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Amamentação e vida de equilibrista

Trabalhar fora e continuar amamentando não é uma missão fácil, mas tem jeito sim!

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Nesta semana li um post de uma amiga no Facebook que retornava ao trabalho após 7 meses do nascimento de sua filha. Além do coração apertado pelo distanciamento forçado que o trabalho promove, tal post me fez refletir sobre a questão da amamentação para uma mãe que trabalha fora.  Voltar ao trabalho significa ter que parar de amamentar? Ou seja, ser uma equilibrista, conciliar carreira e família, significa dar adeus à amamentação? Não, definitivamente não.

Embora manter o aleitamento materno na volta ao trabalho exija boa vontade e disciplina, para as mães que querem seguir com a amamentação há alternativas. Ouvindo algumas mães e por minha própria experiência de ter amamentado meus dois filhos por 10 meses, reuno aqui algumas possibilidades. Algumas delas exigem a possibilidade de ter flexibilidade no trabalho, outras demandam um esforço das mães. Mas se a mãe quer seguir com a prática, acho que vale a pena tentar uma ou mais dessas alternativas. Vamos às dicas:

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  1. Se o bebê for para um bercário, escolha um lugar próximo ao trabalho. Com isso, dar escapadinhas rápidas para amamentar se torna mais fácil. Lembrando que pela lei, mães com filhos até 6 meses de idade têm direito a dois períodos de 30 minutos para estar com o bebê. Somando a hora de almoço, pode ser produtivo usar essas brechas para correr ao bercário e amamentar o seu bebê. Se o bebê ficar em casa e sua casa for próxima ao trabalho, o mesmo esquema pode funcionar.
  1. Tire leite e deixe para o bebê enquanto você está fora. Isso ajuda o corpo da mulher a manter a produção de leite e garante também que seu bebê siga tomando o leite materno por mais tempo. Hoje as bombinhas de tirar leite são bastante eficientes, bem mais do que na época de meus filhos. Apenas fique atenta às formas de estocagem, evitando assim qualquer possível contaminação. Aliás, esse é um excelente pretexto para os pais participarem mais e curtirem dar a mamadeira ao bebê.
  1. Cedinho e de noite, antes e pós o trabalho. Mesmo que durante o dia o bebê tome o leite que você deixou ou outro tipo de leite, até mesmo papinhas no caso dos bebês acima de 6 meses, ainda é possível garantir as mamadas do despertar e da hora de dormir. Sinto que essa é uma forma de amenizar o estar longe do bebê durante o dia, algo muito bom para a mãe e para o bebê.
  1. Negocie viagens e horários. Algumas profissões exigem viagens, noites fora de casa e horários estendidos. Se esse for o seu caso, tente negociar na empresa para, de alguma forma e por um certo tempo, manter uma rotina um pouco diferenciada. Em nossa empresa, temos adotado esse esquema com as mães recentes e acho que os benefícios para mãe e bebê são inquestionáveis. Do lado da empresa, é preciso algum ajuste mas na maioria dos casos, é viável.

No meu caso, fiz um pouco de cada uma das alternativas acima, dependendo do dia, das demandas da empresa e do que sentia que meus filhos precisavam. Não me arrependo, por exemplo, de ter levado o Gabriel para uma reunião em Buenos Aires, quando ele tinha 5 meses. Lá fomos eu e ele. Como estaria em reunião durante dois dias num hotel, hospedei-me no mesmo local da reunião e com uma amiga que morava em Buenos Aires na época contratei uma baby-sitter que ficava com o Gabriel enquanto eu trabalhava.

Nas horas das mamadas eu escapava e o encontrava para “nosso” momento. Claro, tudo isso exigiu organização, flexibilidade, uma dose de confiança na baby-sitter e uma pitada de coragem. Além, claro, do custo para essa viagem a dois, que no meu caso, foi ajudada pela empresa. Olho para trás com muitas saudades dessa viagem, daquele cansaço delicioso e de à noite, enquanto os outros profissionais saiam para celebrar, eu ficava juntinho do Gabriel, curtindo aquele momento.

Essa lista de possibilidades, com certeza, não esgota todos os caminhos possíveis. Afinal, cada caso é um caso, cada bebê tem sua personalidade e cada mãe tem uma demanda única. Além disso, tudo depende do tipo de trabalho da mãe, uns mais e outros menos flexíveis, da logística do deslocamento, do apoio que ela tem em casa, entre outras coisas. De toda forma, acredito mesmo que é possível, para muitas mães equilibrar o aleitamento materno e a carreira, mesmo que a intensidade de ambos precisem ser reorganizadas, pelo menos por um tempo.

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