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Criança com diabetes: como lidar com isso na escola?

É importante que a escola seja avisada e tenha estrutura e profissionais capacitados para cuidar do aluno diariamente

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

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Uma criança diagnosticada com diabetes precisa de cuidados específicos diários. Quando ela está em casa, sob a supervisão dos pais ou responsáveis, é fácil fazer os procedimentos necessários. Mas no momento que ela vai para a escola, esses cuidados ficam por conta da instituição, o que pode gerar muita insegurança para os pais. Mas com algumas precauções, é possível que a vida letiva seja tranquila.

Para a endocrinologista infantil do Hospital Leforte, Laura Cudizio, quando os pais descobrem a doença, em primeiro lugar, é importante conversar com o médico e estar seguro sobre os cuidados diários que envolvem o tratamento do diabetes tipo 1, comumente descoberto na infância ou adolescência.

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Para ela, a maior dificuldade é a escola aceitar que é parte importante no tratamento do diabetes. Afinal, a criança passa uma grande parte do dia na escola, muitas vezes em período integral, e lá realiza suas refeições e atividades físicas.

Importância do diálogo

“Quando os pais estão confiantes sobre os cuidados e já possuem o material de uso diário – glicosímetro, tiras reagentes e lancetas, sachês de glicose para casos de hipoglicemia, cartão com telefones que devem ser acionados em caso de emergência – o próximo passo é um bom diálogo com a escola”, conta Laura

Diante de tantos cuidados, é necessário que exista muita cumplicidade entre os pais e cuidadores escolares. E que a criança se sinta à vontade para falar com seus professores caso se sinta mal.

O que é permitido comer

O endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, Pedro Assed, esclarece que ao contrário do que se imagina, a criança com diabetes não está proibida de comer carboidratos (açúcar encontrado nos alimentos). Mas deve manter moderação.

No lanche ela pode comer uma fatia de pão integral com queijo branco ou peito de peru, um iogurte com algum cereal diet, ou mesmo uma fruta com baixo índice glicêmico como morango, maçã, pêra ou kiwi.

Para tomar, pode ser  um suco de limão ou acerola, ou chá gelado. Quem tem diabetes precisa aprender a comer desde cedo alimentos integrais e ricos em fibras, pois tornam a digestão e a absorção de açúcares mais lenta e gradual. E devem evitar balas, bolos, doces confeitados, frutas como melancia, caqui e manga. Evitar salgados fritos e massas em geral.

Aula de educação física

A atividade física é muito importante no tratamento do diabetes. A prática regular de exercícios melhora os controles glicêmicos, além de ser boa para o controle do peso e de futuras complicações cardiovasculares.

No entanto, os pais podem orientar à instituição que não é aconselhável a criança fazer aula de educação física se estiver com a glicemia maior que 300mg/dl ou menor que 70mg/dl

E se a criança se sentir mal

 É super importante que a escola conte com uma enfermaria para que ela receba assistência caso apresente hipoglicemia ou precise aplicar insulina no período em que está na escola.

A instituição deve estar ciente que sintomas como dor de cabeça, tremores, tontura, sudorese fria, sonolência, confusão mental, perda de consciência, convulsão e coma são fatores que exigem atenção.  Segundo Laura, dependendo da idade da criança, há sintomas mais característicos e mais precoces, então a família deve explicar como seu filho fica quando está com a glicemia baixa.

Se a criança apresentar esses sintomas no horário de aula, os pais podem orientar a escola a medir os níveis de açúcar no sangue e oferecer um copo d´ água com açúcar (uma colher de sobremesa de açúcar em meio copo de água). E sempre ter o cuidado de se certificar de que ela está bem acordada e consegue ingerir líquidos sem engasgar.