Criança

Por que no frio a gente fica doente com mais frequência?

O frio chegou e, com ele as doenças de inverno. Elas acontecem por conta da temperatura, da poeira e da baixa umidade do ar

Redação Pais&Filhos

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Os pais bem sabem: basta chegar o frio e o tempo mudar que sintomas como tosse, espirro, peito chiando, falta de ar e muitos outros incômodos comuns das doenças de inverno começam a se manifestar entre as crianças e deixar os adultos preocupados.

O fator desencadeador varia: pode ser aquele casaquinho de lã do inverno anterior que estava guardado no armário até o contato com um amigo que nem tinha manifestado os sintomas da gripe, mas já está com o vírus incubado. As doenças de inverno são inimigos invisíveis, sim. Mas não são invencíveis e muito menos impossíveis de serem prevenidas e tratadas.

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Frio batendo à porta

“Neste período o ar fica mais seco, facilitando a propagação de vírus e bactérias. Além disso, a gente passa a frequentar locais mais fechados, aumentando exposição a fatores de risco que ocasionam infecções e doenças de inverno”, diz Silvia Regina Marques, mãe de Guilherme e Giuliana, presidente do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

De acordo com Silvia, as doenças de inverno podem iniciar com um quadro alérgico ocasionado, por exemplo, pelo uso de roupas de lã que saíram de uma temporada no armário direto para o uso, ou pela baixa umidade do ar. Fatores como esse, atrelados ainda à queda na temperatura, pouca ingestão de líquidos, má alimentação e baixa imunidade, podem contribuir para a disseminação de vírus e bactérias.

Olhando a coisa sob outro ponto de vista (tudo pode ter um lado bom, não?) os resfriados da infância podem significar maior resistência na vida adulta. “Infelizmente não há nenhum remédio que dê mais imunidade. As defesas aumentam ao longo dos anos e é necessário que as crianças peguem gripes e resfriados para aprimorar seu sistema imunológico”, diz Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia, pediatra e nosso consultor.

Mesmo assim, é importante ficar atento aos sintomas que o seu filho apresenta – e aos sinais de piora. “Não há necessidade de levar a criança para o hospital ao primeiro sinal de mal-estar, pois muitos sintomas se curam sozinhos, mas é importante observar se ela apresenta febre superior a 38 °C, dores, gemidos, peito chiando, secreção e ausência de apetite”, explica o pediatra.

Leia também: Como prevenir e tratar as 9 principais doenças de inverno

Proteção que dá resultado

A prevenção contra as doenças de inverno pode começar antes mesmo de o bebê nascer, com uma boa alimentação durante a gestação e imunização contra o vírus Influenza por meio da vacina. “Quando a gestante ou lactante toma a vacina contra a gripe, ela imuniza também a criança, passando o antídoto pela placenta e pelo leite materno”, conta Claudio Len. É importante ressaltar que o leite materno auxilia no desenvolvimento do sistema imunológico, fator essencial para prevenir e acelerar o processo de melhora das doenças de inverno.

A partir dos 6 meses de idade a criança já pode tomar a vacina contra gripe. A vacina é bem tranquila e não causa efeito colateral, somente um desconforto no braço por causa da injeção. A dose não deixa doente e pode diminuir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonia e de 39% a 75% os casos de óbito por gripe. Segundo o Ministério da Saúde, em 2013, mais de 4 mil crianças entre 1 e 4 anos foram hospitalizadas por gripe.

Nessa fase da vida, o vírus é excretado antes de gerar sintomas. Não se deve desprezar o potencial de transmissão do vírus da gripe por crianças. Entre 1 e 5 anos, elas são a principal fonte de transmissão da doença para familiares e pessoas com quem têm contato.

Prevenir é melhor que remediar

Em março deste ano, foi publicada uma revisão de estudos da Cochrane, organização internacional responsável por elaborar revisões de literaturas médicas, que mostrou que os medicamentos antigripais que combinam analgésicos, antialérgicos e descongestionantes têm efeito limitado em crianças maiores de 6 anos e não apresentam evidência de efetividade em crianças menores.

De acordo com a pediatra Silvia, esses medicamentos não mostram melhora na evolução dos casos. “Isso porque as gripes são autolimitadas e o próprio organismo pode resolver”. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os medicamentos para gripe são utilizados para amenizar os sintomas.

Um dos possíveis tratamentos para aliviar o ciclo inflamatório das vias aéreas é a inalação. O procedimento pode ser feito com soro fisiológico ou remédios específicos. No inverno a quantidade de inalações costuma aumentar consideravelmente. Um levantamento realizado pela Orizon com os dados das operadoras de planos de saúde mostrou que, durante o inverno de 2012, houve um aumento de 38% no número de inalações realizadas em pacientes de 0 a 18 anos em comparação com o verão daquele ano. Segundo o estudo, a cada 100 mil pacientes atendidos no inverno, aproximadamente 3.800 fizeram inalação.