Colunistas

Pais: cada vez mais equilibristas

Os homens hoje dedicam 17 horas semanais à casa e aos filhos.A presença deles no cuidado com as crianças está crescendo, diz a colunista Cecilia Russo

A cada 10 textos que leio ou escrevo sobre a questão do equilibrismo família e carreira, posso afirmar com segurança que 9 deles tratam o tema sob a perspectiva da mulher. Até certo ponto parece-me natural essa concentração no universo das mães: até hoje, muito mais mulheres do que homens se desdobram para dar conta de todos os pratinhos, seja da casa, dos filhos ou do trabalho.

A boa notícia, para eles e para nós mães, é que isso está mudando! Pesquisas recentes do Pew Research Center conduzidas entre 2011 e 2013 revelam dados interessantes em relação aos pais americanos.  Eles mostram que vida de equilibrista não mais é uma exclusividade das mães. Compartilho com vocês alguns temas que me chamaram a atenção. Mesmo não sendo dados brasileiros, vale como estímulo para refletirmos como andam os “nossos” pais.

1.  Embora ainda a distância entre pais e mães seja grande, o número de horas que os pais dedicam à família vem crescendo.  Em 1965, pais dedicavam pouco menos de 7 horas semanais para a casa/filhos (a mãe no mesmo período dedicava 42 horas semanais).  Em 2013, pais passam a dedicar 17 horas semanais para a mesma atividade, ou seja, mais que dobram o número de horas. Mães, ao contrário, diminuem o número de horas dedicadas a casa/filhos, em contrapartida, aumenta número de horas para a vida profissional. O fato é: pais e mães, de certa forma, estão demonstrando papeis convergentes.

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2. Em 2011, 46% dos pais relatam que dedicam mais tempo do que seus pais dedicavam à família e cuidados da casa. Ou seja, claramente mostra uma tendência de que essa geração de pais é mais equilibrista que a anterior, combinando carreira e família de forma mais plena.

3. Não só isso tem mudado mas também a própria atitude dos pais em relação a ocupação das mães. Em 2009, 54% dos pais achavam que filhos menores de 17 anos deveriam ter a companhia integral de mães que não trabalham.   Quatro anos depois esse número caiu para 37%. Por fim, o relatório aponta que embora o número de “pais donos de casa” seja pequeno, esse perfil dobrou de tamanho na última década.

4.  E, surpreendentemente, quase na mesma medida das mães,  48% dos pais afirmam que prefeririam ficar em casa com os filhos mas precisam trabalhar para o orçamento da família. No caso das mulheres, esse índice é de 52%. Ou seja, querer ficar com os filhos não é mais privilégio apenas das mulheres.

Fico muito feliz em olhar esses números. Mesmo sendo do lado de lá do Equador, acho que eles mostram uma tendência que em certa medida também está “pegando” por aqui. Vejo como um ganho para todos os lados: para pais, para mães e principalmente para nossos filhos. 

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