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Assimetria Craniana: entenda o que é e saiba identificar (é mais comum do que você imagina)

Problemas com a formação do crânio nos primeiros meses de vida podem ser muito comuns. No Brasil, a assimetria craniana atinge cerca de 300 mil bebês atualmente

Carolina Piscina

Carolina Piscina ,filha de Ana Maria e Osvaldo

assimetria-craninana

Assimetria craniana é uma deformação no crânio que pode assumir dois tipos: a “cabeça oblíqua”, quando a parte de trás do crânio apresenta um lado achatado e o outro proeminente (com frequente desalinhamento das orelhas, da testa e do rosto), e “cabeça curta”, que se refere ao achatamento de toda a área posterior da cabeça, com alargamento da região e elevação do “cocuruto”.

Esse problema atinge cerca de 300 mil bebês no Brasil atualmente. Essas diferenças na região craniana são consequência de apoio constante em um só lado da cabeça nos primeiros meses de vida do bebê ou por falta de líquido amniótico na fase final da gestação.

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Na maioria das vezes, há como prevenir o aparecimento da assimetria. Para isso, é só evitar o apoio constante da cabeça sempre no mesmo lugar. É importante ficar sempre atento aos seguintes pontos:

  • Ao colocar o bebê para dormir de barriga para cima, posicione sua cabeça levemente voltada para um lado, depois para o outro, alternando o lado do apoio.
  • Evite o uso exagerado do bebê-conforto. Este equipamento foi desenvolvido para ser usado no carro e seu uso deve se restringir a isso. Deixar o bebê por horas no bebê-conforto certamente levará a um apoio excessivo na parte de trás da cabeça.
  • É muito importante colocar o bebê de barriga para baixo por alguns períodos quando ele estiver acordado e sob supervisão. É o que chamamos de Tummy Time, ou “tempo de bruços”. Nessa posição, o bebê fica livre do apoio na parte de trás da cabeça, ao mesmo tempo em que desenvolve a musculatura da nuca e do ombro.
  • Se o bebê vira a cabeça sempre para o mesmo lado ou tem até uma limitação para virar de um lado para o outro, pode ter o chamado Torcicolo Congênito. Converse com um especialista para ver se não há necessidade de fazer algumas sessões de fisioterapia para corrigir esse torcicolo, porque ele pode levar a um apoio viciado.

É possível também reverter a situação, quando o problema é percebido no início. A primeira medida consiste basicamente em procurar posicionar o bebê pelo máximo possível de tempo de forma a evitar o apoio do lado que está achatado. Isso vale para a posição de dormir, segurar no colo, cadeirinhas, etc.

O problema é que, à medida que o bebê vai crescendo, o reposicionamento fica cada mais difícil e menos eficaz. É aí que entra o tratamento ortótico, uma espécie de capacetinho feito rigorosamente sob medida, que funciona como um molde para direcionar o crescimento de volta à normalidade. A parte proeminente fica constantemente apoiada no capacete, enquanto a parte achatada fica livre para crescer, mesmo quando o bebê insiste em apoiar a cabeça nessa região.

Para identificar se o formato ultrapassa os limites da normalidade, uma boa dica é olhar a cabeça do bebê de cima para baixo na hora do banho com o cabelo molhado. Vale ressaltar que todos temos algum grau de assimetria, o que é absolutamente normal, mas é fácil de enxergar aquelas condições que começam a chamar a atenção.

 

Consultoria: O médico Dr. Gerd Schreen inaugurou este ano no Rio de Janeiro sua segunda clínica Heads. A primeira fica na cidade de São Paulo, e funciona desde o final de 2014, após o médico ter se especializado em assimetrias cranianas em bebês, ao viajar para os Estados Unidos para tratar este mesmo problema na sua filha caçula e já ter tratado no Brasil mais de mil e trezentas crianças nos últimos 5 anos.