Colunistas

Dorme!

Sobre as noites nas quais o filho não quer dormir

sono

(Foto: Shutterstock)

Outro dia meu filho resolveu que não dormia, não. De repente cresceu e apontou um jeito de ser. Se viu enormecido como gente que percebe que existe. Joaquim me olha com seu jeito novo de ser e resolve que a partir de agora é assim.

Ele pensa grande. Pois bem. Toda noite, dá a hora de dormir. Aquela para qual me organizei e me esforcei para conquistar nos últimos cinco anos. Para ter noite. Para eu ter noite. Se bem que aqui o pronome eu deve ganhar uma “ ”. Porque não existe mais, é raridade. Aparece só em mega promoção. Sexta Friday free.

Enfim, toda noite o desafio da noite em dormida. O coloco na cama, canto baixo, faço massagem no pé, joelho e pescoço e ele ama, desesperadamente, é muito prazer infantil. Só amor, vai vendo. A pessoa começa a contar “mal” do filho e logo é rendida pelo cheirinho do pescoço, pela parte de trás do joelho que é mansa, pelo pé que não dá para aguentar só olhar.

Anúncio

FECHAR

Então, a mãe se debruça, se ajoelha e reza para ele dormir. Exausta. Já cantou, já massageou as partes, já fez carinho, já até dormiu antes dele. E o menino desperto, cheio de vida e de curiosidade. Mas um dia, perdi o controle e gritei, bati porta, olhei fundo bravo, quase cabeça na parede. Um tipo desespero que ordem.

Pois mal, fui vendo o rosto dele nada assustado, mas quieto, entendido. De repente ele se senta e me abraça alargado. Diz que nessas horas, tem que se abraçar. Chorei. Ele disse que não devia ter “fazido” aquilo. Eu pergunto: o que? “Não dormir e ficar te chamando”, ele responde. Ou seja, lembrei das vezes que ele me chamou naquela noite: 17 em duas horas. Veja por bem ou por mal.

Leia também:

Uma conversa entre outono e bronquite

Um espaço aberto é para correr

Da bobagem do “a” e do “o”

 

 

Pais&Filhos TV