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Gosto ou desgosto?

Segundo pesquisa, o fato da mãe trabalhar fora é aprovado por mais de 66% dos filhos

Tão curiosa que sou sobre como as mães se relacionam com a vida de equilibrista que estendi minha curiosidade para olhar os filhos. Meu segundo livro, Aprendiz de Equilibrista, traz o olhar dos filhos sobre a vida de pais e mães e como organizam suas vidas futuras a partir dessa experiência do presente. Para alimentar o livro, desenvolvi uma pesquisa junto a 400 jovens, de 8 a 18 anos, em São Paulo. Entre outras coisas, perguntei aos meninos e meninas entrevistados se eles se achavam boa a opção da mãe, seja ela qual fosse — trabalhar fora ou não. Eles foram bastante diretos em suas respostas: se mostraram sem receios e sem censuras, a franqueza foi total. Embora as opiniões sejam diversas, é possível estabelecer alguns padrões de respostas e separei subgrupos de jovens a partir disso. Iluminada pela fala da terapeuta de família Isabel Kahn, citada em meu livro, ela nos ensina que cada criança reage de um jeito e que é impossível definir um único sentimento. “Os sentimentos variam muito de filho para filho, pois nenhum é igual ao outro, e também de acordo com a idade. O filho pequeno se sente bem se mãe o deixa com alguém que ela confia. Sabe que ela vai voltar, tem a rotina como conforto. O filho maior já cobra onde você foi, se você chegar tarde em casa. Mas todos tem seus dias de saudades, em que querem a mãe ao lado”, observa Isabel. 

Nos resultados da pesquisa, também me chamou a atenção o fato de as crianças se adaptarem àquilo que elas vivenciam. Dos filhos de quem trabalha, dois terços aprovam e um terço são contrários à opção da mãe. Já quem é filho de mãe que não trabalha fora, essa proporção se mantém: dois terços aprovam e um terço reprova. Quase na mesma intensidade os filhos estão satisfeitos com a opção da mãe de não trabalhar ou de trabalhar fora. Ou seja, é mesmo uma questão de costume, de adaptação à situação, seja ela qual for. Também percebi que os que mais gostam que suas mães trabalhem são os mais velhos. Parece que, à medida que vão crescendo, a ideia dela trabalhar vai sendo assimilada, ao mesmo tempo em que eles precisam menos da figura materna próxima a eles no dia a dia. 

É importante frisar que os dois grupos – o que tem mãe que trabalha fora e aquele em que ela não trabalha fora – têm argumentos para justificar suas opiniões. Há o lado cor de rosa que acompanha ambas as opções, mas também existe um viés mais sombrio sobre cada uma delas. Ou seja, não importa qual opção fizermos, alguma coisa vai “sobrar” para as equilibristas. 

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Assim,  sigo com a certeza de que a escolha de trabalhar fora deve ser nossa e muito bem pensada. Afinal,  seja qual fora a decisão,  seremos julgadas, para o bem ou para o mal.  E que em nenhuma das opções que fizermos vamos agradar 100% a nossos filhos.

 

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