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Uma difícil escolha: carreira, família ou ambos?

A colunista Cecília Russo Troiano fala sobre a dificuldade de conseguir alternativas no trabalho que permitam conciliar os filhos e a carreira

Na semana passada estava conversando com uma pessoa que trabalha comigo e que teve sua primeira filha há 4 meses. Nesta segunda-feira, seria o tão fatídico dia do retorno pós-licença-maternidade. Momento tenso, para dizer o mínimo. Apesar do desejo de retomar a vida profissional, o coração e a cabeça da recente mãe estavam a mil, fervendo. A decisão foi adiada de forma parcial. Após uma negociação com a empresa, minha amiga optou por reduzir a jornada e trabalhar via home office. Uma escolha que nem todas podem tomar. Seja porque trabalhar meio dia significa uma redução dos rendimentos da família, coisa que nem todos podem abrir mão, seja porque a empresa muitas vezes não permite tal prática. No caso dela, os “astros” se alinharam e tudo deu certo. Pelo menos vale a tentativa de um novo formato, onde ambos os desejos ficam preservados: o tempo-filho e o tempo-trabalho.

Mas nem sempre é assim, uma pena. Como disse, a razão econômica é uma delas. O rendimento da mãe é, muitas vezes, indispensável para o funcionamento da família e a mãe de jeito algum pode abrir mão de seu trabalho. Mas a empresa, que por várias razões não oferece essa opção às profissionais que querem um equilíbrio maior entre família e trabalho, acaba tendo que abrir mão do talento feminino pela inflexibilidade do modelo. Claro, há empresas em que a natureza do negócio não permite tal arranjo. Outras, mesmo havendo essa possibilidade, temem criar políticas protecionistas. Outras ainda são caretas mesmo! De qualquer forma, um modelo mais flexível de trabalho não é para todas as mães e talvez nem para todas as empresas.

Por conta disso, é bastante comum algumas mães interromperem suas carreiras após o nascimento do bebê. Várias empresas já me chamaram para ajudá-las a entender o que fazer para reter esse grupo de mulheres talentosas dentro do mundo corporativo. Esse é um dilema que aflige tanto mães quanto empresas. Embora o fenômeno de abrir mão da carreira para cuidar dos filhos não seja novo, aliás, longe disso, sinto que hoje essa opção gera uma tremenda de uma cobrança social. Se voltarmos ao tempo das mães da geração que tiveram seus filhos entre os anos 50 e 70, parar de trabalhar após o nascimento dos filhos era visto como algo natural e quase esperado. As cobranças eram mínimas. Ela era considerada “boa mãe” se a opção fosse pela vida de mãe em tempo integral. Hoje, o mundo andou e as cobranças se inverteram. Largar a carreira vem sempre junto com uma cobrança. “Como assim, vai parar de trabalhar?”,  “Vai voltar a depender do marido?”.  Como se não bastassem as cobranças que vem de fora, as internas também são intensas: “Será que não estou sendo fraca, afinal, tanta gente consegue conciliar carreira e filhos?”, “Será que estou dando um passo para trás em minha vida, jogando a carreira para o alto em prol de meu bebê?”.

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Mais uma vez, volto ao tema das escolhas pessoais. Cada mãe vive de uma forma a experiência da maternidade, assim como cada profissional vive a carreira de modo único. Não dá para nos compararmos à vizinha ou à colega de trabalho. Não existe um modelo vencedor, uma medida de tamanho único. O que importa é avaliar o que é possível para você, o que te faz feliz e o que cabe no seu bolso. Carreira, família ou ambos? Você decide! Afinal, as consequências, qualquer que seja a decisão,  recairão sobre você e não nos ombros da vizinha, da colega, da chefe ou da sogra!

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