Criança

Câncer Infantil: 80% dos casos podem ser curados com diagnóstico e tratamento precoces

Imagem Câncer Infantil: 80% dos casos podem ser curados com diagnóstico e tratamento precoces

Publicado em 15/02/2022, às 06h57 - Atualizado às 07h51 por Yulia Serra, Editora | Filha de Suzimar e Leopoldo


O Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil existe para conscientizar a sociedade sobre a importância de reconhecer os sinais da doença precocemente, aumentando as chances de cura para milhares de crianças em todo o mundo. Isso é muito importante, considerando que o câncer é a doença que mais causa morte entre crianças e adolescentes e 80% dos casos poderiam ter sido curados se o diagnóstico e tratamento tivessem acontecido mais rapidamente. “Quanto mais tarde a criança começar a terapia, maior a chance de se encontrar a doença avançada e disseminada”, afirma Dr. Gustavo Zamperlini, oncopediatra da Rede de Hospitais São Camilo de SP.

Ainda não se sabe com precisão a causa de uma doença tão grave nas crianças, mas está associada a genética ou mutações. A informação é a melhor forma de deixar os pais preparados para identificar os sintomas e procurar um médico o quanto antes. Por isso, Vanessa Spindola resolveu compartilhar sua experiência com a filha Luísa, de 5 anos. A menina sempre foi uma criança saudável e com as vacinas em dia, mas no ano passado tudo mudou. Dez dias após o carnaval, em uma consulta de rotina, a mãe percebeu nos exames da filha uma leve queda na curva de crescimento e peso, mas nada que fosse muito preocupante.

“Antes de sair da sala, eu resolvi (não sei bem o porquê) pedir um check up”, conta. Esse sexto sentido de mãe foi fundamental, já que o hemograma apresentou alterações. “Algo me dizia que Luísa estava com alguma doença grave”, completa. Por isso, decidiu levar o resultado no dia seguinte ao pediatra, mesmo sem horário agendado. A primeira suspeita foi que os resultados estavam errados, mas após refazer e ter o mesmo resultado, Vanessa foi orientada a procurar um hematologista.

Novamente, as duas especialistas reforçaram que a família poderia ficar tranquila, que não havia suspeita de leucemia. Vanessa não estava conformada. Voltou com a filha ao hospital, que fez os mesmos exames, teve as mesmas alterações, mas foi liberada. “Eu sabia que teria que correr atrás e tentar outros caminhos”, explica. Marcou um hematologista particular e ali tudo mudou. Para descartar a leucemia, Luísa precisou fazer um mielograma (exame da medula óssea). “Poucas horas depois, infelizmente o resultado foi positivo para Leucemia Linfoide Aguda (LLA)”, lembra.

No início, a única evidência foi o aparecimento de manchas roxas na canela, mas não demorou muito para outros sintomas surgirem com força, como fadiga e palidez. Isso é bastante comum e, por isso, muitas vezes os sintomas são confundidos com infecções, mas é preciso ficar alerta. Além deles, a febre persistente, sangramento repentino, dores muito fortes nos membros inferiores, alterações na visão, fala e equilíbrio também são indícios.  “Um dia após o diagnóstico, fui orientada e encaminhada para um lugar que hoje chamo de segundo lar, o Hospital Itaci (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil)”, conta Vanessa. Por lá, conheceu todo o tipo de história e pessoas maravilhosas. O tratamento de quimioterapia resultou em sete internações durante 2019.

Assim como os adultos, o tratamento contra leucemia consiste em quimioterapia, radioterapia, transplante de medula óssea e cirurgia. Porém, o avanço da doença não é igual, sendo mais lenta e traiçoeira para os mais velhos. O principal foco das pesquisas atuais visa um novo tratamento, a imunoterapia, em que as células de defesa do organismo atacam o tumor. Luísa, desde dezembro, segue a fase de manutenção, retomando parte das atividades. “No geral, seu estado de saúde é bom, respondendo bem ao tratamento e em remissão da doença”, comemora Vanessa.

O oncopediatra enfatiza a necessidade do bom preparo da equipe para garantir o bem-estar de todos: “A família e a criança com câncer enfrentam longos períodos no hospital, internações e efeitos colaterais que são marcantes para suas vidas. É neste momento que entram os profissionais estratégicos deste time, como enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas, com o papel de detectar qualquer problema específico de suas áreas para colaborar com a terapia, além de acolher e apoiá-los emocionalmente, contribuindo significativamente para o salto na sobrevida”.

Por fim, Vanessa deixa um recado importante: “Hoje vejo o câncer infantil com outros olhos. Aquilo que eu conhecia apenas pela TV e internet,  hoje é a minha realidade. O diagnóstico é assustador, mas no decorrer do tempo a gente vai aprendendo que precisamos seguir acreditando. Eu e meu esposo estamos nos redescobrindo, não somos mais os menos que 1 ano atrás. Aproveitamos mais as pequenas vitórias da vida, e aprendemos que a felicidade realmente está nos pequenos detalhes. O câncer trouxe muito sofrimento pra gente, mas ao mesmo tempo muitas lições de vida”. 


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