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Algumas coisas não dá pra a gente mudar… Outras dá!

Podemos mudar o dia a dia, os relacionamentos, as atividades que fazemos... O segredo está em focar nisso para ser mais feliz, explica a colunista Cecilia Russo Troiano

Duas palavras mágicas. Equilibrismo e felicidade. Talvez essas sejam duas palavras das mais estudadas nos últimos anos. De um lado, todos os dias vemos matérias e estudos que falam de como a mulher pode conciliar a carreira e maternidade. Do outro lado,  regras e receitas para se atingir  a felicidade. Até uma área da Psicologia foi criada para esse fim. A Psicologia Positiva, teoria desenvolvida pelo Americano Martin Seligman no final dos anos 90, dedica-se a estudar o que faz as pessoas atingirem o bem estar emocional, ou seja, o que leva as pessoas à felicidade.  Juntando as duas coisas parece quase um sonho inatingível: dar conta de todos os pratinhos e ser feliz, tudo junto e misturado. Será que dá?

Foi essa dúvida e inquietação que motivou as autoras americanas Cathy Greenberg and Barret Avigdor a escreverem o livro “What Happy Working Mothers Know”, algo que em português eu traduziria como “o que as mães felizes que trabalham fora sabem”.  A boa notícia que elas nos trazem já vem logo no início do livro: sim, é possível ser mãe, ter uma carreira e ser feliz. Ufa, há luz no fim do túnel. Mas a dúvida que vem logo em seguida é a de como fazer isso. Como é possível tal dupla de palavras, equilibrismo e felicidade, coexistir? As autoras defendem de que felicidade é um estado de bem estar individual e que cada um de nós define felicidade de uma forma. Mas apesar das diferenças elas apregoam que a felicidade pede que nos concentremos nas coisas e pessoas que trazem um sentido positivo às nossas vidas. Assim, ser feliz é abraçar o que é bom e não brigarmos com o que nos incomoda. É a escolha de olhar além do imperfeito e aprender a ser feliz. Fácil? Talvez nem tanto, mas as autoras defendem a ideia de que precisamos treinar nossas mentes para isso e sairmos do piloto automático que nos direciona para o que nos aflige, para as culpas, para as nossas fraquezas.

Esse raciocínio de focar no que nos traz valor é o que está por trás da equação criada pelo psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade de Virginia (EUA) e autor do livro “The Happiness Hypothesis” (em português eu diria A Hipótese da Felicidade). A fórmula da felicidade (FF) combina aspectos genéticos que são sua predisposição natural para ser feliz, algo que você não controla (G), as condições atuais da vida, como situação financeira, relacionamento com família, por exemplo (V) e as atividades “livres”, que são aquelas atividades que você elege fazer para usar seu tempo disponível (A).  Assim, combinando esses 3 elementos (G, V, A), Haidt construiu a seguinte fórmula da felicidade (FF):

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FECHAR

                                               FF = G + V + A

O que essa fórmula indica é que se você não está feliz como gostaria é preciso se concentrar nas letras “V” e “A”, ou seja, nas atividades onde você tem o poder de gerenciamento. Voltando às autoras americanas, Greenberg e Avigdor, elas propõem um modelo para que as mães que trabalham fora (e eu diria para as que não trabalham fora também) possam gerenciar essa parte da equação que está sob sua “gestão”: ou seja, as letras “V” e “A” da fórmula da felicidade.  Para tanto, elas usam um acróstico formado pela palavra HAPPY, que significa felicidade em inglês:

H – healthy – saudável física e mentalmente;

A – adaptative – capacidade de se adaptar às circunstâncias;

P – proud – orgulhosa de sua família e capaz de curtir a família do jeito que ela é;

P – proud – orgulho do seu trabalho e sem culpa, afinal o trabalho também é parte
       de quem você é;

Y – young at heart – jovem no coração, capaz de encontrar alegria em todos os
      cantos.

O formato pouco importa: seja ele uma fórmula, um acróstico ou qualquer outra coisa. O importante de tudo isso é que se estamos verdadeiramente felizes com nossas vidas de equilibristas todos saem ganhando: nossas famílias, nosso trabalho (e a empresa para a qual trabalhamos) e, claro, nós mesmas. Tudo isso me faz lembrar de uma frase muito inspiradora do filósofo inglês Samuel Johnson, dita no século XVII: “felicidade não é um ponto de chegada, mas uma jornada”. Em outras palavras, vamos aproveitar de verdade o percurso da nossa viagem equilibrista, fazendo-o o mais inspirador e feliz possível!

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