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Quem engatinha sempre alcança

Lorena, filha da colunista Ivelise Giarolla, tem Síndrome de Down e segue um caminho diferente de sua irmã mais velha. Diferente não é mais triste ou menos normal.

Quando fiquei grávida da minha segunda filha, a Lorena, a minha primeira filha tinha um ano e seis meses de vida e, ao saber que a pequena seria outra menina, passei a guardar as roupinhas para a boa e velha prática da “utilização pelo irmão mais novo”, afinal, compramos roupas demais e muitas vezes doamos ou guardamos roupas praticamente sem uso.

O tempo passou e, ao descer aquela pilha de roupas do armário, veio junto todo um turbilhão de lembranças. Lembranças felizes, sorriso bobo no rosto. Incrível como cada peça de roupa tem uma história e será compartilhada em outros tempos, em outro contexto.

Como sabem, a Lorena nasceu com Síndrome de Down, portanto seu desenvolvimento tem um certo atraso e no momento ela está engatinhando quando deveria estar andando. Sendo assim, suas roupas estão surradas de tanto “limpar o chão”, o que é comum nessa fase da vida. Todavia, as roupas que guardei da Marina são da fase que ela já andava e algumas ainda estão impecáveis. Não consegui me conter e, naquele momento, as comparações com a irmã vieram à tona. Aquela tristeza de admitir que o desenvolvimento das duas não será o mesmo. Aquela hora de enxergar que as roupas não terão a mesma história.

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Desde o nascimento da Lorena eu tenho que fazer um exercício diário para administrar as diferenças entre as irmãs e, hoje, após muito refletir separando aquelas roupas, percebi que, independente de síndromes, minhas filhas são seres humanos singulares, com emoções, desejos e sonhos distintos. Por que eu deveria ficar triste por elas terem histórias igualmente felizes, porém com caminhos diferentes? Quem foi que inventou essa “linha de normalidade” na sociedade? Afinal ser diferente não é também normal?

Todas aquelas lindas roupinhas da mais velha agora são da pequena que cresceu. Porém, nada se compara ao crescimento que essas duas princesas ocasionaram nessa mãe. Ainda estou engatinhando e muitas vezes levo tombos. Posiciono-me e volto a engatinhar. Estou aprendendo e tenho duas excelentes professoras me impulsionando. Gosto muito de compartilhar minhas experiências com outras mães. A minha história é muito diferente de todas que conheço. Mas por que deveria ser igual?

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