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Não posso ir, e agora?

Nem sempre os pais podem ir às apresentações dos filhos. A colunista Cecília Russo Troiano aconselha como lidar com a situação

Muitas mães que trabalham (e pais também) certamente já viveram esse dilema: o filho (ou a filha) tem uma apresentação na escola, um jogo de futebol ou uma feira de ciências, no mesmo dia que você tem um seminário em outra cidade!

Já aconteceu comigo algumas vezes. Na hora vem aquele mal estar, um embrulho no estômago e uma vontade enorme de jogar tudo pro alto e ir ao encontro da criança. Passado o momento de desespero, é hora de pensar em como transformar essa ausência não necessariamente em algo melhor, mas pelo menos mais aceitável para ambos os lados, dos pais e dos filhos. Para essa reflexão, ouso sugerir algumas dicas que para mim foram úteis e funcionaram.

  1. Antes de mais nada, converse com seu filho ou filha. Explique os motivos de sua ausência. Não deixe para fazer isso na última hora. Dê um tempo para o filho ou filha digerirem a notícia. O que acontece muitas vezes é que os pais ficam mais chateados de não estar presentes do que os filhos de não poderem contar com os pais. Assim, falar com os filhos é também uma forma de tranquilizar a si mesmo.
  2. Calma, isso não acontece só com você! Diante de um conflito de agendas, é normal achar que isso só acontece com você, que azar! Mas não: acontece com todas as famílias e cabe a nós buscar uma solução e não ficarmos paralisadas nos martirizando.
  3. Para tentar ao máximo evitar conflito de compromissos, no início do ano, quando a escola lança um calendário com os principais eventos dos filhos, já os coloque na sua agenda. Isso pode evitar alguns conflitos, mas não todos…
  4. Claro que filhos gostam de se apresentar para o pai ou a mãe. Mas, mais do que isso, dependendo da idade, eles gostam de ter alguém na plateia, alguém com quem eles tenham afinidade, alguém para dar um tchauzinho quando estiverem no palco ou para dar aquela comemorada na hora do gol. Uma pessoa da família, avós, tios, padrinhos, irmãos são maravilhosos substitutos dos pais nesses eventos. Que tal convidar um deles para estar presente?
  5. Após o evento, ao reencontrar o filho ou filha, converse, peça para contar como foi, pergunte detalhes e mostre seu interesse em saber tudo, mesmo não tendo podido estar presente.
  6. A última dica é difícil, mas importante – não vista o chapéu da mãe culpada ou do pai carrasco. Você não é pior pai ou pior mãe se não pode ir a um evento do filho. Pais e filhos criam histórias durante uma vida toda e não apenas em um dia. Parece piegas, mas é verdade. Pense no “filme” da vida do que é ser pai ou mãe e não apenas na “foto”.

Sei que escrever é fácil e que mesmo hoje, com filhos de 17 e 21 anos, já me peguei triste e culpada por não poder estar presente em alguns momentos da vida deles. Mas olhando pra trás, não acho que aquele jogo de tênis da Beatriz ou a peça de teatro do Gabriel que perdi me fizeram uma pior mãe ou deixaram meus filhos marcados para sempre. Mamãe (ou papai) não pode ir e não é o fim do mundo!

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