Criança

Brincadeira é coisa séria e afeta o desenvolvimento físico, lógico e criativo

O que nós mais queremos é que você deixe-o se esbaldar

Carolina Piscina

Carolina Piscina ,filha de Ana Maria e Osvaldo

(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

A gente acredita, acima de tudo, que o brincar é um direito de todas as crianças. Pular, correr, imaginar, criar e estar em constante movimento, tanto mental quanto corporal, contribui para o desenvolvimento de cada criança. Como as férias de julho já chegaram, conversamos com os melhores especialistas para entender e poder explicar para você a importância do seu filho poder brincar, das mais variadas formas possíveis e o melhor de tudo: gastando pouco! Essa é a soma perfeita!

“Toda e qualquer brincadeira é benéfica para o desenvolvimento da criança. É um equívoco pensar que as brincadeiras possam ter conduções para melhorar um ou outro domínio do desenvolvimento humano”, explica Mônica Caldas Ehrenberg, professora doutora da Faculdade de Educação da USP, especialista em Cultura Corporal, mãe de Theo e Melissa.

Por exemplo, pular corda não é responsável somente pelo desenvolvimento motor, já que é uma atividade física. Essa brincadeira também desenvolve as noções de espaço e tempo, afinal, a criança precisa calcular o momento exato de pular. Além disso, também desenvolve a capacidade de respeitar regras, já que se ela tirar os pés do chão fora de hora, vai errar o movimento.

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FECHAR

Sabe aquela velha história de que as crianças absorvem tudo o que está à volta delas o tempo todo? Pois é, isso também se aplica ao brincar. “O desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, ela precisa brincar para crescer. É brincando que ela se satisfaz, realiza seus desejos e explora o mundo à sua volta”, afirma Deborah Moss, neuropsicóloga, mestre em desenvolvimento infantil pela USP, mãe de Ariel e Patrick.

Sendo assim, os pais precisam proporcionar atividades que possam promover e estimular o desenvolvimento de modo geral, levando em conta a linguagem, o afetivo, o social e o motor. Isso tudo sem deixar de se divertir, é claro! Afinal, essa é a parte mais importante para as crianças. Brincar é fundamental!

“A brincadeira desenvolve todas as questões cognitivas, sensoriais, visuais e auditivas que a criança necessita ter nesse primeiro desenvolvimento antes do processo de leitura e escrita”, diz Sheila Leal, especialista em desenvolvimento infantil, psicopedagoga e fonoaudióloga com especialização em dislexia, mãe de Gabi.

Isso quer dizer que, antes de o seu filho sentar em frente a um caderno e começar a ser alfabetizado, ele precisa brincar muito e se divertir ao máximo, para que o desenvolvimento físico, o raciocínio lógico e a criatividade possam dar suporte à educação. Assim, todo o aprendizado se tornará mais leve, fluido e dinâmico.

Pensando nisso, a Pais&Filhos, em parceria com a Lillo, propõe a você o projeto Reconecte. A ideia é que as famílias estejam juntas e passem um tempo de qualidade com as crianças. Veja abaixo como o brincar influencia no desenvolvimento do raciocínio físico, lógico e criativo.

Mexendo o esqueleto

Enquanto o que a maioria dos adultos mais quer são alguns momentos de descanso, as crianças raramente querem ficar paradas. “A ação física é a primeira forma de aprendizagem da criança, que se movimenta pelo prazer do exercício para adquirir maior mobilidade e explorar o meio ambiente”, afirma Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista, mãe de Gabriela, Giovana e João Victor.

Os benefícios de promover uma atividade física vão além de ajudar as crianças a manterem o peso. Um estudo da Universidade de Harvard publicado no Jornal da Escola de Saúde divulgou que crianças que praticam esportes tendem a ter uma autoestima maior, menos problemas de comportamento e notas maiores.

“Todas as atividades humanas, físicas e mentais, passam pelo cérebro. É importante ter isso em mente pois é através dos sentidos e do movimento que as crianças se desenvolvem cognitivamente”, explica Patricia Konder Lins e Silva, pedagoga, diretora da ABE e da escola Parque, mãe de Luísa, Manuel e Antônio. O melhor de tudo é que você nem precisa sair de casa para que o seu filho,  e você, claro, possam mexer o esqueleto.

Cérebro a todo o vapor

Os jogos de raciocínio lógico são tão importantes quanto os de atividades físicas. Afinal, eles ajudam a criança a desenvolver o pensamento e, inclusive, influenciam sobre o modo como ela vai lidar com problemas no futuro. “Aumenta o número de sinapses e causa maior conectividade do cérebro”, diz Nelson Ejzenbaum, pediatra e neonatologista, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, pai de Alicia.

Sim, os pais têm papel fundamental no processo. Sabe aquelas perguntas do seu filho que parecem não ter fim? Pois é, elas ajudam a desenvolver o raciocínio lógico da criança. Ao invés de você dar a resposta pronta, faça com que ela pense. Isso ajuda a criar a habilidade de resolução de problemas.

Na hora de brincar não é diferente. “Os pais podem estimular constantemente que as crianças observem, testem e experimentem suas hipóteses. Precisam respeitar as tentativas e erros dos filhos e, junto com eles, aprender a lidar com a frustração quando as coisas não acontecem conforme o planejado”, esclarece Claudia Panizzolo, professora de pós-graduação em educação do curso de pedagogia da UNIFESP e assessora pedagógica da escola Paulistinha de Educação – UNIFESP, mãe de Ana Luisa.

Por exemplo, quando a casinha de Lego não dá certo e tudo vai ao chão, é um momento importante para que o seu filho entenda a relação de causa e efeito. Na tentativa de construir novamente, ele vai poder analisar onde errou e, assim, acertar na segunda vez.

Mexer o corpo não significa que a criança não está usando a mente. “Brincadeiras em grupo que requerem atenção e resolução como pega-pega, entra habilidade, esperteza, raciocínio de antecipação e até ética. Integrar irmãos nas brincadeiras é incrível”, diz Karina Rodrigues, psicóloga e neurocientista, mãe de Letícia.

Para estimular o raciocínio lógico do seu filho nas férias em casa e sem gastar tanto dinheiro, a gente sugere: dominó, jogos de tabuleiro, Lego, jogo da velha, jogos de encaixe com figuras geométricas, escadinha de madeira com ordem crescente e decrescente, quebra-cabeça, Cara a Cara e até mesmo procurar pedrinhas com formatos similares para, depois, alinhá-las de acordo com algum padrão que vocês determinarem.

Ideias de montão

Não há limitação para criar, imaginar e sonhar quando somos crianças. Em qualquer atividade que o seu filho estiver envolvido, ele deve poder ter as ferramentas para criar em cima daquela atividade.

“A função do brincar não está no brinquedo, no material usado, mas sim na atitude subjetiva que a criança demonstra na brincadeira e no tipo de atividade exercida.”, afirma Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista, mãe de Gabriela, Giovana e João Victor.

Nem precisa de muita coisa para você criar uma brincadeira. Quando crianças, fantasiávamos sobre as mais diversas criações. Chutar latinhas e imaginar que éramos o próprio Pelé em final de Copa do Mundo não era muito raro. Entretanto, precisamos reforçar ainda mais essa “viagem” nos nossos filhos que, muitas vezes, acabam limitados pelas telas dos Tablets.

Jogos eletrônicos também são importantes para o desenvolvimento e estimulam muitas partes do cérebro, mas não podem ser a única brincadeira. “Com a questão do mundo digital precisamos tentar manter o equilíbrio e não oferecer somente isso para os nossos filhos. Questões auditivas, sensoriais e o olho no olho, às vezes são muito melhores do que somente a tecnologia”, explica Sheila Leal, especialista em desenvolvimento infantil, psicopedagoga e fonoaudióloga com especialização em dislexia, mãe de Gabi.

Muitas vezes, você pode até mesmo fazer combinados com o seu filho e deixar que ele mude as regras de um jogo, para que vocês possam brincar de uma maneira nova. Basta combinar tudo antes de começar a partida e seguir o que foi acordado!

Além disso, no futuro, as crianças se beneficiam com isso. “Elas conseguem visualizar soluções diferentes para os problemas. Isso se transpõe para a vida adulta,”, diz Yuri Busin, psicólogo, filho de Walnei e Tales.

Nossa embaixadora Rosana Fiorelli, mãe de Lara, por exemplo, nos ensinou a fazer uma praia para bonecas com ingredientes simples: 8 colheres de farinha de trigo, 3 colheres de óleo e corante à base de óleo. Com essa mistura, você vai conseguir fazer a areia da praia, diversão garantida!

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