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Fim de férias: Ebaaaa ou Viiiixi?

As mães se dividem no grupo que comemora a volta às aulas e no grupo que lamenta. A colunista Cecilia Russo Troiano fala sobre conciliar carreira e filhos

Nesta semana fiquei observando vários posts de mães equilibristas no Facebook. Muitas delas faziam comentários sobre o fim das férias escolares. Foi divertido ver que as mães se dividiam em dois grupos: umas gritando “Ebaaaa” e outras gritando “Viiiixi”. Ou seja, as mães equilibristas se dividiam em termos do humor diante do fim das férias escolares. Resolvi explorar um pouco o que estava por trás de tais reações tão intensas e polarizadas. 

            A turma do “Ebaaaa” era daquelas mães que demonstravam claro sentimento de alívio com a volta às aulas. Era a certeza de que a vida voltaria a ficar nos “trilhos” e que a fase de buscar alternativas de atividades para os filhos, na ausência da escola, tinha terminado. Tanto mães que não trabalham fora de casa como mães que trabalham fora juntavam-se nesse coro. Para ambas era a possibilidade de voltar à rotina e com isso ter uma vida mais “organizada”. Para as mães que não tiveram a chance de tirar férias junto com os filhos, o alívio vem dobrado. Conciliar a vida profissional com uma criança sem escola quebra o ritmo do dia a dia e traz novos desafios. Como ocupar o tempo da criança? Com quem ela fica enquanto mãe e pai trabalham? Isso sem falar na culpa que aumenta durante as férias. Parece que a mãe fica ainda mais em débito por não poder dar uma cobertura extra nas férias já que seu trabalho fora de casa continua. No trabalho pouco importa se as férias escolares estão acontecendo, tudo segue igual. Em algumas casas, os filhos também cobram mais os pais, querem fazer programas, questionam porque não saem também de férias. Tudo isso junto faz com que esse grupo de mães veja com muito bons olhos o retorno às aulas e o coro é unânime: “Ebaaaa”.

            Já a outra turma parece andar na direção contrária, faz cara de contrafeita e solta um estrondoso “Viiiixi”. Neste grupo vi mães que na maioria conseguiram tirar algumas férias com os filhos, mesmo que tenha sido apenas para ter mais tempo para ficar com eles. Algumas conseguiram viajar e aproveitar o verão com a família. Em ambos os casos, esse grupo celebrou a quebra da rotina, os momentos gostosos e a ausência de culpa, afinal, pais e filhos estavam juntinhos o tempo todo. As férias foram aquele momento de “resetar” a culpa, de usar todos os segundos para fazer com os filhos aquilo que não dá tempo de fazer o ano todo, ir naquele parque que a criança estava louca para conhecer, ficar horas jogando bola ou fazer acampamento no quarto dos pais (em casa, isso era motivo de festa com meus filhos, todos amontoados no mesmo quarto, com os colchões espalhados pelo chão). Acabar as férias é por um ponto final, pelo menos temporário, nessa vida prazerosa e nesse ritmo mais lento que as férias trazem. É hora de voltar à rotina, ao corre-corre da semana, às agendas apertadas e encarar novamente a safada da culpa de não poder estar tanto com os filhos como gostaríamos. Pois é, para resumir essa mudança, um sonoro “Viiiixi” sai da boca de muitas mulheres.

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            Mas o mais interessante é que muitas mães falam ao mesmo tempo “Ebaaaa” e “Viiiixi”. Ou seja, ficam exultantes com a volta às aulas e a retomada da rotina e entram em pânico pelo fim dos momentos gostosos em família. Acho que isso ilustra muito os sentimentos que temos em relação à maternidade, um pouco essa montanha russa que é a vida das mães. Vejo que o colorido da maternidade é ter essa intensidade, até mesmo um pouco irracional, que faz a vida ficar vibrante e colorida. Com isso, ser mãe nunca é monótono, é sempre cheio de surpresas, de cores, de contrastes. Ao mesmo tempo conseguimos celebrar e reclamar, amar e odiar, gritar “Ebaaaa” e “Viiiixi”.  

            Boa volta às aulas!

 

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