Criança

Doenças de verão

Saiba como proteger seu filho delas

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Mônica Dallari, mãe de Bruno, João e Dalmo

 
As férias estão aí e a rotina de seu filho muda completamente. Verão é tudo de bom, a gente vai viajar mesmo, mas as mudanças dos horários, do ambiente e do clima são capazes de causar alguns imprevistos na saúde das crianças. Pode ser um problema de pele, um descuido com o sol ou até uma intoxicação alimentar. Por isso é bom se preparar para não se assustar com as doenças mais comuns nesta época do ano. Consultamos alguns médicos e pediatras para saber quais são elas, como evitar e que providências tomar se for preciso.
 
Problemas respiratórios
 
O calor chega, mas nem por isso as doenças respiratórias dão trégua. Gripes, bronquites e rinites, por exemplo, podem até se agravar. A mudança brusca de temperatura pode ser muito agressiva para o organismo infantil.
 
Sintomas: Em geral, as doenças respiratórias se manifestam por meio de tosse, seca ou com catarro, pois é um mecanismo de defesa das vias respiratórias. Nos casos alérgicos, aparece seca. Nas gripes e nos resfriados, vem acompanhada de coriza e mal-estar.
 
Recomendações: Vá com calma no uso de ar-condicionado nos carros, em casa, em hotéis ou mesmo ao escolher uma sala de cinema. Ao ligar o ar no automóvel, vá reduzindo a intensidade aos poucos para que a criança não tenha um choque de temperatura quando sair. Se ficar muito calor e seu filho estiver gripado, não o agasalhe demais. Lembre-se de que está quente e ele naturalmente já sofre uma perda maior de líquido. Fazer a criança beber bastante água é bom, pois ajuda a eliminar o catarro.
 
Como tratar: Caso tenha febre, dê um antitérmico e a mantenha longe do sol e do calor excessivo. Alimentos gelados estão liberados, e banho morno também é recomendável.
 
Desidratação
 
É um dos principais problemas que afetam as crianças no verão. Com o calor, elas transpiram mais e sofrem perda excessiva de líquido. Por isso não descuide e não deixe de dar muita água aos pequenos.
 
Sintomas: Vômitos e diarréia.
 
Recomendações: Dê muita água à criança, mesmo se ela não pedir, para assim repor todo o líquido que perdeu  por causa do suor. Abuse de sucos, chás e roupas leves. Se você está amamentando, não se preocupe. O leite materno é suficiente para manter a hidratação. Caso já tenha introduzido a mamadeira, dê também água e chá.
 
Como tratar: O vômito decorrente da desidratação provoca grande perda de líquido em pouco tempo. Por isso, é importante que seja controlado com medicação específica, os antieméticos. Caso a criança não consiga ingerir nada, parta para o supositório. Se seu filho já estiver em processo de desidratação, o ideal é dar soro gelado pronto, vendido nas farmácias. Para a solução ter um bom efeito, é bom equilibrar a quantidade de açúcar (glicose) e de sal (sódio) para que o intestino absorva com facilidade. A água-de-coco é considerada um ótimo hidratante. Quanto mais gelada estiver, maiores são as chances de o estômago aceitar. Dê em pequenas quantidades em intervalos de dez minutos. Não iniba a diarréia, ela é um mecanismode defesa do organismo, que tenta colocar para fora as toxinas ou bactérias que estão agredindo o corpo.
 
Cuidados com o sol
 
Não dá para brincar com o sol. Tem de tomar muito cuidado. Além da insolação, existe a ameaça das queimaduras provocadas pelo excesso de exposição. Nesse caso é bom prevenir para não remediar. O efeito do sol é cumulativo e, mesmo que não apareçam problemas na infância, pode provocar doenças sérias na fase adulta, como o câncer de pele.
 
Sintomas: A insolação é o acúmulo de calor no organismo. Causa dor de cabeça, vermelhidão na pele, febre, sono e vômitos.
 
Recomendações: Bebês com menos de 6 meses não devem ser levados à praia ou piscina. Mesmo que estejam protegidos do sol, o calor excessivo não faz bem. A temperatura no interior de um carrinho em ambiente quente pode ultrapassar facilmente os 40 graus. Procure não deixar as crianças muito expostas ao sol entre 10 e 15 horas. Chapéu e boné são obrigatórios, e é na sombra que devem brincar. Filtro solar sempre e a toda hora. Lembrando que a aplicação precisa ser feita toda vez que seu filho sair da água ou, pelo menos, a cada duas horas. Quanto ao fator de proteção, fique com os de numeração 15 e 30. Os filtros com fator mais alto são oleosos e acabam por obstruir os poros, o que resulta em aumento do suor e irritações na pele. Sem contar que o grau de proteção não varia muito: 30 (97,5% de proteção) e 50 (97,7%).
 
Como tratar: Caso a criança esteja muito abatida e não aceite beber nada, é bom levá-la a um prontosocorro. Nos casos de queimadura solar, se o hidratante não aliviar a dor, oriente-se com o pediatra. Deixea com roupas leves de algodão e fuja de lugares quentes com sol.
 
Intoxicação alimentar
 
Refeições fora de casa é lei quando crianças estão de férias. Normal. Elas comem na praia, no clube, nos shoppings ou nos parques. Mas nem sempre os alimentos nesses locais são lá muito saudáveis. Sem contar que o calor facilita a decomposição deles e, ao serem ingeridos, podem causar intoxicações provocadas por bactérias ou vírus. As bactérias, como a salmonela e o estafilococo, se desenvolvem no alimento, enquanto o vírus usa a comida como transporte e causa doenças como o rotavírus ou a hepatite A.
 
Sintomas: Aparecem poucas horas depois de o alimento ser ingerido. Causam vômitos e diarréias. Nos casos mais graves, provocam febre, dor de cabeça, náuseas e podem levar à desidratação. Os primeiros sintomas de uma intoxicação por vírus ou bactéria não se diferenciam.
 
Recomendações: Procure evitar cremes como chantilly e maionese, carnes ou mesmo sorvetes vendidos na praia de marcas caseiras. O mesmo vale para sanduíches naturais. Prefira o bom e velho milho verde, o pastel de queijo ou os sorvetes de marcas conhecidas transportados em carrinhos refrigerados.
 
Como tratar: Os casos de intoxicação mais simples se resolvem em poucos dias. É importante não deixar de dar muita água ou o que a criança aceitar beber. Se estiver desidratada, compre soro na farmácia. Para cessar o vômito, dê um antiemético. A diarréia ajuda a expulsar o corpo estranho do organismo, por isso não é bom inibi-la com remédio. Se os sintomas demorarem a passar, procure um médico. Ele irá solicitar um exame de fezes para identificar a bactéria ou o vírus.
 
Conjuntivite
 
É a inflamação da membrana transparente que cobre os olhos e a parte interna da pálpebra. Pode ser causada por vírus, bactéria ou alergia, e é facilmente transmissível. A irritação é possível ocorrer também pelo contato com o protetor solar ou por conta de excesso de cloro nas piscinas.
 
Sintomas: Olhos vermelhos, secreção amarelada, dor, como se tivesse areia nos olhos, e sensibilidade ao excesso de luz.
 
Recomendações: Faça seu filho sempre lavar as mãos com água e sabão. Não deixe que ele use a mesma toalha de pessoas que você não conhece.
 
Como tratar: Com soro fisiológico ou água previamente fervida. Faça uma compressa com a água fria ou pingue algumas gotas de soro nos olhos da criança.
 
Problemas de pele
 
O aumento da transpiração, o sol, o cloro da piscina ou a sujeira da praia podem provocar problemas de pele. A micose é uma infecção causada por fungos que se alimentam da queratina, substância presente na pele e responsável pelo bronzeamento. As brotoejas também são comuns nessa época e são provocadas pela transpiração. E atenção para as praias freqüentadas por cachorros. Seu filho corre o risco de pegar o bicho geográfico, já que a parasitose costuma se hospedar nas fezes de animais.
 
Sintomas: As brotoejas aparecem nos bebês como bolhas e bolinhas avermelhadas. Atingem geralmente o pescoço, o tórax, o rosto e as costas, especialmente nas dobrinhas. As micoses costumam surgir como manchas, já que o sol não consegue bronzear a região infectada. O bicho-geográfico provoca coceira, e as larvas infestadas geralmente penetram na pele dos pés, das nádegas ou das costas e vão traçando um caminho linear.
 
Recomendações: Dê uma boa chuveirada em seu filho assim que sair da praia ou da piscina. É bom calçar chinelos nas crianças no vestiário e no caminho para a praia. Não exagere na roupa e dê banho morno.
 
Como tratar: Nos casos simples de micose, uma pomada específica pode resolver o problema em dez dias. Compressas de gelo aliviam a coceira do bicho-geográfico. Se o tratamento não resolver, procure um dermatologista para que ele receite um remédio e coloque éter no trajeto do parasita. Para as brotoejas, recomendam-se roupas leves e de algodão. Banhos com maisena diluída na água aliviam a coceira e ajudam a secar as feridinhas.
 
Febre maculosa
 
É causada por uma bactéria (Rickettisia rickettsii) que costuma se hospedar no carrapato-estrela. A transmissão ocorre pela picada do carrapato infectado depois de quatro a seis horas no corpo da pessoa. A doença é séria e mata mesmo se não for tratada corretamente. Precisa ficar ligado porque o problema andou bem perto da gente, e aí não tem essa de achar que o carrapato só vive no campo. Já foram registrados casos nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina, além de no litoral e interior paulista.
 
Sintomas: Febre alta, conjuntivite, dores de cabeça e no corpo. Os primeiros sintomas costumam aparecer uma semana depois da mordida.
 
Recomendações: Roupas claras ajudam a visualizar a presença de carrapatos. Se seu filho for andar no mato, faça-o usar calças compridas, meias e botas. Inseticidas de piretrina são eficazes. Preste atenção nos animais domésticos, principalmente cachorros, que são hospedeiros de carrapatos. Cavalos, bois e capivaras também podem carregar o aracnídeo. E, quanto mais rápida for constatada a mordida, menores são as chances de transmissão.
 
Como tratar: Na dúvida sobre o tipo de carrapato, o importante é removêlo o mais rápido possível. Mas muito cuidado. O carrapato não deve ser arrancado. Com a ajuda de um alfinete, puxe devagar para que saia inteiro. Nunca esmague esse aracnídeo com as unhas, já que, ao estourar, as bactérias transmissoras são liberadas e podem infectar a lesão. Se tiver dificuldade e não souber como fazer, o ideal é pedir a ajuda de um médico.
 
Dengue
 
A ocorrência de dengue no Brasil está diminuindo desde 2002, quando foram registrados 800 mil casos em todo o país. Mas ela ainda existe e acontece com mais freqüência no verão por causa das chuvas. Por isso, cuidado, repelente e mosquiteiro sempre à mão!
 
Sintomas: Aparecem entre 3 e 15 dias depois da picada do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Provoca febre alta, dores de cabeça e no corpo, vômitos e manchas na pele.
 
Recomendações: Não deixe água parada em vasos de plantas, calçadas, lajes, pneus velhos ou em cantos do quintal. Se estiver em um hotel ou na casa de amigos, não custa dar uma olhada geral para ver se não há nada suspeito, especialmente se tiver chovido. Protetores de berço e repelentes específicos podem ajudar muito na prevenção contra o mosquito.
 
Como tratar: No caso de suspeita de dengue, é importante procurar rapidamente o atendimento médico. Para evitar a dor no corpo e baixar a febre, não tome derivados do ácido acetilsalicílico, como aspirina, que podem provocar sangramento caso a dengue seja do tipo hemorrágica.
 
Bateu, quebrou, e agora?
 
Se alguém souber como evitar quedas e tombos de crianças, por favor nos conte o segredo. Não tem jeito, elas caem mesmo, por mais que a gente esteja de olho. É a bicicleta, o skate, o futebol e aquele muro de que já falamos milhões de vezes para o filho ficar longe. É justamente nas férias, principalmente no verão, que aumentam os riscos de fraturas. Se estiver com a suspeita de que seu filho quebrou alguma parte do corpo, corra para o hospital ou posto médico mais próximo. É importante identificar a gravidade da fratura. Muitas vezes um osso fora do lugar pode causar problemas em vasos, nervos ou músculos. Por isso, para evitar o comprometimento neurológico, é importante que um profissional dê uma primeira olhada e preste o socorro de urgência adequado.  Dependendo da gravidade da fratura, é bom voltar para casa e procurar o hospital de sua confiança.

Corte profundo
 
Ver o filho da gente machucado dá desespero mesmo. Mas o importante é manter a calma na hora de tomar as providências. Respire fundo e aprenda o que fazer se o corte for profundo, com cara de que vai precisar de uns pontinhos. Comprima a lesão com um pano limpo para tentar estancar o sangramento. Pode ser usado um cinto ou uma faixa de pano que deixe a área bem apertada. Em seguida, corra para o hospital ou posto de saúde mais próximo para receber os primeiros socorros, ser atendido por um cirurgião ou, dependendo da gravidade da lesão, transportado para um lugar com mais equipamentos.
 
Primeiros Socorros
 
Além de xampu, condicionador e protetor solar, inclua mais esta lista nas compras da farmácia. Marque o que você já tem em casa e adquira o que está faltando.
 
– Termômetro
- Analgésico e antitérmico (paracetamol ou dipirona)
- Antiinflamatório
- Antiemético em supositório (para cessar o vômito)
– Antialérgico em solução
– Pomada antialérgica
- Gotas para dor de ouvido
- Colírio protetor
- Soro de hidratação
- Esparadrapos
- Gazes
- Pinça
- Algodão
- Solução iodada para machucados

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FECHAR

 
Consultoria: Dr. Evandro Roberto Baldacci, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, especialista em Infectologia, pai de Evandro, Roberto, Letícia e Enzo. Tel. (11) 3083-5598. Dr. Francisco de Fiore, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, avô de Felipe. Tel. (11) 3872 9644. Dr. Grant Carvalho Filho, chefe da Emergência Pediátrica do Hospital Copa D’Or, pai de Maria Laura, Bernardo e Maria Eduarda. Tel. (21) 2545-3600. Dr. Marcus Maia, dermatologista da Santa Casa de São Paulo, pai de Mariana e Juliana. Tel. (11) 3666-3393.

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