Colunistas

Mudanças de Mãe

A vida muda quando a gente se torna mãe. E a maior diferença não está nas conversas nem no corpo, explica a colunista da Cecilia Russo Troiano

Quando nosso estado muda, de uma mulher sem filhos para uma mãe, muita coisa se transforma em nossas vidas. Talvez junto com as mudanças de nosso corpo, várias novas facetas de nós mesmas começam a se desabrochar.

No meu caso, lembro-me que a mudança foi tanta que até me aventurei a fazer um sapatinho de tricô para minha filha, coisa que jamais eu havia feito até então.

Também observei que quando ficamos grávidas, parece que o mundo à nossa volta é uma barriga. Todo mundo está grávida! Pelo menos essa é a sensação que tive, com a atenção mais apurada e o olhar dirigido para outras tantas grávidas.

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Comecei a ler sem parar. Queria saber tudo sobre gravidez, sobre bebê, sobre o que acontecia a cada semana, sobre o parto. Faminta de informação, devorava cada palavra. Revistas, internet, blogs, redes sociais começam a ter um colorido diferente e nos puxam para ler tudo sobre a nova vida.

No dia a dia mal olhamos para nosso corpo, a não ser quando a calça dá sinais de que exageramos no final de semana. Depois da gravidez, adoramos ver a barriguinha saliente, sentimos uma certa frustração quando ela demora a aparecer e estufamos ela com orgulho de quem carrega um troféu precioso por nove meses.

Devoramos listas de nomes de bebês, naquela busca pelo nome ideal. Esse não, esse talvez, esse nem pensar porque conheço uma pessoa chata com esse nome, esse pode ser, mas qual vai ser o apelido? Passamos a prestar atenção em nomes.

Sem falar nas conversas com amigas, especialmente as que já são mães. Nossa, que conversa que rende! Contamos do que sentimos, das expectativas, das dúvidas, trocamos dicas e dividimos medos. E pensar que antes de termos filhos achávamos a coisa mais sem graça do mundo quando amigas desembestavam sem fim a falar sobre a gravidez e sobre os filhos. Hoje é o melhor papo do mundo!

Passamos a gostar de cheiros que pareciam impossíveis de serem gostados. Cheiro de Hipoglós, de shampoo de bebê, do talco, do leite e até da fraldinha. Hoje ainda sinto esses cheiros quando lembro daquela fase da vida e tenho saudades de todos eles.

E como aprendemos nomes e termos novos! Termos da gravidez, nomes de produtos, marcas de carrinhos, nomes de maternidade. Coisas que antes eram “grego” passam a ser palavras do cotidiano. Grávidas se comunicam através de um alfabeto próprio, recheado de cueiros, doulas e afins.

E como nos tornamos consumidoras vorazes! Tudo de bebê é lindo e é quase impossível resistir. Quem tem a chance de ir para os Estados Unidos fica enlouquecida com a “fofurice” das coisas e os preços incríveis. A vitrine mais linda não é mais a da loja de sapatos femininos e nem aquela maquiagem fascinante. Lojas de fraldas, carrinhos, roupinhas são uma tentação que nos leva a perder a cabeça e certamente gastar bem mais do que o planejado. Quem já não comprou peças para o bebê que mal deu tempo para ele usar? Junto com a mãe nasce uma consumidora voraz e apaixonada.

Mas talvez a maior mudança de todas seja algo que toma conta de nosso corpo todo, de nossa alma, de nosso coração. Um amor como nunca existiu, uma força intensa, que não cessa. Uma sensação gostosa, ardente, feliz. Depois que o bebê nasce, a barriga se vai, a fúria das compras diminui e os enjoos passam. Mas o amor pelos filhos segue crescendo a cada dia que passa e essa sensação vai nos preenchendo, mudando quem nós somos, nos transformando como pessoas. Hoje, com meus filhos já crescidos, posso dizer que amo-os ainda mais agora do que quando eles nasceram. Fomos mudando juntos, crescendo e nos transformando.

Agradeço todos os dias por tantas mudanças maravilhosas! 

Pais&Filhos TV