimados e 80% acreditavam que mimá-los afetará as suas vidas no futuro.  “Você fará um grande desserviço aos seus filhos se eles crescerem acreditando que o mundo gira em torno deles”, afirma Dr. Lichtman. Se seu filho tem atitudes mimadas, não é tarde demais para reverter o comportamento dele por meio de algumas dicas que listamos abaixo.

Evitar se desculpar por decepções

“Desculpa” tem seu espaço na vida familiar, por exemplo, quando você perde a paciência ou, acidentalmente, joga fora preciosos trabalhos de arte de seus filhos. Mas não há motivos para se remoer quando não puder comprar para ele um tênis caro ou tiver que trocar a viagem por uma ida ao parque porque você tem que fazer o jantar.

Faz bem entender a decepção deles, desde que você mostre que respeita os seus sentimentos. Apenas não fale sobre o que causou isso (“Eu sei que você está triste porque não podemos ir ao parquinho, mas nós não temos tempo hoje; nós iremos numa próxima vez”).

“Ajudar a criança a entender que ela não terá tudo o que quiser é uma importante lição de vida”, observa Karen Ruskin, terapeuta familiar em Sharon, Massachusetts. Se você prometeu ir ao parquinho e teve que adiar o passeio, você deve demonstrar arrependimento pela mudança de planos.

 Não discuta sobre as regras da casa

Se o meu marido e eu deixarmos as decisões serem feitas pelo Daniel, 9, e pelo James, 7, nós nunca iríamos à igreja. Em vez de debatermos sobre porque nós vamos, eu digo simplesmente,: “Isso é o que fazemos juntos e em família”.

Brigas intermináveis não valem a pena, até porque o resultado já é certo. Além disso, eu não quero que os meus meninos discutam sobre as regras de casa, como as de usar capacetes quando estiveram andando de bicicleta ou limpar os pratos do café da manhã.

“Seus filhos têm o direito de ficarem desapontados ou tristes quando não conseguem o que querem, mas você não deve envolvê-los em uma discussão verbal,” diz Amy McCready, escritora e terapeuta de família.

Controle crises emocionais

Nenhum pai gosta de ouvir um ataque de birra, seja uma criança que se recusa a deixar o parquinho ou um filho que soca a porta porque quer um novo celular. Mas ceder é bem pior que isso. A principal razão pela qual uma criança continuará a fazer birra é que ela consiga o que quer. Não estimule esse comportamento e, assim, ele não acontecerá mais.

Se você está em casa, simplesmente ignore isso (a menos que seu filho esteja propenso a se machucar ou machucar outros), sugere McCready. Ao mesmo tempo em que você precisa ficar de olho no seu filho mimado em um lugar público, você não deve dar muita atenção ao comportamento, o que garantiria uma repetição da atitude. Ao invés disso, calmamente leve seu filho para o carro onde poderão terminar. Quando os filhos perceberem que você não será manipulado quando eles fazem cena, eles não repetirão a tática no futuro.

 

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Ensine seu filho a arte de ser paciente

Crianças mimadas não querem somente realizar os seus desejos, como também consegui-los imediatamente. Nós vivemos em um mundo de satisfação imediata. Você alcança as pessoas por meio de mensagens instantâneas.

Quase todas as perguntas são respondidas com uma rápida pesquisa no Google. Graças ao Skype, seu filho pode ver a avó a hora que desejar. Isso cria nas crianças expectativas irreais de conseguirem o que querem a qualquer momento, diz Dr. Ruskin. (Uma das razões par isso é que eles veem os pais impacientes diante de uma página que não carrega ou uma mensagem que não é respondido.) E para muitos pedidos, numa tentativa de ver um sorriso facilmente ser estampado no rosto das crianças, que dizemos “sim” mais vezes do que deveríamos. E fazer isso não ajudará a criança a aprender a ser paciente.

Recusar ou adiar os pedidos fará com que a criança desenvolva uma autodisciplina maior e valorize mais tudo o que ganha. Dr. Lichtman relembra que, depois que sua filha de cinco anos passou a receber mesada, ele não comprou mais balão na feira de rua naquele ano. “Eu disse, ‘se você realmente quer um, você pode usar o seu próprio dinheiro’”. Ela acabou usando o seu dinheiro para comprar outra coisa.

Busque oportunidades para que seus filhos te vejam em momentos em que você espera por coisas que quer. Se você vê uma calça no shopping que você decide não comprar, deie seu filho saber (“A calça serviu, mas as minhas calças ainda estão boas” ou “Vou esperar até elas ficarem em promoção”).

Dê incentivos ao invés de presentes

Meu filho está longe de ser o melhor jogador de futebol do seu time. Ele adora a camaradagem e o lanche pós jogo tanto quanto o próprio jogo. Quando ele ajudou a marcar um gol para o seu time, eu quase comprei algo especial para comemorar na ocasião. Fico feliz que eu não tenha cometido esse erro. Ele ficou extremamente feliz ao ler sobre “o ótimo passe de assistência que Daniel fez no segundo tempo”, no e-mail semanal do treinador sobre os destaques do jogo.

“Uma criança que recebe uma compensação por cada pequena realização vai começar a perder o seu impulso natural para se destacar”, diz McCready. Por outro lado, o elogio específico (“Você trabalhou duro para fazer um passe perfeito, e valeu a pena no jogo de hoje”) vai ficar ecoar em seu filho muito mais tempo e aumentar a sua motivação. Dito isso, não há nada de errado em incentivar o seu filho. Contanto que você chame essa atitude de celebração e não de uma recompensa, deixando-o escolher seu lugar favorito para jantar ou tomar sorvete com os amigos. E isso na estragará o seu filho. Prometo.

* Traduzido do site da revista norte-americana “Parents”.

O tema “Criança Rei x Birra: qual o caminho do meio” será abordado por Melinda Blau no nosso Seminário Internacional “Mãe também é gente”, que ocorrerá dia 15 de maio no WTC (World Trade Center São Paulo), na zona sul de São Paulo. Inscreva-se aqui.

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