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Silêncio, crianças!

Uma placa “anti-criança” num restaurante americano causou polêmica. A colunista Cecilia Russo Troiano reflete: qual seria a reação aqui no Brasil?

“Proibido carrinhos de bebê.

Proibido cadeirões.

Crianças chorando ou fazendo barulhos altos são uma distração para outros clientes e, dessa forma, não são permitidos no restaurante”

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Acreditem, o texto acima está escrito há quase 3 anos em um restaurante no Estado da California  nos Estados Unidos e não é uma piada! O restaurante fica numa região turística e o dono alega que tal medida não tem afetado os lucros da casa. Ainda diz que não se importa se as pessoas se incomodam com a mensagem e segue o provérbio de que “os incomodados que se retirem”. Nesse caso os incomodados são pais de crianças que gostariam de usar cadeirões ou cujos filhos elevam o tom de voz no salão do restaurante.

Li sobre esse caso num post do Facebook do canal de TV americano WBS-TV e confesso que fiquei surpreendida com a franqueza da mensagem. Já vi casos de restaurantes ou lojas que não aceitam animais de estimação ou hotéis que recusam famílias com crianças abaixo de uma certa idade. Mas foi a primeira vez que vi um restaurante adotar tal prática restritiva. Na verdade, independentemente de ser uma medida simpática ou não, o fato é que o restaurante pode criar suas regras por se tratar de uma propriedade privada. Ou seja, ele não infringe nenhuma lei, mas a ação é bastante polêmica e bem pouco usual até então.

Fiquei pensando em como seria minha reação caso entrasse num restaurante com tal norma, no meu caso, hoje já com filhos crescidos. Acho que não me recusaria a entrar, mas a regra renderia um bom papo na minha mesa, elucubrando sobre como outras pessoas reagiriam.

Mesmo a muitas milhas da California e não tendo mais filhos pequenos, como sou muito curiosa, não resisti e comecei a ler os comentários ao post. Como me divirto lendo os comentários, muitas vezes mais divertidos que o próprio post!  Alguns eram mais calorosos, outros bem revoltados, outros ainda mostravam solidariedade com o dono do restaurante. Os que defendem a postura do restaurante argumentam que crianças de hoje são muito mal educadas e sem limites, e assim, clientes em busca de sossego tem direito a uma refeição sem perturbação. Também criticam bastante os pais, que para muitos são sem “desconfiômetro” e acreditam que o mundo todo acha uma graça o filho deles gritar e espernear no meio do salão. Do outro lado, especialmente pais e mães com filhos pequenos soltam o verbo, sentem-se discriminados e ofendidos, afirmam que crianças nem sempre ficam quietinhas e que o tal restaurante está promovendo uma cultura anti-criança, quase que na mesma linha dos espaços reservados para fumantes/não fumantes.

Os dois lados parecem aquele jogo do cabo de guerra, com cada um tentando defender seu ponto de vista. Poucos são os que não se envolvem e adotam a postura “o restaurante é dele e ele faz o que quiser”. Tendo a concordar com essa visão, apesar de achar a medida bastante antipática. Fico curiosa para imaginar como seria a receptividade à tal placa aqui no Brasil… 

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