Criança

Descubra o caminho que os livros fazem

Descubra como eles chegam até o seu filho

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Jéssika Morandi, filha de Érika e Alexandre

Nem sempre eles são chatos e muitas vezes são indispensáveis para se obter informação segura e de qualidade. Mesmo com a proliferação das buscas pela internet, os livros didáticos continuam a ser um referencial para a consulta ao conteúdo escolar. Como a oferta de coleções desse tipo é enorme, nada mais natural do que a dúvida que aflige muitos pais: qual é o melhor para o meu filho? No Dia Nacional do Livro Didático (27/02), consultamos as escolas para saber como elas respondem a essa frequente pergunta e conversamos com um autor de obra paradidática para conhecer o caminho que ela percorreu até chegar às salas de aula.

O início de tudo

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O primeiro passo para a seleção dos livros, todos os anos, é dado pelo Ministério da Educação (MEC). Uma comissão de professores universitários indicada pelo MEC avalia o conteúdo das coleções didáticas disponíveis no mercado e divulga os livros aprovados no chamado Guia de Livros Didáticos. É através da consulta a essa lista que as escolas fazem seus pedidos de material, analisando quais obras atendem ao seu projeto pedagógico. A confiança na qualidade da seleção feita pelo MEC é tanta que a maioria das escolas, tanto particulares quanto públicas, parte do Guia de Livros Didáticos para escolher seu material.

A escolha dos colégios

Nos colégios, a seleção geralmente começa em outubro do ano anterior, quando existe uma pesquisa para saber se o material adotado no ano corrente atendeu às expectativas da comunidade escolar. Nessa época, as editoras apresentam seus volumes às escolas, que as avaliam e, se for preciso uma mudança de material, recorre-se à lista do MEC. As obras do Guia que se enquadrarem na proposta pedagógica do colégio serão as novas escolhidas. Mas não é tão fácil assim mudar.

“A mudança de material didático é feita mais devido a um cansaço do professor em trabalhar com aquele conteúdo do que por causa de problemas com a coleção utilizada”, comenta Maria da Graça Salles Godoy Drigo, mãe de Leonardo e Camila, coordenadora do ensino médio do Colégio Joana D’Arc, em São Paulo (SP). A baixa freqüência de troca dos livros didáticos ocorre por dois motivos principais: as próprias editoras fazem a atualização constante das obras, evitando que elas se tornem obsoletas; e os colégios seguem uma diretriz de não realizar bruscas alterações na coleção didática.

“Os pais ainda têm o livro didático como um referencial para a educação curricular. Se estabelece uma relação de confiança e eles podem vir a questionar uma alteração muito brusca no material. Os livros assumem um valor e significado não só para o aluno, mas também para a família dele”, justifica Nivaldo Canova, pai de Maria Luiza, diretor do Colégio Giordano Bruno, em São Paulo (SP). Por isso, muitas escolas preferem fazer a introdução paulatina de uma nova coleção, começando pelo primeiro volume. Uma opção é adotá-la em uma série inicial e ir acompanhando aquela turma até os anos finais de aprendizagem, quando a nova coleção já estará consolidada. Outra prática é introduzir o novo material em uma única disciplina para todas as séries do ensino fundamental, por exemplo. Mesmo assim, a idéia das escolas é manter uma mesma coleção por alguns anos, pelo menos.

A vez dos professores

Em geral, o material didático, em colégios que utilizam ou não o sistema apostilado, é visto como um apoio ao trabalho do professor. Este tem, portanto, uma certa autonomia sobre ele. Desde que suas sugestões estejam de acordo com a proposta pedagógica do colégio, os professores têm liberdade para selecionar os livros que usarão como base para transmitir os conteúdos de suas disciplinas.

No Colégio Joana D’Arc, em São Paulo (SP), é o corpo docente quem se reúne anualmente para decidir a escolha dos livros didáticos. Alguns professores mais experientes são incentivados a escrever seu próprio material de consulta, principalmente quando não se encontra no mercado uma obra que atenda às propostas da escola.

A experiência de um autor

Além dos livros didáticos, as escolas adotam também um material de apoio – as indicações de leitura – que compete ao próprio colégio escolher. São os chamados livros paradidáticos, que auxiliam no aprendizado das crianças de um jeito mais “informal”. A obra “O Saci de Duas Pernas” pertence a essa categoria e fala sobre a questão do respeito à diversidade através de um mito do folclore brasileiro.

Seu autor, o jornalista e professor de história Djair Galvão, pai de Elton e Gustavo, precisou custear a primeira edição da obra com o dinheiro próprio, após oito anos de apresentação dos originais a diversas editoras, que os recusaram. Os dois mil exemplares iniciais se esgotaram dentro de oito meses e Djair conseguiu levar seu livro às salas de aula e bibliotecas de pelo menos 20 colégios de São Paulo e Rio Grande do Norte, seu estado natal.

Para chegar lá, Djair recebeu apoio da Secretaria da Educação do Rio Grande do Norte, que indicou “O Saci de Duas Pernas” para escolas da capital potiguar e do interior do estado. Passados cerca de um ano do investimento inicial que o autor fez em sua obra, foi lançada a segunda edição de “O Saci de Duas Pernas”, em parceira com a editora Anita Garibaldi. Os exemplares ainda podem ser adquiridos pelo site da editora pelo valor de R$15.

Hoje, Djair tem um blog sobre o livro e já o apresentou em diversas palestras em escolas, falando sobre a importância do respeito às diferenças. “O tema é discutido em qualquer lugar do Brasil e está presente no universo escolar. É preciso redirecionar o olhar para o outro, aprender a respeitar sua condição. Temos uma cultura muito voltada para a busca de defeitos alheios e o que deveria nos aproximar são as qualidades”, diz Djair Galvão, que se inspirou no cotidiano observado em suas aulas de história em colégios públicos e também nas influências que sofreu da cultura popular e literatura brasileira para escrever o livro. Ele pensa em lançar uma terceira edição de “O Saci de Duas Pernas”.

Consultoria: Djair Galvão, pai de Elton e Gustavo, é jornalista, professor de história e autor do livro “O Saci de Duas Pernas” (djairgalvao@gmail.com); Maria da Graça Salles Godoy Drigo, mãe de Leonardo e Camila, é coordenadora do ensino médio do Colégio Joana D’Arc, em São Paulo (SP); Nivaldo Canova, pai de Maria Luiza, é diretor do Colégio Giordano Bruno, em São Paulo (SP).

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