Brincar é coisa séria

“A deficiência não define uma pessoa” diz mãe de autista empregado pela 1ª vez aos 43 anos

Gabriel aprendeu o poder da inclusão com o irmão Fábio - Divulgação
Divulgação
Ri Happy

Publicado em 18/04/2023, às 13h13 - Atualizado em 20/04/2023, às 11h47 por Fernanda de Andrade, filha de Débora e Marcos


A idade não é e nem pode ser impeditivo para alguém fazer ou conquistar algo pela primeira vez, e ninguém sabe melhor disso que Fábio Fuhrmann, filho de Fernanda, que foi contratado como CLT pela primeira vez aos 43 anos de idade, como vendedor nas lojas Ri Happy. Fábio é um homem autista, que desde a infância enfrentou situações em que foi discriminado e excluído por estar dentro do espectro.

O caminho até o primeiro emprego CLT não foi fácil, mas Fábio contou com o apoio da mãe e do irmão mais novo, Gabriel, além de toda a família que mesmo não morando tão perto, ainda vibrava a cada conquista dele ao longo da trajetória. Graças a esse apoio, Fábio conseguiu o primeiro emprego CLT em um local sem igual, a Ri Happy!

Gabriel aprendeu o poder da inclusão com o irmão Fábio (Foto: Divulgação)

Processo de contratação

Segundo a mãe de Fábio, o filho nunca havia demonstrado interesse em trabalhar, até o final do ano de 2022: “Ele teve um início de vida muito difícil, batalhou muito para chegar onde chegou na idade adulta, e com isso meu único objetivo é que ele seja feliz, fazendo o que tem vontade. […] Ele começou a demonstrar interesse em trabalhar, mas queria apenas em alguns locais, sendo um deles a Ri Happy”, conta Fernanda. 

A filial da marca no Guarujá, cidade no litoral de São Paulo onde eles moram, já era muito frequentada por Fábio por ser um local onde era tratado com carinho, além das festas infantis em que era convidado: “Na época, conversei com o gerente sobre a possibilidade de Fábio trabalhar lá, mas não haviam vagas para PCD. Este ano, quando surgiu a vaga, o gerente me procurou perguntando se o Fábio tinha interesse”, explica a mãe de Fábio e Gabriel. Além disso, ela detalha todo o processo por trás da candidatura: “Tive inúmeras conversas com o RH, com o gerente da loja, corri atrás da documentação e exame médico, fiz por escrito as características do Fábio. Ter a vaga é importante, mas as adaptações e informações para equipe sobre a pessoa é essencial para que tudo funcione bem e dê certo”.

O gerente Thiago (esquerda) conversou com a mãe de Fábio assim que a vaga foi aberta (Foto: Divulgação)

E como Fábio reagiu à vaga? “Foi uma mistura de alegria e medo. Por ser autista, todos estes sentimentos que são normais em qualquer pessoa quando inicia um trabalho são muito mais potencializados”, diz Fernanda. Já o irmão Gabriel ficou super emocionado: “Eu fiquei cheio de orgulho. É emocionante ver ele ser acolhido dessa forma, acompanhar outras pessoas enxergarem ele, da mesma forma que nós”. Fábio virou uma celebridade na cidade, diz a mãe: “Temos muitos amigos que adoram e acompanham o Fábio desde pequeno […] Hoje não dou um passo na cidade sem ser parada por alguém para me falar o quão feliz está com o trabalho dele. Muitos vão na loja só para vê-lo, mandar fotos e vídeos dele trabalhando”.

O papel da inclusão 

Para Fernanda, a inclusão é algo essencial para evolução da sociedade, e afirma que “não tem como saber o que o outro necessita sem o conhecer”. Ela conta que, depois que Fábio foi adotado aos dois anos de idade, percebeu que pessoas como ele ficavam segregadas e consideradas incapazes em escolas especiais, enxergando apenas a deficiência e não o ser humano: “Nunca me conformei com isso. Fábio frequentava escola especial porque não havia outra opção, mas eu coloquei ele na natação, futebol e todas as atividades extra curriculares com todos. […] Hoje tenho um filho adulto, super bem aceito pela grande maioria das pessoas da cidade, popular, independente e se relacionando bem com todos. Tenho certeza que foi por esta minha visão de praticar a inclusão, mesmo quando ainda nem se falava dela. A deficiência não define uma pessoa, a sociedade que deve se adequar para dar igualdade de condições para todos poderem participar”.

O vendedor aprendeu a fazer embrulhos para presente perfeitamente, diz a mãe (Foto: Divulgação)

Gabriel, irmão de Fábio, conta como foi crescer e entender o mundo do irmão 10 anos mais velho que ele: “Para mim foi um aprendizado, desde a primeira infância. Quando criança, eu tive um parceiro que mesmo muito mais velho, gostava de interagir da mesma forma que eu. Conforme fui crescendo, fui criando outras noções. Invertemos os papéis, enquanto ele cuidou de mim na infância, eu passei a cuidar dele quando cresci. Por isso, entendi muito das adaptações que precisamos fazer para que possamos ser inclusivos”.

Um lugar que Fábio vive a inclusão é na Ri Happy (Foto: Divulgação)

Além disso, ele complementa que vê a inclusão como uma questão de direitos, já que o tópico não era discutido nos anos de infância do irmão mais velho: “Meu irmão vem de uma geração marginalizada […] Ele nunca teve a oportunidade que muitos autistas têm hoje, de viver um ensino regular, de conviver com a sociedade de forma integral. Hoje isso está mudando, aos poucos, mas ele vive mesmo uma inclusão, seja no clube onde joga bola ou na Ri Happy, onde trabalha”.

O preconceito com pessoas dentro do espectro autista começa já na infância, e como muitas das características desse transtorno não são visíveis, o preconceito se potencializa, segundo Fernanda: “Crianças muitas vezes são taxadas de mimadas, birrentas e que suas mães não sabem educar. Adultos são chamados de esquisitos e anti-sociais. Além disso é um espectro, tem uma variedade grande de características e intensidade, tornando cada autista único […] Com o Fábio, me vejo muitas vezes traduzindo ele para o mundo e o mundo para ele. É uma batalha diária”. 

A mãe Fernanda tem como principal objetivo a felicidade dos filhos (Foto: Divulgação)

Trabalho recompensador

Fábio não apenas está feliz no novo emprego na Ri Happy, como também se tornou um vendedor exemplar, sendo elogiado por todos os clientes. Apesar de ser um caso de sucesso, Fernanda alega que nem tudo foi fácil desde o início: “A experiência dele trabalhando está sendo bem complexa. Autistas são ritualistas e mudou muito o ritmo de vida dele. […] Já começou adulto e com uma carga horária que ele mesmo aceitou no contrato e que no dia a dia tem sentido, 8 horas trabalhadas, 1 hora de almoço e 1 folga semanal. Para quem é autista e nunca teve esta demanda, é compreensível a dificuldade que sente. Por isso é tão importante quando se pensa em vagas para PCD, não é só a vaga, mas todas as adaptações necessárias para a pessoa se adequar da melhor forma possível. Ele se sente feliz, produtivo e valorizado pelas pessoas […] Estou muito orgulhosa dele!”.

Com os clientes isso não é diferente. A mãe de Gabriel e Fábio conta que recebe todos os dias fotos e vídeos em redes sociais de pessoas que conhecem o filho e vão à loja apenas para serem atendidos por ele: “Ele já aprendeu a fazer pacotes perfeitamente, quando entrega para o cliente fala: ‘Muito obrigado, volte sempre!’. Ele é muito popular na cidade e todos estão curtindo muito, fazem questão de ir vê-lo trabalhando”.

Relatos de amigos e clientes que foram atendidos por Fábio na loja da Ri Happy (Foto: Divulgação)

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